Para o seu primeiro modelo eléctrico, que vai começar a chegar aos clientes em Junho na forma de uma edição super equipada e limitada a 1949 unidades (o ano de fundação da Abarth), denominada Scorpionissima, a marca italiana repetiu a fórmula que aplica aos seus modelos a combustão: pegou na base da Fiat, fez afinações ao chassi, exigiu um motor mais potente, vitaminou tudo isto com um look mais desportivo e, por fim, não prescindiu da característica sonoridade rouca que acompanha qualquer uma das suas criações. Por isso, os mais nervosos que se acalmem: apesar de ser eléctrico, o novo Abarth 500e não vai perder o pio e continuará a emitir um ronco entusiasmante, graças à tecnologia Sound Generator.

Comecemos justamente pela experiência sonora, por ser essa uma das características mais distintivas do Abarth 500e face ao seu progenitor, o Fiat 500e. Embora este, relembre-se, também tenha tido uma particular atenção na concepção da “música” que é obrigatória por lei em qualquer modelo que possa circular em modo exclusivamente eléctrico (incluindo os híbridos plug-in), sempre que se desloquem a baixa velocidade. Para o chamado AVAS (de Acoustic Vehicle Alert System), a Fiat contou com um maestro, mas a Abarth tem claramente um espírito mais radical que se faz ouvir no habitáculo através de uma guitarra, sempre que o 500e do escorpião é ligado ou desligado, com o dedilhar desse instrumento a sinalizar ainda a primeira vez que o condutor passa dos 20 km/h. Lá para fora, o habitual zunido que avisa quanto à presença de um modelo a bateria é, promete a marca, um AVAS fora do comum: “um jingle específico, que transforma uma homologação fria e uma restrição normativa num som reconhecível pelos fãs do Escorpião”. Porém, o mais entusiasmante, pelo menos para os acérrimos apaixonados pelo rugir abafado dos motores da Abarth, reside na possibilidade de o recriar com o opcional Sound Generator, que deixa de lado a guitarra padrão e reproduz o som de um motor a gasolina. Quem sabe se, para tornar a experiência ao volante mais próxima do passado, o futuro não passará por considerar um extra capaz de libertar aquele cheirinho a gasolina que extasia os entusiastas da octanagem…

No entanto, por mais que se “disfarce”, a realidade é que o novo 500e é mesmo diferente dos demais Abarth nas suas entranhas. E segundo a própria marca, o facto de ser 100% eléctrico é uma diferença para melhor, que só o favorece:

O Novo Abarth 500e é o Abarth mais reactivo e excitante na condução urbana e o mais rápido e mais agradável na condução suburbana. Em suma, é mais Abarth do que nunca. A arquitectura eléctrica funciona melhor do que a gasolina, graças a uma melhor distribuição de peso, binário superior e a uma distância entre eixos maior”, enfatiza o construtor italiano.

O CEO da Fiat e da Abarth, Olivier Francois, com o antigo piloto italiano Miki Biasion, duas vezes campeão do mundo de ralis, na revelação do Abarth 500e

Sem avançar em concreto até que ponto é que o acumulador de 42 kWh agrava o peso, a Abarth prefere concentrar-se na forma como o peso está distribuído, com uma incidência de 57% na frente e os restantes 43% atrás. A isso há que somar vias 6 cm mais largas e uma distância entre eixos incrementada em 2,4 cm, afinações do chassi para maior reactividade e um motor eléctrico com 155 cv (37 cv mais potente que o Fiat), para o cocktail do primeiro escorpião eléctrico ficar suficientemente apimentado.

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Mais uma vez é a própria Abarth que afirma que o 500e é melhor que um 695 Esseesse (179 cv), em cidade e fora dela. “É um segundo mais rápido na aceleração urbana, o que significa um ganho de velocidade 50% mais rápido de 20 a 40 km/h do que o seu irmão a gasolina” e em estradas mais sinuosas vai de 40 a 60 km/h em 1,5 segundos, ao passo que o 695 demora 2,5 segundos, o que significa que perde 15 metros para o “mano” eléctrico. Mas o novo Abarth 500e continua a ganhar em estrada aberta, “atingindo uma velocidade de 100 km/h (a partir dos 60 km/h) quando o seu homólogo a gasolina circula a 91 km/h, com uma diferença de aproximadamente um segundo”. Mais rápido nas manobras de ultrapassagem, mas igualmente mais espevitado no arranque parado, o novo 500e reclama o melhor valor da sua classe no sprint de 0-100 km/h, desafio que cumpre em apenas 7 segundos.

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No interior, o condutor encontra uma atmosfera eminentemente desportiva que vai para além das cores e da escolha dos materiais. Isto porque tem ao seu dispor três modos de condução para domar o 500e a seu bel-prazer. O modo Turismo limita-o a 136 cv e a 220 Nm, em vez de 235 Nm de binário, sendo o mais virado para os percursos citadinos. Já o modo Scorpion Street não tem qualquer limitação de potência ou de força, mas capricha em recuperar energia por meio da travagem regenerativa. Por fim, para agradar aos amantes das pistas, impõe-se o modo Scorpion Track, em que o Abarth eléctrico dá o seu melhor, concentrando-se na eficácia da performance em detrimento da eficiência energética.

A propósito, a Abarth não anunciou ainda qual a autonomia do seu 500e. No entanto, é praticamente certo que ficará abaixo dos 330 km anunciados pelo Fiat. Chegada a altura de recarregar, o Abarth aceita carga de até 11 kW em corrente alternada e de até 85 kW em corrente contínua. Não foram fornecidas indicações quanto aos tempos de carregamento, mas o fabricante assegura que “o carregamento rápido permite atingir 80% da autonomia em apenas 35 minutos”.

Já disponível para pré-reserva online, o novo Abarth 500e vai poder ser encomendado a partir de Fevereiro, estando a entrega das primeiras unidades programada para o final do primeiro semestre de 2023. Ao que o Observador apurou, a variante hatchback será comercializada por valores a partir de 43.000€, enquanto o cabrio exige mais 3000€.

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