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O advogado de cibersegurança, alegado conselheiro da campanha de Hillary Clinton em 2016, foi indiciado por mentir ao FBI na investigação da ligação entre a Rússia e a campanha presencial de Donald Trump no mesmo ano, noticiou a Reuters.

Michael Sussmann foi acusado de prestar declarações falsas a 19 de setembro de 2016, durante uma audição com o James Baker, do Departamento de Justiça, enquanto representante legal do FBI. Na altura, Sussmann terá dito que não representava qualquer cliente quando apresentou alegadas provas da ligação entre um banco russo e a campanha de Trump.

Mais tarde, em 2017, o advogado disse que representava um especialista em cibersegurança. É esta alegada diferença de testemunhos que estará na origem da acusação. Isso e o facto de as horas dedicadas a analisarem a ligação do banco russo terem, alegadamente, sido faturadas em nome da campanha da candidata democrata, segundo o jornal New York Times.

Os advogados que representam Michael Sussmann dizem que as alegações são falsas e baseadas numa “declaração, alegadamente feita há cinco anos, a uma única testemunha e que não foi gravada nem vista por mais ninguém”.

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A investigação e relatório do procurador especial Robert Mueller não encontrou prova sobre o alegado conluio entre Trump e a Rússia, mas documentou os esforços de Moscovo para interferir na campanha de 2016 e a disposição por parte de pessoas próximas de Trump em aceitar a ajuda russa.

Mais tarde, o procurador William Barr delegou no procurador John Durham a análise às origens da investigação à alegada conspiração entre Donald Trump e a Rússia nas eleições presidenciais de 2016. O objetivo era encontrar falhas na atuação do FBI e outras agências estatais, esclareceu o jornal The Washingthon Post.

Em dois anos no cargo, e com uma continuidade permitida por Joe Biden, esta é apenas a segunda acusação de John Durham. Primeiro, o antigo advogado do FBI, Kevin Clinesmith, que admitiu ter adulterado um e-mail quando se preparavam para pedir a renovação das escutas a um ex-assessor de campanha de Trump. Durham pediu que fosse condenado a vários meses de prisão, mas o tribunal decidiu que a pena de Clinesmith seria um ano de pena suspensa e 400 horas de serviço comunitário, noticiou o The New York Times em janeiro deste ano.

Da continuação da análise à atuação das agências estatais resultou, agora, a acusação a Michael Sussmann — mas não de nenhum dos alegados clientes. A acusação, porém, em vez de expor falhas do FBI (como se esperava que fizesse) acaba por dizer que a agência foi vítima de um crime e forçada a gastar recursos em evidências que se mostraram inúteis, analisou o jornal The Washingthon Post.

“Se isso é tudo que Durham tem, dá a sensação de estar a tentar justificar sua existência nos últimos dois anos”, disse Randall Eliason, um ex-promotor federal especializado em casos de corrupção, ao jornal norte-americano.