Ponto 1: esta equipa do Sporting, embora seja campeã nacional, nunca tinha sido testada a este nível. Ponto 2: esta equipa do Sporting, embora enfrente Seferovic, Darwin, Taremi ou Toni Martínez, nunca tinha defrontado um avançado como Sébastien Haller. Ponto 3: esta equipa do Sporting, embora tenha Adán, Feddal e Neto, tinha cinco jogadores com menos de 25 anos no onze inicial. Se tudo isto justifica tudo o que aconteceu esta quarta-feira em Alvalade? Não. Mas é o primeiro passo para começar a perceber.

A música foi outra e o maestro apareceu sozinho sem orquestra para dirigir (a crónica do Ajax-Sporting)

O Sporting sofreu uma goleada pesada no regresso à Liga dos Campeões e terá agora de se reerguer não só para ainda lutar por alguma coisa no Grupo C da competição europeia como também para não deixar que a Primeira Liga seja afetada pela desilusão contra o Ajax. A entrada macia e quase irresponsável da equipa de Rúben Amorim na partida, que permitiu dois golos em nove minutos, abriu a porta a um jogo de sofrimento e frustração em que tudo poderia ter sido ligeiramente difícil se o segundo golo de Paulinho, no início da segunda parte, tivesse sido validado.

A título particular, Rúben Amorim nunca tinha sofrido tantos golos desde que é treinador do Sporting e sofreu mais golos de Haller do que de várias equipas portuguesas. A título coletivo, esta foi apenas a segunda vez que o Sporting sofreu cinco golos em casa para as competições europeias e há 12 anos que os leões não perdiam por quatro ou mais golos nas provas da UEFA. Na flash interview da Eleven Sports, depois do apito final, o treinador leonino resignou-se à derrota.

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“O Ajax foi melhor, entrou melhor, tivemos que correr atrás do resultado e pressionar na frente. Notou-se inexperiência aqui e ali, a equipa reagiu, faz parte do coração dela. Reage, nem sempre bem, em todos os momentos. O golo anulado tornaria o jogo completamente diferente. Depois de sofrer o quarto golo, o jogo acabou a partir daí. Os meus jogadores estiveram a sofrer em campo e eu sofro por eles”, começou por dizer Amorim, que acrescentou que a equipa sabia “o que fazer”. “O Ajax é muito experiente como equipa a jogar na Europa. Nós não temos assim tanta experiência. Sentimos o primeiro e o segundo golo, tivemos jogadores nervosos, o que é normal, mas reagiram”, atirou.

Sobre as conclusões que podem ser retiradas desta goleada, Rúben Amorim reconheceu que a equipa tem de “aprender com esta derrota” mas “principalmente o treinador”. “Temos de olhar para o jogo e perceber o que fizemos mal. A equipa tem muito coração, os jogadores sofreram muito no campo, tenho orgulho neles, com um resultado muito pesado e lutaram até ao fim. Assim, têm o treinador ao lado deles. Gosto de dizer, nesta alturas, que tenho muito orgulho neles”, terminou.

Já Paulinho, que se estreou a marcar na Liga dos Campeões, garantiu que o golo “acaba por não saber a nada”. “Temos de ter frieza e deixar o resultado de lado para perceber que perdemos apenas três pontos, perceber o que fizemos bem e menos bem. Não mais do que isso. Na época passada, o Sporting foi eliminado por números assim [contra o LASK] e reagiu. É o que vamos fazer no domingo”, explicou o avançado, apontando desde logo à visita ao Estoril no fim de semana.