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André Ventura despiu o blazer, tirou a gravata e vestiu um colete amarelo para subir da Assembleia da República até à rua da residência oficial do primeiro-ministro, onde se juntou à manifestação do Chega para dizer que é preciso iniciar em Portugal um “movimento de contestação social” contra o “estado a que Portugal está a chegar”, nomeadamente no que toca ao preço dos combustíveis.

Em algumas das faixas presentes na manifestação que juntou cerca de 100 pessoas podia ler-se “roubo” associado ao preço do gasóleo e da gasolina, “ladrão” em cartazes com a foto de António Costa e havia ainda faixas alusivas ao “mar de corrupção” com foto de José Sócrates e Armando Vara.

Os coletes não têm de ser amarelos, “podem ser verdes, laranjas, roxos ou pretos”, diz o presidente do Chega, que afasta a simbologia do movimento dos coletes amarelos que se iniciou em França para assegurar que o partido quer iniciar um “movimento distinto”. O que os apoiantes e militantes traziam vestido, acrescenta, é apenas uma “simbologia”.

E é como um símbolo da rua que Ventura quer continuar a percorrer o país com a realização de mais manifestações ao longo dos próximos meses e por todo o país. O líder do partido considera que está na altura de “mostrar que a rua não é só da esquerda”, mas está disposto a usar aquilo que os partidos de esquerda representaram no passado.

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“Se o PCP e o BE estão acobardados perante António Costa, nós não estamos, vamos sair à rua em todo o lado”, garantiu, acrescentando mais uma promessa: “Nós seremos os substitutos dos antigos sindicatos e daquilo que eram o BE e o PCP, seremos os seus substitutos nas ruas porque representamos aquilo que esses partidos um dia representaram e depois se esqueceram.”

Questionado sobre a solução apresentada por António Costa para que a devolução do IVA a mais nos combustíveis seja avaliada semanalmente, André Ventura está certo de que “não resolve nada” e compara-a com outras. “Resolve tanto como resolveu o IVAucher, como a medida que ia controlar a margem de lucro dos revendedores… O Governo tem de se convencer que tem de baixar a carga fiscal sobre os impostos, temos uma das maiores cargas fiscais do mundo em matéria de impostos sobre os combustíveis”, apontou.

Desta forma, a “única solução” que o Chega acredita ser “justa equitativa e racional” é a descida dos impostos. Apesar de ser o próprio André Ventura a notar que podia haver uma “colisão com uma política de natureza ambiental ou ecológica que o Governo tenha”, realçou também que os impostos existentes já são “astronomicamente elevados” e que “não se pode colocar sobre a classe média trabalhadora um custo brutal que são os combustíveis”.

“O que faz sentido é baixar os impostos sobre os combustíveis em vez de estarmos a criar artimanhas dia após dia”, ao admitir que a própria proposta do partido de tabelar os preços é “muito pior e menos adequada” do que baixar a carga fiscal.

Para o Chega, o Governo “não baixa [os impostos dos combustíveis] porque para se dar no IRS alguma coisa dizendo que se está a baixar alguma carga fiscal tinha de se ir buscar a algum lado, e por isso teve de se ir buscar aos combustíveis”. “É o que está a acontecer neste orçamento, estão a tirar de um lado para compensar o que estão a dar no outro”, realçou, frisando que “baixar um cêntimo por litro é gozar com as pessoas”.

Apesar do tema dos combustíveis ter sido o protagonista, a manifestação do Chega era também contra a corrupção. Ventura recordou os casos de Ricardo Salgado, José Sócrates, João Rendeiro e de Armando Vara, dizendo que Portugal “parece um país a brincar”. “Nós olhamos para isto com enorme passividade de quem já acha graça ao país que temos. Eu não acho graça nenhuma”, assegurou o líder do partido, enaltecendo a falta de condições de vida dos portugueses que merece a “luta” do partido pelo “povo comum”.