Lamarana Bari, de quatro anos e com 39 quilogramas, corre risco de vida se não for tratada contra a obesidade, mas estava sorridente quando saiu de mais uma consulta em Bissau.

A mãe, Raianatu Bari, e Adama Baldé, ativista social da organização Mulher Não É Tambor, disseram à Lusa que os médicos guineenses e cubanos que têm observado a criança desde Gabu, onde a família vive, e agora Bissau, para onde foi transferida, não escondem a preocupação. “A criança corre risco de vida”, disse Adama, citando o veredicto médico.

Adama insistiu que a mãe, grávida, mudasse de Gabu para a capital Bissau, depois de ouvir dos médicos que Lamarana padece, entre outras doenças, de obesidade e má formação congénita que só pode ser tratada fora da Guiné-Bissau. Citando sempre a recomendação médica, Adama disse à Lusa que a criança, primeiro tem de ser observada por um endocrinologista — que não existe na Guiné-Bissau — e só depois vista por outros especialistas.

Mas, em mais uma consulta de rotina realizada na terça-feira em Bissau, Adama não escondeu a tristeza com que ficou após ouvir as explicações da médica que atendeu a sempre sorridente Lamarana. “O caso é tarde, mesmo que a criança venha a ser tratada corre risco de ficar com sequelas para o resto da vida, mas é possível ainda uma intervenção. Cuba, Espanha e Portugal podiam tratar a criança”, observou Baldé, citando a observação da médica cubana.

PUB • CONTINUE A LER A SEGUIR

Há quatro anos que a mãe da Lamarana tem andado de hospital em hospital entre Gabu e Bissau, na Guiné-Bissau, e entre Kindia e Conacri, na vizinha Guiné-Conacri, de onde são originários os pais. Quase em lágrimas, a mãe de Lamarana disse à Lusa que começa a ficar cansada de não encontrar uma solução para a filha.

Raianatu não sabe explicar o que a criança tem em concreto, só sabe que com quatro anos não anda, está sempre com fome e a engordar, ainda que vários médicos lhe tenham dito sempre “ser normal” a situação da filha. Raianatu nunca aceitou aquele diagnóstico.

Disse que está preocupada e que até a cadeira ortopédica que lhe foi oferecida por uma ONG espanhola há cinco meses já começa a ficar apertada para a criança, acrescentado que ficou assustada com a resposta da última consulta em Bissau. “A médica cubana disse-nos que temos de encontrar um especialista para analisar a criança, mas esse especialista não existe na Guiné-Bissau”, afirmou Raianatu Bari.

Agora não temos como encontrar esse especialista, por isso lanço o meu apelo às pessoas de boa vontade para que ajudem com esta minha filha, porque já andei muito com ela a pedir socorro. Já estou cansada. Ela cresce a cada dia. Não consigo carregar nas costas, não anda, não fala”, afirmou.

Adama conseguiu descobrir que a criança já tem um processo de Junta Médica formalizado para que possa seguir para Portugal, mas que este parou devido à pandemia provocada pelo novo coronavírus. Em nome da organização Mulher Não É Tambor, que luta contra a violência doméstica, Adama promete “mover céu e terra” para ajudar Lamarana a ir para Portugal, onde, disse, “de certeza vai continuar a ser uma criança feliz”.

Texto de Mussá Baldé, da agência Lusa