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O equilíbrio era praticamente total: Sporting e Benfica chegavam ao primeiro dérbi da época de futsal empatados no segundo lugar do Campeonato com 22 pontos, com sete vitórias e uma derrota e com 30 contra 29 golos marcados e 11 contra oito golos sofridos. Com menos um jogo do que o líder Fundão, leões e encarnados defrontavam-se no Pavilhão João Rocha a um ponto do primeiro lugar e com a certeza de que uma vitória significava o salto para a liderança isolada do Campeonato.

Do lado do Sporting, Nuno Dias lembrava que existiam “muitos fatores” que poderiam fazer a diferença mas sublinhava um dos mais importantes: o público, já que este era o primeiro dérbi de futsal com a presença dos adeptos nas bancadas desde o início da pandemia. “Claro que gostamos do público, do apoio que eles nos trazem, do colorido que trazem ao jogo e da forma como eles nos ajudam em momentos em que não estamos tão bem. Mas temos é de contar connosco independentemente de haver público ou não. Claro que gostávamos de que o Pavilhão João Rocha estivesse cheio porque é importante e ajuda-nos, mas depois vem o nosso trabalho e o que depende de nós próprios”, explicou o treinador leonino, cuja equipa já perdeu esta época com o Fundão.

Do lado do Benfica, Pulpis não escondia o entusiasmo por se estrear naquele que é, para efeitos práticos, o maior dérbi de futsal do mundo. “Temos de o enfrentar como um jogo especial mas não vamos mudar nada. Estamos num processo de crescimento, a fixar processos novos, vamos fazer alguns ajustes pela forma de jogar do Sporting, como fazemos em todos os jogos. temos de continuar com o nosso programa de trabalho e modelo. Queremos é chegar a este tipo de jogos com o Sporting mais adiante na temporada com outras condições”, disse o técnico encarnado.

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Certo é que os adeptos responderam às melhores expectativas dos dois clubes e o Pavilhão João Rocha surgia este domingo totalmente lotado. O primeiro lance de perigo surgiu por intermédio do guarda-redes Roncaglio, que rematou para uma defesa atenta de Guita (2′). Erick respondeu com um pontapé ao lado (3′) e o Sporting poderia ter inaugurado o marcador através de um livre muito perigoso, mesmo à entrada da área, mas a defesa do Benfica fechou de forma perfeita (4′). Robinho assustou de livre direto, com Guita a defender novamente (5′), e Cardinal apareceu pela primeira vez com uma oportunidade na sequência de um canto na esquerda (5′).

Os encarnados chegaram à quinta falta a cerca de 10 minutos do intervalo, quando a bola bateu no braço de Rômulo depois de um remate de Tomás Paçó, e os leões subiram as linhas de pressão e marcação para procurar a falta e ficar mais perto do golo. A lógica, porém, inverteu-se: em poucos instantes, o Sporting foi das três às cinco faltas e viu Pauleta ver o cartão vermelho direto depois de um lance com Tayebi. O Benfica aproveitou da melhor forma o período de inferioridade numérica dos leões e conseguiu abrir o marcador por intermédio de um autogolo de Miguel Ângelo, que desviou de cabeça para a própria baliza depois de um remate de Jacaré (18′).

Pouco depois, porém, o Sporting conseguiu chegar ao empate. Nilson fez a sexta falta sobre Merlim e Cardinal, na conversão do consequente livre direto, acabou por bater Roncaglio (19′). Ainda antes do intervalo, Chishkala desequilibrou da esquerda para a direita e assistiu Jacaré, que à saída de Guita e já em queda soube desviar para recuperar a vantagem encarnada (20′). No final da primeira parte, o Benfica estava a vencer o Sporting pela margem mínima — sendo que Nuno Dias já não podia contar com o contributo de Pauleta.

Na segunda parte, o Sporting entrou melhor e viu Merlim ter duas oportunidades praticamente consecutivas, com Roncaglio a responder à altura (23′). O jogador brasileiro ia sendo o principal inconformado dos leões e conseguiu mesmo chegar ao golo que se adivinhava na conclusão de um trabalho irrepreensível (26′). O cenário não estava nada favorável para o Benfica desde o intervalo e tornou-se ainda pior quando Rômulo viu o segundo cartão amarelo e foi expulso, abrindo a porta a dois minutos de inferioridade numérica: os leões aproveitaram e colocaram-se em vantagem pela primeira vez na partida, com Caio Ruiz a marcar de pé esquerdo na estreia em dérbis (32′).

Pouco depois, e com os encarnados algo desorientados e ainda a tentar entender o que havia acontecido nos instantes anteriores, Waltinho também se estreou a marcar em dérbis e aumentou a vantagem leonina (33′). Até ao fim, numa altura em que o Benfica já arriscava tudo com o guarda-redes avançado, Merlim aproveitou para bisar e fechou as contas (38′). No primeiro dérbi da temporada, o Sporting venceu o Benfica e saltou para a liderança isolada do Campeonato de futsal, tendo agora mais dois pontos do que o Fundão e mais três do que os encarnados.