Macau apelou esta segunda-feira aos trabalhadores não-residentes chineses que, devido à pandemia, evitem deslocar-se à terra natal durante o Ano Novo Lunar Chinês, quando tradicionalmente tem lugar a maior migração interna do planeta.

“A Direção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL) deixa um apelo aos trabalhadores não-residentes provenientes do interior da China para que não se desloquem à terra natal para passar o feriado do Ano Novo Chinês, reduzindo desta forma a circulação e aglomeração de pessoas”, pode ler-se num comunicado das autoridades.

O apelo surge após a reunião desta segunda-feira da DSAL com representantes da Associação Comercial de Macau e da Associação de Agências de Emprego de Capital da China, na qual se “apelou aos empregadores das pequenas e médias empresas para que incentivem os trabalhadores não-residentes oriundos do interior da China a evitar a deslocação à terra natal para passar o feriado do Ano Novo Chinês”.

A mesma entidade reuniu-se no mesmo dia com a Federação da Indústria e Comércio de Macau Centro e Sul Distritos, da Federação Industrial e Comercial das Ilhas de Macau, da Associação Industrial e Comercial da Zona Norte de Macau e da Associação Industrial e Comercial da ZAPE de Macau.

Durante a principal festa das famílias chinesas, que em 2021 se celebra em fevereiro, era normal que viajantes chineses enchessem estações de comboio e aeroportos, com a China a registar um movimento que em anos anteriores envolveu cerca de três mil milhões de pessoas em viagens internas.

A semana do Ano Novo Lunar é tradicionalmente a época em que as famílias se reúnem para refeições e visitas a templos e mercados.

No final de dezembro, o Governo chinês já tinha já tinha feito este apelo, para evitar a propagação do novo coronavírus, encorajando dezenas de milhões de trabalhadores migrantes a não regressarem à terra natal durante as férias do Ano Novo Lunar.

Tratou-se de uma recomendação excecional, e não de uma proibição formal de viajar, dada a conhecer pela Comissão Nacional de Saúde, na única época do ano em que milhões de trabalhadores migrantes podem estar com as suas famílias.

Macau não regista quaisquer casos há mais de seis meses.

Já a China identificou 103 infetados nas últimas 24 horas, o valor mais alto desde finais de julho, dos quais 85 são contágios locais.

A pandemia de Covid-19 provocou pelo menos 1.926.570 mortos resultantes de mais de 89 milhões de casos de infeção em todo o mundo, segundo um balanço feito pela agência de notícias France-Presse (AFP).

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro de 2019, em Wuhan, uma cidade do centro da China.