A ex-eurodeputada Ana Gomes, que sempre defendeu Rui Pinto, vai testemunhar na quarta-feira no âmbito do processo do criador da plataforma Football Leaks, de acordo com o agendamento anunciado esta quinta-feira, no final da 40.ª sessão.

Além de Ana Gomes, que se junta a uma lista de figuras públicas que tem testemunhado a favor de Rui Pinto, deverá também ser ouvido na mesma sessão Luís Neves, diretor nacional da Polícia Judiciária (PJ).

Na sessão de tarde desta quinta-feira, Francisco Rente, antigo sócio-gerente da Dognaedis, confirmou que a sua empresa foi contratada pela Doyen Sports Investements para “análises forenses no âmbito de um ataque informático”, admitindo que não houve nenhuma conclusão concreta.

O objetivo era identificar como aconteceu o roubo de informação confidencial que tinha sido publicado no blog ligado ao Football Leaks. Identificar a origem e quem o fez”, referiu.

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Francisco Rente admitiu ter “fornecido elementos à Polícia Judiciária” e a uma outra empresa do setor contratada, mais tarde, para uma investigação mais abrangente.

O engenheiro informático referiu que a investigação feita pela Dognaedis não permitiu chegar a uma conclusão concreta, admitindo: “Tenho ideia de que era para nós claro que seria um ataque externo, o ‘modus operandi’ não é o habitual para uma ação de dentro da empresa“.

A testemunha referiu que numa segunda fase a sua empresa ficou encarregada de trabalhar na área da proteção informática, acrescentando: “Pelo que percebi, o segredo era muito importante para a capacidade competitiva do negócio”.

Na lista de testemunhas arroladas por Rui Pinto figura Edward Snowden, antigo administrador de sistemas da Agência de Segurança Nacional (CIA) dos Estados Unidos, que revelou, em 2013, informações confidenciais e programas ilegais de espionagem, cuja audição, ainda está, segundo o advogado de Rui Pinto, a ser analisada.

Ainda na próxima quarta-feira, à tarde, será ouvido Philippe Renz, um advogado suíco, e Antoine Deltour, o denunciante francês do caso Luxleaks.

Deltour tem uma história semelhante à de Rui Pinto: O francês trabalhou na PricewaterhouseCoopers (PwC) e descobriu, depois de ter deixado a empresa, uma série de documentos que mostravam acordos fiscais secretos entre o Governo luxemburguês e 340 multinacionais que conseguiam fugir ao pagamento de impostos no valor de vários milhões de euros. Deltour também teve problemas com as autoridades e chegou a ser condenado (em primeira instância) a uma pena de 12 meses de cadeia pelos crimes de violação do segredo comercial e roubo. Mais tarde, em 2018, o Supremo Tribunal do Luxemburgo deu-lhe o estatuto de denunciante e e colocou-o em liberdade.

Na quinta-feira será a vez de Rui Santos e Paulo de Morais testemunharem em tribunal, além de John Christensen, diretor da Tax Justice Network (rede de justiça fiscal) britânica.

Rui Pinto, de 32 anos, responde por um total de 90 crimes: 68 de acesso indevido, 14 de violação de correspondência, seis de acesso ilegítimo, visando entidades como o Sporting, a Doyen, a sociedade de advogados PLMJ, a Federação Portuguesa de Futebol (FPF) e a Procuradoria-Geral da República (PGR), e ainda por sabotagem informática à SAD do Sporting e por extorsão, na forma tentada. Este último crime diz respeito à Doyen e foi o que levou também à pronúncia do advogado Aníbal Pinto.

O criador do Football Leaks encontra-se em liberdade desde 7 de agosto, “devido à sua colaboração” com a Polícia Judiciária (PJ) e ao seu “sentido crítico“, mas está, por questões de segurança, inserido no programa de proteção de testemunhas em local não revelado e sob proteção policial.

Notícia atualizada às 16h16 de 7 de maio, com informação de mais testemunhas