14′, 64′, 88′. Lionel Messi marcou os três golos da vitória da Argentina perante a Bolívia, numa partida a contar para a qualificação para o Mundial 2022, e somou mais um registo histórico: com este hat-trick, chegou aos 79 golos com a seleção e tornou-se o melhor marcador de sempre das seleções sul-americanas, superando o recorde de Pelé, 77, que durava desde 1971.

Mas a partida contra a Bolívia trouxe mais ao agora jogador do PSG do que um hat-trick e um recorde. Anteriormente interpretado como um capitão frio, um líder desapegado e um símbolo que parecia não querer esse estatuto, Messi amadureceu com a idade e soltou todas as emoções: depois da alegria explosiva que demonstrou com a conquista da Copa América, o jogador beijou apaixonadamente o símbolo da Federação Argentina de Futebol depois de marcar um dos golos contra os bolivianos e emocionou-se no reencontro com os adeptos do país. No regresso do público aos jogos da seleção, na Argentina, Messi mostrou pela primeira vez o troféu da Copa América aos compatriotas, em território argentino, e chorou durante largos minutos.

“Tinha muita vontade de poder celebrar esta conquista. Esperei muito tempo por isto, procurei e sonhei. É um momento único pela maneira como aconteceu, depois de esperar tanto. Não havia melhor maneira de poder celebrar do que estar aqui. A minha mãe está aqui, os meus irmãos estão na bancada. Eles sofreram muito e hoje estão a comemorar. Estou muito feliz”, disse Messi já após o apito final, ainda no relvado do Monumental de Buenos Aires, numa flash interview onde também não conseguiu evitar a emoção.

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Num encontro onde os adeptos argentinos cantaram e gritaram o nome de Maradona à passagem do minuto 10, as ovações finais ficaram reservadas para Di María, o autor do golo que deu a conquista da Copa América, e Lionel Messi — que ouviu os cânticos entoados não só pelo público nas bancadas como também pelos próprios colegas de equipa.

De recordar que, também esta semana, o jogador do PSG deu uma entrevista à ESPN onde falou sobre as desilusões nas três finais da Copa América que perdeu e também na final do Mundial 2014. “Finalmente tive umas férias felizes desde o primeiro ao último dia. Acabava sempre por não conseguir o objetivo e os primeiros 15 dias eram amargos, sem vontade de fazer nada (…) Houve uma parte da imprensa que me tratou como um fracasso e como se eu não sentisse a camisola. Temos de começar por reconhecer que não somos os melhores do mundo. Não éramos os piores antes e não somos os melhores agora”, atirou Messi.

“Trataram-me como um fracasso, como se não sentisse a camisola”. Ainda na euforia da Copa América, Messi não tem papas na língua