“Não sei o que se passou mas aquilo para mim não é pontuação. Foi bem claro que eu não caí. Infelizmente, o árbitro quis decidir o combate assim, pela sua livre vontade. Saio daqui com a maior frustração porque trabalhei bastante para esta competição. O objetivo era ganhar e tenho tudo para ganhar esta competição. Tenho um grande sonho e sinto que pequenos erros custam muito caro. Sou campeão do mundo e vou continuar a sê-lo. Infelizmente, o árbitro lixou-me o dia, que não correu da melhor forma possível, mas errei como todos os seres humanos. Só vivo de glória, não vivo de quintos e sétimos lugares. Para mim, não me faz efeitos secundários nenhuns. Isso não é a minha pessoa, não é para isso que eu treino. Hoje, não consegui viver a glória, estou desiludido comigo mesmo, mas agora vou trabalhar para os próximos grandes objetivos”. Jorge Fonseca, 18 de abril de 2021.

O judoca português tinha conseguido a maior conquista da carreira em 2019 e logo na terra do judo, Tóquio, ao sagrar-se pela primeira campeão mundial. Depois, no ano passado, foi vice-campeão europeu. E tinha uma meta muito clara no Campeonato da Europa em Lisboa, há dois meses: ganhar também a medalha no seu país, uma espécie de rampa de lançamento para atacar o sonho olímpico no verão, no Japão. Não conseguiu. Mas nem por isso foi abaixo, desistiu ou virou a cara ao que se seguia. E foi isso que demonstrou esta manhã em Budapeste.

Com combates ainda mais dominadores, que permitiram ir superando fases até à meia-final, Jorge Fonseca teve uma exibição imaculada até encontrar Michael Korrel, holandês que é um dos judocas com mais histórico com o português e que foi também vergado por ippon pelo atleta nacional. Seguia-se na final o sérvio sérvio Aleksandar Kukolj, judoca com menor ranking mas que foi a surpresa do dia, para o triunfo decisivo na competição.

Minutos depois da conquista do bicampeonato mundial “a ficha ainda não tinha caído” ao treinador de Jorge Fonseca. Em declarações à Rádio Observador, Pedro Soares destaca o feito do judoca português – “o primeiro bicampeão do mundo num desporto olímpico em Portugal” -, mas também a prova “imaculada” do atleta do Sporting. “Ele, à semelhança do que aconteceu em 2019, sagra-se campeão sem cair, sem sofrer uma vantagem. Ser campeão do mundo já é um feito brilhante; ser campeão sem ir ao chão é irrepreensível”.

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Uma prova que, para Pedro Soares, não surpreende quem segue o trabalho do agora bicampeão mundial. “O Jorge está talhado para as grandes vitórias e hoje ficou provado que ele consegue superar-se com a dimensão das competições. Esta é a maior que há, à exceção dos Jogos Olímpicos, e ele esteve à altura”, elogia o treinador que orienta a equipa dos leões desde 2007.

Mas com mais um título mundial garantido, ainda não é tempo de “celebrações”: os Jogos Olímpicos estão a uma “curta distância” e as “contas” só se fazem depois de Tóquio. Pedro Soares garante que o foco já é outro e as preparações começam já a partir da próxima semana com o objetivo de voltar a subir ao pódio. “Amanhã apanhamos o avião de regresso a Lisboa, às 9h00, e a partir de segunda-feira começamos a trabalhar para os Jogos Olímpicos. No final fazemos as contas. Mas nós queremos mais, e o mais é uma medalha nos Jogos”, afirma o técnico.