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A mutualista Montepio tem “rapidamente” de fazer uma “inversão ao caminho que tem sido seguido”, caso contrário “estará muito em breve numa situação de não ser capaz de responder aos compromissos que assumiu perante os seus associados”. O aviso foi feito por Pedro Corte Real, líder da candidatura batizada como “Lista B” às eleições do próximo dia 17 de dezembro.

Na apresentação da candidatura, ao final do dia de quarta-feira, Pedro Corte Real sublinhou que “só com confiança e credibilidade se pode reverter a dramática situação da Montepio Geral Associação Mutualista”.

O candidato a presidente do conselho de administração do Montepio Geral pela Lista B – Reconstruir o Montepio argumentou, ainda, que “ao contrário do que tem sido ultimamente dado a entender, o regulador do MGAM é, e sempre foi, o Ministério da Segurança Social, ou seja, é o Governo». Nessa ótica, lamentou “o alheamento surpreendente que esse poder político tem mostrado” em relação a este tema. “Só pode significar que não existe diálogo com a atual administração e que, aos seus olhos, esta não merece credibilidade”, afirmou.

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O candidato que encabeça a Lista B refere que “o total de capitais próprios do Grupo são de 599 milhões negativos em 2018, 656 milhões negativos em 2019 e 794 milhões negativos em 2020” e recorda “o valor total dos capitais próprios do Banco Montepio tem vindo igualmente a descer, sendo de 1517 milhões em 2018, 1452 milhões em 2019 e 1327 milhões em 2020 – isto ao mesmo tempo que é registado nas contas da Associação por um valor muitíssimo superior, ou seja, a situação real do MGAM é muito pior do que as contas oficiais, já de si más, evidenciam”.

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Este é um cenário que é, sublinha Pedro Corte Real, sustentado “pelos auditores, nas reservas às contas, que são públicas. São os próprios auditores que registam haver uma ‘incerteza material relacionada com a continuidade’ da instituição”.

João Costa Pinto. “Montepio tem de ser reconstruído, tem de voltar aos ideais”

Também João da Costa Pinto, primeiro candidato da Lista B para a Assembleia de Representantes, considerou que os ideais que estiveram na base da criação da MGAM “foram esquecidos perante um silêncio cúmplice de quem tem responsabilidade de tutela do Montepio”. E denunciou que “houve quem gerindo o Montepio tenha usado os recursos dos seus associados para um projeto bancário que não tinha nada a ver com os princípios que levaram à criação do Montepio, nem com a defesa dos interesse dos associados, essa aventura trouxe o Montepio à situação atual”.

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O Montepio tem de ser reconstruído, tem de voltar aos ideais da sua fundação. O mundo mudou, mas os interesses básicos de mais de meio milhão dos associados do Montepio são os mesmos”, afirmou João Costa Pinto.

O antigo vice-governador do Banco de Portugal alertou que “não há mais tempo, estas eleições são a última oportunidade para trazer ao Montepio gente idónea e competente”, porque esta “organização está a agonizar”.