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Como os franceses eram a nacionalidade dominante entre os participantes na Primeira Cruzada e o francês se tornou na língua prevalecente nos territórios conquistados pelos cruzados na Terra Santa e no Mediterrâneo Oriental, os povos islâmicos destas regiões passaram a designar todos os europeus por farangi ou firangi (isto é “francos”) e a Europa por Frangistan (ou seja, “terra dos francos”). A designação não abrangia os cristãos ortodoxos do Mediterrâneo Oriental, que o mundo islâmico continuou a designar por rûm, isto é, “romanos”, por habitarem no que fora em tempos o Império Romano do Oriente (e que, à data, assim era ainda denominado pelos próprios).

A nomenclatura é equívoca, uma vez que, do ponto de vista religioso, os farangi, isto é, os cristãos da Europa Ocidental, deviam obediência a Roma, enquanto os rûm tinham a sua sede espiritual em Constantinopla (Bizâncio). Seja como for, a associação do termo farangi aos europeus ocidentais, indiferenciadamente, espalhou-se, com algumas mutações, pelo mundo oriental e quando os portugueses chegaram à China no século XVI, foram metidos no mesmo saco e identificados como “folangji” (com o som “l”, a substituir o “r”, que não fazia parte da fonética chinesa).

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