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Na Câmara, na mesquita e no bairro, Marcelo foi ao Porto falar de esperança, mas não conseguiu manter a distância /premium

Depois de tomar posse em Lisboa, Marcelo Rebelo de Sousa fez questão de terminar o dia no Porto, onde se reuniu com líderes religiosos e moradores de um bairro para falar de democracia e de esperança.

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Ao lado do autarca Rui Moreira, o Presidente da República voltou ao Bairro do Cerco, onde esteve há cinco anos

JOSÉ COELHO/LUSA

Ao lado do autarca Rui Moreira, o Presidente da República voltou ao Bairro do Cerco, onde esteve há cinco anos

JOSÉ COELHO/LUSA

Quatro horas depois de tomar posse na Assembleia da República, Marcelo Rebelo de Sousa fez questão de terminar o seu dia no Porto, onde há cinco anos foi recebido por uma multidão junto à Avenida dos Aliados. Esta terça-feira, o cenário foi bem diferente. Passavam poucos minutos das 14h30, a hora marcada, e, depois de passar pelo Aeroporto Francisco Sá Carneiro, onde se cruzou com o protesto dos trabalhadores da Groundforce e lhes dedicou uma palavra de alento, Marcelo Rebelo de Sousa chegou à Câmara Municipal do Porto onde o esperava Rui Moreira, Augusto Santos Silva, Ministro dos Negócios Estrangeiros, e cerca de uma dezena de portuenses.

Mal saiu do carro e apertou o casaco do fato, o Presidente da República ouviu aplausos, mas também algumas mensagens de descontentamento, como a senhora que lhe pediu para “não se esquecer dos reformados” ou o homem que lhe mostrou um papel onde se podia ler: “Presidente de todos os corruptos”. Depois de umas breves cotoveladas, Marcelo entrou no edifico dos Paços de Concelho, reuniu-se alguns minutos com o autarca Rui Moreira e presidiu, já no Salão Nobre, à cerimónia ecuménica com 13 representantes de várias confissões religiosas presentes em Portugal.

Marcelo na Câmara Municipal do Porto com Rui Moreira e Augusto Santos Silva

ESTELA SILVA/POOL/LUSA

Esta segunda-feira, antes do arranque da habitual reunião de executivo municipal, já se sentia a azáfama dos funcionários da Câmara na preparação para este momento. Desembalavam-se bandeiras de Portugal, reorganizavam-se salas e mudavam-se cadeiras do lugar para receber o Chefe de Estado. “O facto de aqui se realizar esta cerimónia ecuménica enche-me de orgulho porque o Porto é uma cidade de tolerância”, enfatizou Rui Moreira no seu discurso, acrescentando que tudo fará para convergir as verdadeiras políticas de interesse nacional”.

“Quero desejar a Vossa Excelência as maiores felicidades para este novo mandato e deixar-lhe a certeza que, enquanto for Presidente da Câmara, tudo farei para convergir com as verdadeiras políticas de interesse nacional como a redução da pobreza e da desigualdade, que esta manhã estiveram no discurso do Presidente da República, assumindo como uma das suas missões a coesão social como a redução da pobreza e da desigualdade”.

O autarca do Porto recordou ainda na sua intervenção que Portugal “está neste momento numa posição frágil e necessita de políticas fortes que lhe tragam crescimento, que lhe tragam esperança”. “Hoje é um bom dia para se retomar essa esperança”, sublinhou Moreira, evocando a poetisa Sophia de Mello Breyner, presente no discurso de tomada de posse de Marcelo, no Parlamento, mas também José Tolentino Mendonça.

Depois de D. José Ornelas, Presidente da Conferência Episcopal Portuguesa e Bispo de Setúbal, foi a vez do protagonista da tarde deixar tomar conta do púlpito e deixar duas palavras: “Gratidão e apelo”. “Gratidão é a primeira palavra, gratidão a todos quantos dão vida com a liberdade fundamental na nossa Constituição, a liberdade religiosa. A liberdade de querer e não querer”, começou por explicar o Presidente da Republica, que falou do amor “como regra da vida” e aproveitou para agradecer a todos os representantes religiosos por ajudarem os mais pobres, “aqueles que mais têm penado longo deste interminável ano”. Apelo, a segunda palavra, Marcelo evoca-a para pedir a defesa da liberdade, da tolerância da compreensão mútua, “num tempo em que é tão sedutor dividir e catalogar”.

A resposta a Cavaco e um desvio no caminho para voltar ao sítio onde foi feliz

Já cá fora, o Presidente reeleito sublinhou a importância de reconstruir o país, tanto a nível económico, social e psicológico, mas também “reconstruir uma sociedade livre e democrática”. E se alguns países estão a lutar contra a pandemia em ditadura, Marcelo faz questão de recordar que Portugal fá-lo em democracia e com estabilidade, rejeitando o risco de pântano. “O que importa na estabilidade é a estabilidade acompanhada desta ideia de liberdade, de democracia e de reconstrução nacional. Isso é, obviamente, o contrário do pântano.”

