Há jogador que precisam de mais descanso, há jogadores que precisam sobretudo de jogar para estarem mais descansados. Viktor Gyökeres funciona como exemplo paradigmático do segundo caso, bastando para isso recordar a deslocação do Sporting a Tondela na Taça da Liga para ver como o avançado aquecia durante o segundo tempo sempre a olhar para o banco à espera de uma chamada que acabou por não chegar nesse dia. Agora, no reencontro com os beirões para a Taça de Portugal, o sueco foi mesmo titular e só saiu antes da hora de jogo porque entretanto a eliminatória dos oitavos estava resolvida com o 4-0 logo após o intervalo.

Gyökeres acelerou para dar um reforço a Amorim (a crónica do Sporting-Tondela)

Mais uma vez, o jogador que foi considerado o melhor avançado do seu país em 2023 voltou a ser o MVP da partida, estando no início do lance que originou o primeiro de dois golos de Pedro Gonçalves e marcando depois também ele dois golos na sexta vitória consecutiva do conjunto verde e branco. Da zona da baliza norte por onde saiu para dar lugar a Afonso Moreira até ao banco, Alvalade levantou-se para mais uma ovação de pé e o sueco retribuiu não só nesse momento como quando estava sentado a ouvir a música que entoa o seu nome, aplaudindo e levantando os braços como que a pedir para ser ainda mais alto. A empatia entre adeptos e jogador é algo como há muito não se via no clube e os números também ajudam a explicar.

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Com 23 jogos feitos entre Campeonato, Taça de Portugal, Taça da Liga e Liga Europa, Viktor Gyökeres chegou à marca dos 20 golos (além de contar ainda com mais nove assistências) e tornou-se o primeiro jogador a atingir essa fasquia no Sporting em tão poucos encontros desde… Mário Jardel, há mais de duas décadas. De acordo com o Playmakerstats, só 12 nomes tinham conseguido mais cedo essa façanha, alguns dos quais figuras que ficaram para a história centenária dos verde e brancos: Sidónio (em dez jogos), Jardel (13), Mourinha (16), Peyroteo (17), Mário Wilson (17), Puglia (18), Lourenço (19), Rogério de Sousa (21), Manuel Soeiro (21), Jordão (21) e Manuel Fernandes (22). Contas feitas, o sueco está na sua segunda época mais produtiva, apenas a dois de igualar os 22 golos que fez no Coventry na última temporada.

“Há jogadores que precisam de jogar e tem a ver com a capacidade de recuperação. O Viktor passado dois dias está recuperado, o Pote é muito versátil e também não costuma sair e depois tivemos atenção a jogadores como o [Matheus] Reis, que demora mais a recuperar”, explicou Rúben Amorim no final do jogo à SportTV sobre a utilização do avançado sueco que saiu mais cedo à semelhança de Pedro Gonçalves.

“Acho que entrámos devagar, deixámos criar uma oportunidade. A primeira oportunidade é do Tondela com uma grande defesa do Franco Israel mas depois tomámos conta do jogo. Fizemos um jogo sério. Queremos muito avançar nesta competição, sofremos muito com a eliminação do Varzim [em 2022] e lembrámos durante a semana que tudo pode acontecer. Tínhamos mesmo que vencer. Pedidos para pressionarem aos 85 minutos? Tem de ser porque devemos aproveitar cada minuto, apesar de não ser fácil para eles com 80 e tal minutos e jogadores um bocadinho fora das posições. Sinceramente, não queria que a equipa sofresse golos porque é um estímulo importante”, acrescentou, antes de projetar as saídas a Chaves e Vizela antes da Final Four da Taça da Liga: “Não vamos falar sobre as sequências que vamos ter, temos de pensar é no Chaves. Temos de mudar o chip e prepararmo-nos para uma guerra, que é isso que vai acontecer em Chaves”.