Uma bomba nunca vem só: apenas umas horas depois de ter sido confirmado como um dos 12 clubes dissidentes que avançaram para a criação de uma Superliga europeia, o Tottenham decidiu despedir de imediato o treinador José Mourinho. A notícia começou por ser avançada pela imprensa inglesa, no seguimento de mais um empate cedido na Premier League frente ao Everton, e a menos de uma semana da final da Taça da Liga frente ao Manchester City que era há muito apontada pelo português como a hipótese para quebrar o jejum de títulos, sendo entretanto confirmada pelo clube através de um comunicado que deu conta da rescisão.

Depois de ter chegado a liderar a Premier League a par do Liverpool em dezembro, o Tottenham sofreu uma queda a pique a partir da derrota em casa com o Liverpool no final de janeiro, com uma série de cinco desaires em seis encontros que afastou a equipa dos lugares europeus antes de uma recuperação que voltou a quebrar no seguimento de dois empates e uma derrota com Newcastle, Manchester United e Everton. Nesta altura, os spurs estão a quatro pontos do quinto lugar, que garante acesso direto à Liga Europa, e a cinco da quarta posição, última com acesso à Champions – uma conta que, com a Superliga europeia, deixaria de existir.

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Em paralelo, o Tottenham foi eliminado da Taça de Inglaterra pelo Everton e caiu de forma surpreendente nos oitavos da Liga Europa, perdendo por 3-0 na Croácia frente ao Dínamo Zagreb depois de ter ganho a primeira mão em casa por 2-0. Assim, a grande conquista acabou por ser a chegada à final da Taça da Liga, marcada para este domingo frente ao Manchester City, que poderia quebrar o jejum de títulos que perdura desde 2008.

“José [Mourinho] e a sua equipa técnica estiveram connosco em alguns dos momentos mais desafiantes do clube. O José é um verdadeiro profissional que demonstrou enorme resiliência durante a pandemia. A nível pessoal, gostei de trabalhar com ele e lamento que as coisas não tivessem acontecido. Não funcionou como ambos tínhamos imaginado. Ele será sempre bem-vindo aqui e gostaríamos de agradecer-lhe a ele e à sua comissão técnica pela sua contribuição”, destacou Daniel Levy, presidente do Tottenham, após o anúncio oficial da saída do treinador português. O antigo internacional Ryan Mason, que estava nesta fase nas camadas jovens do clube, foi indicado como treinador interino dos spurs e deverá comandar a equipa na final da Taça da Liga.

Esta é a quarta vez que José Mourinho não cumpre até ao final o contrato com uma equipa da Premier League, por norma mais “pacientes” com os treinadores: saiu em 2007 do Chelsea, voltou a ser despedido na segunda passagem por Stamford Bridge em 2015 e chegou também a acordo com a revogação do vínculo que tinha com o Manchester United em 2018. O português esteve cerca de um ano e meio no Tottenham antes da rescisão, entrando em novembro de 2019 para o lugar de Mauricio Pochettino sem alcançar objetivos como a entrada na Liga dos Campeões de 2020/21 ou a conquista de troféus (sendo que teria este domingo essa possibilidade).