O Chefe de Estado conhece bem os obstáculos que tem pela frente, acredita que a pandemia “é um desafio muito difícil para os próximos meses”, mas a reconstrução do país “é um desafio muito difícil para os próximos anos”. Para isso, revela que “há uma vontade política clara no combate à pandemia”, e que o Presidente, a Assembleia da República e o Governo estão “unidos para o bem e para o mal”.

Desvalorizou o não cumprimento de Cavaco Silva no fim da tomada de posse em Lisboa e respondeu à sua mais recente afirmação: “A democracia em Portugal está amordaçada”. “Há 48 anos que não há risco de não haver democracia, por uma razão muito simples: os portugueses são democratas e felizmente tivemos sempre em lugares de responsabilidade democratas que juraram fidelidade à democracia, esse juramento vale para toda a vida. Felizmente a esmagadora maioria dos portugueses gosta da democracia, sabe que a democracia é difícil, que a democracia tem problemas, que não é perfeita. Mas mesmo a democracia mais imperfeita é melhor do que a ditadura considerada mais perfeita”, rematou.

Ainda teve tempo para falar em descentralização, revelando que, nessa matéria, tudo está nas mãos dos portugueses. “A palavra está nas mãos dos portugueses. A constituição prevê que os portugueses tenham a palavra decisiva. Portanto, a descentralização vai mais ou menos longe de acordo a vontade dos portugueses, podem ser representados na Assembleia da República ou, sendo caso disso, portugueses através de referendo.”

Marcelo durante a visita ao Porto, onde recebeu aplausos, mas também algumas críticas

ESTELA SILVA/POOL/LUSA

A tarde já ia a meio e o Presidente da República cumpriu o programa previsto visitando Centro Cultural Islâmico do Porto, onde no fim de janeiro, devido ao aumento do número de casos Covid-19, foram canceladas as cinco orações diárias. Neste antigo ginásio, convertido numa mesquita improvisada, Marcelo descalçou-se, como manda a tradição, falou com representantes das comunidades do Senegal e do Bangladesh e lembrou como a comunidade muçulmana tem crescido nas últimas décadas, realçando o apoio que este centro tem dado a quem chega ao Porto, especialmente em período de pandemia.

Para o futuro, pede um diálogo intergeracional e garantiu, mais uma vez, que “o Presidente da República é Presidente de todos o portugueses”, incluindo os nacionais, mas também todos aqueles vivem em Portugal e pertencem a outras nacionalidades.

Esta seria a sua última paragem no Porto, mas Marcelo prometeu ser igual a si próprio e, por isso, não deixou de ser imprevisível. Quis voltar ao bairro que visitou há precisamente cinco anos, três dias depois de tomar posse do primeiro mandato. No Bairro do Cerco, situado na zona oriental da cidade, o Presidente já cantou rap com os moradores, mas esta terça-feira quis ver ao vivo e a cores o resultado de algumas obras de reabilitação que o espaço tem sofrido nos últimos tempos. “Já está a chegar?”; “Pega já no telemóvel”; “Não te esqueças da máscara, filho”, ouvia-se no passeio entre alguns curiosos.

O primeiro a chegar foi Rui Moreira, rapidamente engolido por membros da associação de moradores com queixas sobre varandas e janelas. Minutos depois, chega o Presidente mais aguardado que não ouviu queixas, apenas aplausos e elogios. “Felicidades”; “Parabéns”; “Que tenha muita saúde”, escutava-se entre as dezenas de moradores que fizeram questão de acompanhar Marcelo, em jeito de procissão, na caminhada de cerca de 20 minutos pelo bairro.

Depois de uma campanha presidencial mais solitária, Marcelo voltava assim à rua acompanhado. Com Rui Moreira ao lado, tirou selfies, acenou a quem vinha à janela gritar pelo seu nome e foi respondendo aos jornalistas no meio do aglomerado de gente. “Tenho fugido o mais possível, cumprimento de longe, as pessoas querem exprimir-se, mas tenho tanto fugir. Só não fujo da comunicação social.”

Entre cumprimentos e mais acenos, o Presidente deixou mais uma mensagem de esperança para o caminho. “Desejamos que este ano terrível, que ainda não acabou, seja ultrapassado e signifique para a juventude e para todos os portugueses mais esperança e mais futuro”, afirmou, considerando mesmo o último ano “um ano de pesadelo”. Falou das consequências deixadas pela pandemia, em que “os mais penalizados foram os mortos”, os jovens e os agentes económicos, alertando que há países na Europa onde os números de infetados estão a piorar. “Vamos lá ver se conseguimos melhorar sem apanhar a ressaca da Europa para fazer um desconfinamento que seja definitivo.”

Sem saber se o regresso a casa e à capital será feito por carro ou avião, Marcelo Rebelo de Sousa tem apenas uma certeza: “Ainda tenho que trabalhar hoje à noite”.

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