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O Sporting e André Geraldes, antigo diretor geral da SAD, foram esta segunda-feira ilibados do processo Cashball. No despacho de arquivamento conhecido esta segunda-feira, a que o Observador teve acesso, são dados como não provados todos os factos imputados não só ao clube leonino mas ao agora presidente da SAD do Estrela.

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Em contrapartida, existem três arguidos no processo: Paulo Silva, denunciante do caso; Gonçalo Rodrigues, antigo funcionário do Gabinete de Apoio ao Atleta do Sporting; e João Gonçalves, agente. Todos estão acusados de 14 crimes de corrupção ativa pelo Departamento de Investigação e Acção Penal do Porto, sendo que no caso do último incorre ainda a possibilidade de proibição do exercício de atividade de empresário desportivo. E é aqui que entronca a “novidade” no caso: em novembro, no final da investigação dirigida pela Polícia Judiciária, só Paulo Silva era suspeito de corromper árbitros de andebol e jogadores de futebol; agora, são três.

Assim, e segundo o despacho, o vazio de provas levou a que se concluísse sobre “a insuficiência de indícios que conduzam à imputação ao Sporting ou à SAD de crimes de corrupção ativa, cometidos no seu interesse”. Ou seja, “se existem indícios suficientes de que a atuação concertada dos arguidos foi realizada no interesse daquelas pessoas coletivas, já não ocorre consistência probatória que, nos termos legais, possa dizer que o foi em nome daquelas pessoas coletivas e em decorrência da vontade delas”. Em relação a André Geraldes, aquilo que se concluiu é que não existem indícios que liguem o antigo dirigente tenha participado nos acordos que os três arguidos terão alegadamente realizado para corromper árbitros de andebol e jogadores de futebol.

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Em causa está um alegado esquema em que os arguidos tentavam abordar árbitros de andebol não só em jogos que envolvessem o Sporting mas também outros que pudessem contribuir de forma indireta para os leões (sobretudo o FC Porto), com a promessa do pagamento de valores de 2.500 euros que podiam chegar aos 3.000 euros. Em paralelo, um jogador de futebol teria também sido abordado (Leandro Freire, na altura no Desp. Chaves), havendo outros nomes que estariam numa suposta lista mas que Paulo Silva nunca terá contactado.

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De recordar que, a meio de 2019, a Federação Portuguesa de Andebol tinha arquivado o processo disciplinar que tinha sido levantado no âmbito do caso, concluindo que não havia indícios para considerar que algum clube ou agente desportivo tinha tentado corromper os árbitros em causa (que foram ouvidos), alguns internacionais. Em julho do último ano, a Polícia Judiciária tinha concluído que apenas Paulo Silva teria cometido crimes, sendo que dos mais de dez árbitros denunciados apenas dois tinham realmente recebido uma proposta (rejeitada).