O fato que Rui Costa veste no Benfica mudou em outubro de 2020, quando além de ser administrador da SAD passou a ser vice-presidente do clube como número 2 da Direção dos encarnados. Tinha sido jogador, tinha sido treinador, só não tinha sido treinador porque nunca assumiu esse gosto (embora já tivesse sido sem ser no papel pela forma como comandava as equipas em campo), subiu à sociedade que gere o futebol, passou a ter também incumbências diretivas. Só lhe faltava ser presidente, uma posição que era há muito vaticinada como algo inevitável. Assim foi. O caminho até lá, esse, dificilmente poderia ser antevisto.

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Numa semana, Rui Costa estava em Milão com Rui Pedro Braz e e o agente Federico Pastorello para fechar as negociações com o Inter a contratação de João Mário (que curiosamente nem seria feita pelos moldes que foram então discutidos, havendo ao invés a rescisão do jogador com os italianos e não uma compra); na outra, assumia a liderança do clube de forma interina na sequência da operação Cartão Vermelho que levou à detenção preventiva de Luís Filipe Vieira. No entanto, e por forma a esvaziar a pressão que se criava, teve uma curta intervenção pública no relvado do Estádio da Luz e anunciou em comunicado, a par dos restantes dirigentes, que em setembro todos os órgãos sociais iriam apresentar a demissão em bloco.

Todos os objetivos que estavam assentes nessa decisão foram concretizados: montar um bom plantel até ao fecho do mercado, garantir a qualificação para a Liga dos Campeões, fechar também as equipas das outras modalidades, terminar o empréstimo obrigacionista, conseguir um damage control a nível de marca junto dos principais parceiros, travar o negócio preparado que iria permitir a compra por parte de John Textor de 25% da SAD. Houve outras situações que foram aparecendo, como o recente anúncio de intenção de venda de 3,28% do capital social por parte de Luís Filipe Vieira que motivou as primeiras críticas entrelinhas ao ex-líder, mas a demissão em bloco surgiu na mesma semana do fecho do mercado.

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Até às eleições, Rui Costa teria apenas um momento de maior contacto com os sócios, na última Assembleia Geral Extraordinária para discussão de alguns pontos relativos ao sufrágio de 9 de outubro, e foi aí que teve uma espécie de primeiro discurso de anúncio da candidatura à presidência dos encarnados com uma frase dita no Pavilhão da Luz que promete repetir mais vezes. “Nunca quis nem serei um príncipe herdeiro de nada”, referiu no discurso feito já na parte final da noite, onde acrescentou ainda que poderiam dizer que tinha ou não capacidade mas que não se poderia colocar em causa o seu benfiquismo.

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“Alguma coisa tem de mudar. Depois das eleições não quero mais contestação, que haja estabilidade no clube. Pela minha parte e da minha Direção não temos qualquer oposição a que o voto seja físico nas próximas eleições para os órgãos sociais. E que quem estiver nesta posição que consiga dar ao Benfica tudo o que o clube merece. Com o apoio de todos em prol da pessoa que cá estiver. Da minha parte, não quero que isto volte a acontecer”, atirou ainda a propósito da contestação e dos momentos de maior tensão que se viveram na reunião magna. Esta terça-feira, longe do Estádio da Luz num unidade hoteleira de Lisboa, Rui Costa iria apresentar oficialmente a candidatura com as mesmas ideias já antes deixadas.

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Com o lema “Por todos. Com todos. Benfica”, Rui Costa chegou bem antes da hora marcada à unidade hoteleira e foi pontual na chegada à sala já devidamente preparada. “É com o Benfica no coração que estou aqui a anunciar que sou candidato à presidência do Benfica nas eleições marcadas para 9 de outubro. São muitas as razões que me levam a dar este passo. Não será surpresa para ninguém se disser que respiro Benfica desde que nasci, faz amanhã 30 anos, exatamente 30 anos, desde o meu primeiro jogo oficial com a camisola do Benfica. Um dia que nunca esquecerei. Foi no Benfica que me fiz homem, foi o Benfica que me projetou para o mundo, foi no Benfica que vivi das maiores emoções da minha vida. Este é um dos momentos mais desafiantes da história do Benfica. O clube precisa de todos os benfiquistas e eu jamais poderia deixar de responder a esta chamada”, começou por dizer o líder interino dois encarnados.

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“É tempo de responsabilidade, de união e de afirmação de um sentido futuro. Apresento-me a eleições com a ambição de reconduzir o Benfica ao caminho da glória, fazendo-o com o propósito de unir todos aqueles que amam o clube como eu. Apresento-me orgulhoso da nossa história e convicto de que todos juntos iremos construir um futuro ainda mais radioso. Comprometo-me a dedicar toda a energia e sabedoria para iniciar um novo ciclo de vitórias. Uma missão que assumo consciente da superior e singular dimensão do Benfica no plano institucional, social, económico e desportivo, tanto em Portugal como no mundo. Vencer é sempre a minha maior exigência, a mesma que senti sempre que usei o nosso manto sagrado. Trabalho, rigor, clareza e proximidade com os sócios e com todos os nossos adeptos vão ser os meus principais objetivos”, concluiu, deixando para mais tarde a apresentação do programa e das listas.