Marco Franco percebeu-o há algum tempo: quando já se tem uma longa carreira musical, é sempre possível dizer que o piano é algo novo. Antes do piano, foi baterista (e também é artista visual) numa série de projetos. Há cerca de seis anos resolveu aprender, estudar e explorar o piano. Mudra foi o seu primeiro álbum a solo e podemos ouvir o seu piano em Montanhas Azuis (com Norberto Lobo e Bruno Pernadas) ou no projeto que tem com Joana Gama e Tiago Sousa. Arcos, lançado esta sexta-feira digitalmente pela Revolve, é um álbum que tem tanto de delicado como de preocupação obsessiva com o som.

Essa obsessão – saudável, diga-se – coloca o ouvinte ao lado de Marco Franco e do piano vertical que usou para gravar Arcos. Absolutamente sereno ao longo dos seus 33 minutos, separados por oito temas, seis deles originais e duas reinterpretações, uma de “Anecóica”, de Norberto Lobo, e outra de “Coração Pneumático”, de Mikado Lab, onde Marco Franco toca.

Falámos com o músico há uns dias sobre o processo de gravação de um álbum que esteve para ser outro e cuja criação reflete as incertezas e as dúvidas de um artista ao longo do último ano. A dado momento na entrevista, Marco Franco diz que “gostaria de fazer música à qual ainda não chegou.” Mais do que ambição, é uma reflexão pura sobre o estado constante de procurar replicar o que lhe vai na alma e na cabeça. Todos pensamos no que não podemos alcançar, mas alguns, poucos, chegam lá e executam.

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