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O CEO da Tesla, Elon Musk, anunciou através do Twitter que a marca está prestes a lançar no mercado uma versão beta do seu sistema Full-Self Driving (FSD), para que os condutores com modelos da Tesla o possam experimentar. Avança ainda que a versão beta, bem como a definitiva do FSD, dependerá exclusivamente das imagens recolhidas pelas câmaras e não, como é habitual, dos LiDAR ou até dos radares, com estes últimos a serem utilizados até aqui como parte do Autopilot, da versão mais simples à complexa.

O Autopilot nasceu como um sistema semi-autónomo de ajuda à condução, que depois foi sendo reforçado com novas funções que lhe passaram a permitir reconhecer a sinalização luminosa e sinais de Stop, e a obedecer-lhes, decidir quando realizar ultrapassagens em vias rápidas e modular a velocidade para descrever, sem problemas, entradas e saídas das auto-estradas, além do estacionamento automático e da função Summon, que torna possível mandar chamar o veículo num parque de estacionamento.

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Mas, apesar de todos estes avanços, o Autopilot continua a assumir-se como um sistema de ajuda ao condutor, facilitando-lhe a tarefa mas nunca o isentando da responsabilidade, pois cabe sempre a quem está ao volante a supervisão e o dever de se manter atento, tanto mais que podem existir situações que o sistema não consegue resolver, ao não pretender ser 100% autónomo.

A Tesla, que nunca favoreceu o LiDAR (de Light Detection and Ranging, um sistema para detectar objectos e distâncias através da emissão de um feixe de raios laser) por o achar caro e pouco eficaz, especialmente com chuva ou nevoeiro, sempre preferiu as imagens recolhidas por câmaras de vídeo de alta definição, alegando que um bom processador com inteligência artificial e o necessário software conseguiriam realizar a mesma função de um ser humano, ou até melhor.

Se a ausência do LiDAR não é estranha, apesar de ser esta a solução utilizada pela Waymo e pela Apple, já o mesmo não acontece com o desaparecimento do radar, que a Tesla sempre utilizou até agora para medir a distância ao carro da frente, além de detectar igualmente peões e ciclistas. Mas há quem veja nesta opção um sinal extra da confiança que a marca deposita na eficiência do seu FSD.

Se até aqui a Tesla seleccionou um grupo de 2000 clientes para testar a versão beta do FSD, agora que está disponível a versão 9.0 do sistema, o construtor afirma estar pronto para, muito em breve, disponibilizar a tecnologia a todos os condutores que a queiram utilizar e cujos veículos estejam já equipados com o necessário hardware.

Assim que tudo estiver pronto para alargar a base de “clientes ensaiadores” e abrir a hipótese de testar o FSD V9.0 ao grande público, uma actualização de software tornará disponível o novo software, bem como um botão no ecrã para activá-la, ainda como fase experimental. Com o condutor a manter a responsabilidade total sobre o que aconteça, pois segundo a Business Insider a própria Tesla alegou ao regulador norte-americano que o sistema não é 100% autónomo, apesar da denominação full seft driving.