Em quatro, Abel Ferreira ganhou dois: depois de conquistar a Libertadores e a Taça de Brasil e perder a Supertaça brasileira para o Flamengo, o Palmeiras voltou a escorregar e deixou escapar a Recopa Sul-Americana, ao perder na decisão por grandes penalidades com os argentinos do Defensa Y Justicia. No final, o treinador português fez uma espécie de mea culpa.

“Do outro lado estava uma equipa de qualidade, intensa, argentina, mas podemos estar aqui a dar as desculpas que quisermos. O que fica é o resultado, é o que conta. Estivemos a pouco menos de um minuto de levantar a taça e não fomos capazes de conseguir, por um remate a 40 metros da baliza que levou ao prolongamento. Tivemos uma expulsão, estes são os fatores que determinam o desenrolar do jogo. Tivemos um penálti para sair na frente, mas o futebol é isso. E no futebol, ainda mais no Brasil, temos de encontrar culpados. E o culpado sou eu”, explicou Abel, no comentário à segunda mão desta quarta-feira, em Brasília, depois de o Palmeiras ter derrotado o Defensa Y Justicia na primeira partida em Buenos Aires (2-1).

Uma final de loucos com quatro golos, Abel expulso e dois penáltis decisivos falhados: Palmeiras perde Supertaça frente ao Flamengo

Na noite que passou, os brasileiros até inauguraram o marcador, com uma grande penalidade convertida por Raphael Veiga (23′). Os argentinos empataram ainda antes do intervalo, por intermédio de Braian Romero (30′), e levaram a decisão para prolongamento já nos descontos, com um grande golo de Marcelo Benítez (90+3′) — o tal “remate a 40 metros” que Abel referiu. Na meia-hora adicional, com ambas as equipas já reduzidas a 10 depois das expulsões de Viña e Romero, Gustavo Gómez falhou um penálti a favor do Palmeiras e deixou que o troféu fosse decidido nas grandes penalidades. Aí, o guarda-redes Weverton e Luiz Adriano falharam, contra os quatro pontapés certeiros do Defensa Y Justicia, e os argentinos levaram para casa a Recopa Sul-Americana depois de terem conquistado a Copa Sul-Americana contra o Lanús em janeiro.

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O jogo, ainda assim, ficou marcado pela confusão entre jogadores e elementos das equipas técnicas, já durante o prolongamento, na sequência da grande penalidade que Gómez acabou por falhar: Rony caiu na grande área do Defensa Y Justicia, depois de uma falta do guarda-redes Unsain, e o árbitro assinalou penálti depois de ser alertado pelo VAR. Num lance que poderia ter decidido o destino do troféu, o caos instalou-se durante vários minutos já para lá da linha lateral, junto aos bancos de suplentes, e até no túnel de acesso aos balneários. No final do episódio, o preparador físico do Palmeiras, assim como um adjunto e o diretor para o futebol, acabaram expulsos.

Agora, já no próximo sábado, o Palmeiras recebe o São Paulo em jogo a contar para o Campeonato Paulista — e onde a equipa de Abel Ferreira terá de reagir às dois recentes desaires, com o Flamengo na Supertaça brasileira e agora com o Defensa Y Justicia na Recopa. “Vai ser um desafio. Foram dois jogos que perdemos nos penáltis, com tudo para ganhar durante o tempo normal. Temos que aguentar a dor, não há outra forma, temos de sofrer, que é o que eu sinto agora. Para perder é preciso chegar aqui. Esta equipa ganhou o Paulista, não comigo, perdeu um Brasileirão porque era impossível com o calendário que tínhamos, ganhou a Libertados porque fomos à final, perdeu o Mundial porque fomos à final, perdemos a Supercopa porque fomos à final e perdemos a Recopa porque fomos à final. Vai ser um ano duro, mas é aguentar, suportar e seguir em frente”, atirou o técnico português.