A “responsabilidade primária” pelo caos que se instalou antes da final da Liga dos Campeões da época passada, entre Liverpool e Real Madrid, é da UEFA. Esta é uma das conclusões presentes num relatório do painel independente, nomeado pelo organismo que tutela o futebol europeu e liderado por Tiago Brandão Rodrigues, antigo ministro da Educação com a tutela do Desporto e da Juventude.

O documento, que é esta segunda-feira citado pelo The Guardian, considera que a UEFA, como organizadora da Champions, é “a principal responsável pelas falhas que quase levaram ao desastre”, sendo “notável que ninguém tenha perdido a vida”. O painel acredita também que o organismo “marginalizou” a sua própria unidade de segurança, que é liderada por Zejlko Pavlica, um amigo próximo do presidente Aleksander Ceferin.

A culpabilização dos adeptos ingleses também é alvo de críticas, com o relatório a rejeitar as alegações que foram feitas quer pela UEFA, quer pela polícia francesa, de que adeptos do Liverpool com bilhetes inválidos para assistir ao jogo causaram o caos que levou a um atraso inédito no início da final que o Real Madrid viria a vencer. O painel independente nomeado pela UEFA considera que esta foi uma tentativa “repreensível” das autoridades, que procuravam evitar assumir responsabilidades quanto à falta de “planeamento” da partida.

Desorganização da UEFA e ânimos exaltados entre adeptos do Liverpool provocaram o caos (e um atraso inédito) na final da Liga dos Campeões

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Desta forma, as autoridades francesas também são criticadas pelo painel, que considera que “as condições perigosas das zonas exteriores aos torniquetes foram provocadas pelo uso de gás lacrimogéneo por parta da polícia para com grupos desordeiros de cidadãos locais, assim como pelo uso de gás pimenta em adeptos que tentavam entrar [no Stade de France] com bilhetes válidos”.

As conclusões do painel independente à confusão no acesso ao estádio chegam após uma investigação de seis meses, que contou com a recolha de depoimentos junto de dirigentes da UEFA e da polícia, mas também do Liverpool e dos seus adeptos. O presidente do organismo que tutela o futebol europeu, Aleksander Ceferin, não foi entrevistado, tendo respondido às questões somente por escrito.

O trabalho do painel, liderado pelo antigo ministro português Tiago Brandão Rodrigues, quer que a falha no protocolo de segurança que poderia ter causado uma “catástrofe de mortes em massa”, sirva de “chamada de atenção” para que sejam feitas melhorias antes de França organizar o Mundial de râguebi, este ano, e os Jogos Olímpicos (em 2024).