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Cinco anos de desenvolvimento por parte dos holandeses da Lightyear culminaram num teste, realizado em Junho na Alemanha, onde um protótipo de validação do One percorreu 710 km com uma só carga de bateria, cuja capacidade é de 60 kWh, fazendo um consumo médio de 85 Wh/km a uma velocidade de 85 km/h. Sabe-se agora que o veículo vai passar à produção em série no próximo ano, graças a um acordo estabelecido com os finlandeses da Valmet Automotive, conforme informa a Lightyear.

O Lightyear One vai funcionar como o porta-estandarte da companhia, uma espécie de montra tecnológica que visa a máxima eficiência e provar que, afinal, é possível conduzir um veículo eléctrico com uma autonomia acima da média, sem o drama ou a ansiedade de encontrar um posto de carga. Isto porque, e aqui reside o principal factor diferenciador do One, o “truque” para registar um consumo de “passarinho” passa não só por limitar a velocidade, mas sobretudo pelas células fotovoltaicas, distribuídas pelo capot e pelo tejadilho. É esta superfície receptora de energia solar que é capaz de gerar 3,45 kWh e “estender” em até 40 km a autonomia do sedan, o qual deverá anunciar 725 km em WLTP.

Segundo a empresa, a produção do One será limitada a 946 exemplares, prevendo-se que o livro de encomendas abra antes do final do ano, pois já é possível fazer pré-reservas nos Países Baixos e na Alemanha, onde o preço apontado é de 149.000€.

O número de unidades tem não uma, mas sim duas explicações. A primeira é que um ano-luz corresponde a 9,46 triliões de quilómetros, a segunda é que a empresa gostaria de colocar na estrada veículos que percorressem esses tais 9,46 triliões de quilómetros alimentados exclusivamente por energia solar, até 2035. Parece-nos demasiado optimista ou, melhor, uma meta praticamente inalcançável, a não ser que a Lightyear se converta num gigante da indústria… Há que ter presente que, nesta fase, a empresa nem sequer dispõe de fábrica e daí a necessidade de firmar acordo com a Valmet Automotive para o One poder avançar. Por outro lado, é de recordar que os fundadores da Lightyear sempre disseram que o dinheiro arrecadado com a venda do One seria para investir na companhia, pois a meta é democratizar a tecnologia e tornar este tipo de proposta mais acessível – longe, portanto, dos quase 150.000€ exigidos pelo One.

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A Autoevolution adianta que tal esse tal eléctrico mais barato e destinado à produção em larga escala está programado para 2024, sendo expectável que, antes disso, a empresa revele um concept.

O One vê os 136 cv dos motores eléctricos limitados ao alcance de 150 km/h de velocidade máxima, sendo que o acumulador pode ser recarregado em 3h15 (de 0 a 575 km a 22 kW em AC) ou em 44 minutos (de 58 a 460 km numa ligação de 75 kW em corrente contínua). Mais dados técnicos aqui.