Entre três e quatro milhões de pessoas não têm acesso a serviços médicos essenciais na zona central da região de Tigray, na Etiópia, em resultado do conflito que opõe as autoridades locais ao governo federal, estimou esta quarta-feira a organização Médicos Sem Fronteiras (MSF).

Em comunicado, os MSF adiantam que em várias zonas da região, as “estruturas de saúde têm falta de fornecimentos essenciais, como medicamentos, oxigénio e alimentos para os doentes”.

A organização explica que, em muitos locais visitados, “o abastecimento de eletricidade é cortado, o fornecimento de água não funciona, as redes de telecomunicações estão em baixo, os bancos estão fechados e muitas pessoas têm medo de regressar aos seus locais de origem devido à constante insegurança”.

Desde o início dos combates, em novembro, cerca de 55.000 pessoas atravessaram para o Sudão a partir desta região, que faz fronteira com aquele país e com a Eritreia, e muitas outras foram deslocadas internamente.

Cerca de 2,3 milhões de pessoas necessitam urgentemente de assistência humanitária na região, de acordo com o último relatório da Agência das Nações Unidas para a Coordenação dos Assuntos Humanitários (OCHA), dos quais cerca de 950.000 já se encontravam refugiados.

Embora o Governo etíope tenha assinado, a 9 de dezembro, um acordo com as Nações Unidas para acesso dos trabalhadores humanitários à região de Tigray, após um mês de proibição, este “continua restrito devido à violência e aos obstáculos burocráticos”, aponta o relatório da OCHA.

A 28 de novembro, após a tomada do controlo militar da capital regional Mekele pelas tropas federais, o primeiro-ministro etíope, Abiy Ahmed, anunciou o fim da ofensiva armada contra a região, o que a ONU nega.

O conflito começou a 4 de novembro depois de o governo ter decidido lançar uma operação militar contra a Frente de Libertação do Povo do Tigray (TPLF) — o partido que governa a região — alegadamente em retaliação a um ataque das forças regionais contra uma base do exército federal naquele território.