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Se o Sp. Braga não tivesse errado logo nos minutos iniciais permitindo a Dzeko ser letal como sempre, o jogo podia ter sido diferente. Se o Sp. Braga não tivesse perdido o lateral Ricardo Esgaio na segunda parte por acumulação de amarelos, o equilíbrio podia ter sido diferente. Se o Sp. Braga não tivesse aquele desposicionamento defensivo nos minutos finais abrindo espaço para Borja Mayoral aumentar a vantagem, a eliminatória podia ter sido diferente. Como o futebol não é feito de “ses”, o Sp. Braga partia para a segunda eliminatória dos 16 avos da Liga Europa em busca de um milagre quase impossível. Apesar de todos os “ses”, havia um ponto sem condicional, em qualquer espaço ou tempo: a honra. E era sobretudo por isso que os minhotos jogavam no Olímpico de Roma.

Não havia nenhum Murphy mas o que podia correr mal, correu ainda pior: Roma vence em Braga e tem pé e meio nos oitavos

“Temos de ser competitivos até ao fim e estar sempre equilibrados no jogo. Depois quem sabe o que pode acontecer em 90 minutos? Muita coisa pode acontecer e haver agora um penálti para nós e uma expulsão para eles. A Roma tem vantagem agora. Se o jogo estivesse zero a zero era 50 para cada lado, neste momento com 2-0 a Roma tem 70 a 80% de hipóteses mas no futebol mesmo só havendo um por cento é a isso que nos temos de agarrar e tentar jogar com as probabilidades que temos. Quanto a milagres nunca acredito nisso, mas tudo o que tiver de acontecer num jogo de futebol será sempre fruto da competência e da capacidade de trabalho dos jogadores dentro do campo. Sempre foi assim e se será sempre assim”, destacara antes do encontro Carlos Carvalhal.

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A ideia era essa, a prática seria diferente. E se já era uma missão complicada, ainda mais difícil seria sem Matheus, Al Musrati, Ricardo Horta ou Fransérgio, todos no banco de início para dar oportunidade para nomes sem tantos minutos como Tiago Sá, Rolando, Zé Carlos ou André Horta. Os minhotos não deixaram de ser os guerreiros de sempre em Roma mas os gladiadores de Paulo Fonseca mostraram de novo que têm outro tipo de exército.

Depois de um início equilibrado, e com a linha defensiva a três dos bracarenses a dar conta do recado, a Roma foi mais pragmática no último terço e chegou com mais perigo à baliza dos portugueses, criando uma boa chance por Pedro Rodríguez antes do golo inaugural do encontro pelo inevitável Dzeko, a aproveitar um remate ao poste de El Shaarawy e uma reação tardia da defesa visitante para encostar para o lado da baliza onde não estava Tiago Sá (18′). A missão mais do que complicada era ainda mais impossível mas a reação foi forte, com Lucas Piazón a ter um remate que passou muito perto do poste antes de Sporar obrigar Pau López a intervenção complicada. Quase em cima do intervalo, Pedro Rodríguez ainda acertou na trave da baliza dos minhotos.

No segundo tempo, o jogo ganhou outros contornos, ficou mais partido e Carvalhal mexeu em todo o ataque, com Ricardo Horta, Fransérgio e Abel Ruíz a serem lançados no encontro com o intuito de pelo menos conseguir o empate no jogo frente a uma Roma que começou a pensar mais na receção ao AC Milan de domingo para a Serie A e que viu o Sp. Braga ficar perto por mais do que uma vez do 1-1, com Ricardo Horta a ter dois remates de meia distância (uma para defesa de Pau López, outro a sair pouco ao lado) e outra grande oportunidade por Abel Ruíz antes de Pellegri desperdiçar uma grande penalidade (72′) e Carles Pérez aumentar a vantagem com uma entrada ao segundo poste com desvio de pé esquerdo sem hipóteses para Tiago Sá (74′), antes de Cristante, com um desvio infeliz para a própria baliza após cruzamento de Zé Carlos, fazer o 2-1 para o Sp. Braga (88′) e Borja Mayoral voltar a fechar as contas como tinha acontecido na Pedreira no primeiro minuto de descontos.