A historiadora Teresa Alarcão, investigadora pioneira na área dos têxteis, que foi conservadora do Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA), morreu na quarta-feira, em Lisboa, informou esta sexta-feira a instituição.

“O Museu Nacional de Arte Antiga comunica com profunda tristeza o falecimento de Teresa Alarcão”, lê-se na mensagem divulgada pelo museu, que recorda o papel “pioneiro e fulcral” da investigadora, na área da conservação de têxteis, patente em novas normas de inventário e em publicações dedicadas à produção de tecidos nos anos de 1500 e de 1600.

Nascida em Coimbra, em 1935, Teresa Alarcão era licenciada em Ciências Histórico-Filosóficas, fez o Curso Intensivo para Conservador de Museu e entrou no Museu Nacional do Traje em 1978, dois anos após a criação desta instituição, onde permaneceu até 1981.

A colaboração com o MNAA teve início nesse ano, na coleção de Escultura, com o museólogo Sérgio Guimarães de Andrade.

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Em 1982, transferida a título definitivo para o MNAA, assumiu as funções de conservadora da Coleção de Têxteis, e aqui “realizou uma investigação pioneira e fulcral no domínio dos Tecidos e dos Paramentos Bordados”, como recorda o museu, tendo contribuído para a consolidação da sua identidade patrimonial, desde então afirmada.

A coleção de têxteis do MNAA é composta por cerca de 4600 peças, reunidas ao longo de mais de 180 anos, provenientes em particular de ordens religiosas, extintas em 1834, e da aplicação da Lei da Separação do Estado das Igrejas, de 1911, mas continuamente enriquecida durante o século XX, contando com exemplares que remontam aos séculos XIV/XV, e se estendem por mais de 400 anos, indo de paramentos litúrgicos a históricas tapeçarias das principais oficinas europeias.

O trabalho de Teresa Alarcão traduz-se em obras como “Normas de Inventário – Têxteis”, em parceria com Teresa Pacheco Pereira, que veio constituir uma ferramenta de apoio à informatização dos inventários, no roteiro dedicado ao Museu de Lamego e, sobretudo, na investigação “Imagens em Paramentos Bordados dos Séculos XIV a XVI”, publicada pelo antigo Instituto Português de Museus.

O seu nome está também associado a publicações conjuntas com outros investigadores, como o guia dedicado ao Museu de Alberto Sampaio e o trabalho sobre “Têxteis – Artes plásticas e artes decorativas”.

“Todos os que privaram com Teresa Alarcão recordam a sua permanente curiosidade, o imenso entusiasmo que demonstrava por novas peças ou por novas descobertas, mesmo quando estas se revelavam em pequenos fragmentos de tecido, e sempre a genuína amizade e generosidade com que partilhava esse conhecimento e o eterno carinho que teve pelo MNAA”, recorda a equipa do museu.

“A sua ternura, o seu sorriso e o seu exemplo ficarão para sempre connosco”, conclui a mensagem do MNAA.