Assim que o derradeiro apito soou no Maracanã na final da Copa América no passado mês de julho, depressa se percebeu que todos os jogadores argentinos tinham noção de que tinham conquistado algo para o país, algo para a seleção, algo para as cores que carregam nas camisolas mas que, e talvez até principalmente, também tinham conquistado algo para Lionel Messi. Quando ficou confirmado que a Argentina havia vencido o Brasil e carimbado o primeiro troféu em 28 anos, os jogadores correram para o capitão, abraçaram-no, elevaram-no e gritaram o seu nome. Tal como a Argentina, Messi tinha finalmente conseguido.

Passaram cerca de dois meses desde a Copa América. Dois meses que, para Messi, foram uma autêntica montanha-russa. De ter a renovação praticamente acertada com o Barcelona, o jogador argentino passou a não ter espaço orçamental nos catalães e mudou-se para o PSG, transferindo-se pela primeira vez enquanto profissional. Ainda assim, a conquista da Copa América continua a ser o grande destaque do verão de Messi, que confessou que no segundo em que o apito final soou nem sequer conseguiu acreditar no que tinha acabado de acontecer.

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“Quando ganhámos, não conseguia acreditar. Sonhava tanto com aquilo que nem sequer percebia o que estava a acontecer. Sinceramente, desfruto mais agora quando vejo as imagens do que naquele momento em que estava perdido e paralisado. Saber que não somos os melhores do mundo é um ponto de viragem para nós. Agora queremos usar este impulso para concluir o crescimento como equipa”, disse o agora avançado do PSG em entrevista à ESPN.

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Na mesma conversa, Messi também revelou que, pela primeira vez na carreira, conseguiu ter umas férias completamente tranquilas num ano de Campeonato do Mundo ou Copa América. “Finalmente tive umas férias felizes desde o primeiro ao último dia. Acabava sempre por não conseguir o objetivo e os primeiros 15 dias eram amargos, sem vontade de fazer nada”, explicou, recordando as desilusões das finais perdidas no Mundial 2014 e também na Copa América 2007, 2015 e 2016. “Houve uma parte da imprensa que me tratou como um fracasso e como se eu não sentisse a camisola. Temos de começar por reconhecer que não somos os melhores do mundo. Não éramos os piores antes e não somos os melhores agora”, acrescentou.

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Sobre Lionel Scaloni, o selecionador que acabou com o jejum de títulos da Argentina, Messi só tem elogios. “Ele tem muito mérito por tudo isto. Foi ele que agarrou a seleção num momento complicado, que acreditou nela e que, a pouco e pouco, a organizou. Ele sempre soube o que queria. Confiou nos jogadores, em gente nova, nos jovens, sempre soube o que queria. Fomos crescendo pouco a pouco. Deu-se um salto desde a Copa América 2019 [a Argentina não chegou à final e ficou pelo terceiro lugar], começámos a crescer como seleção. Todo o trabalho é dele e da equipa técnica, deram confiança aos rapazes para fazerem o que fizeram”, defendeu o jogador, salientando a importância do argentino de apenas 43 anos cujo primeiro cargo enquanto treinador principal foi logo como selecionador do país sul-americano.