O ex-deputado do Chega Miguel Arruda, que passou a deputado não inscrito na sequência da polémica em torno do alegado furto de malas no aeroporto, diz que passou “a perna” ao partido de André Ventura, antecipando-se à possível expulsão.
Em declarações por escrito ao Polígrafo, Arruda não poupa nas palavras: “Estão f****** porque lhes passei a perna. Queriam ser eles a expulsar-me. Como me antecipei estão doidos.”
As declarações surgem na sequência de uma sucessão de acontecimentos em volta deste caso nos últimos dias. O caso veio a público originalmente na terça-feira, 21 de janeiro, quando o jornal Público noticiou que o deputado Miguel Arruda, eleito pelo Chega no círculo dos Açores, era arguido num caso que envolvia o alegado furto de malas alheias no aeroporto.
De acordo com os dados conhecidos até ao momento, já foram feitas buscas na casa do deputado, onde as autoridades encontraram dezenas de malas de viagem. Há também registos de imagens de videovigilância que mostram Arruda a levar várias malas do aeroporto. Suspeita-se ainda de que o deputado usaria uma conta na plataforma “Vinted” para vender o conteúdo das malas que alegadamente furtava.
Miguel Arruda tem afirmado categoricamente a sua inocência no caso e até já alegou que as imagens que existem podem ter sido criadas por inteligência artificial. Alegou também que a conta na “Vinted” seria controlada pela sua mulher.
O caso teve um desenvolvimento na quinta-feira, quando, depois de uma reunião entre André Ventura e Miguel Arruda, o deputado anunciou que se iria desfiliar do Chega, para não prejudicar o partido, passando a deputado não-inscrito. O Chega fica, assim, com uma bancada de 49 deputados.
Por seu turno, André Ventura garantiu que exigia explicações sobre o caso e afirmou que não tinha “condições” para permitir que o deputado continuasse em funções pelo Chega.
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A passagem de Arruda a deputado não-inscrito causou grande perturbação no arranque dos trabalhos parlamentares na manhã desta sexta-feira.
O líder parlamentar do Chega, Pedro Pinto, disse que Arruda deveria mudar de lugar para longe da bancada do partido e chegou mesmo a afirmar que “não pode responder pelo grupo parlamentar nem pelo que possa acontecer” durante a sessão.
Pedro Pinto disse ainda ser “desrespeitoso” Miguel Arruda “manter-se sentado ao lado do grupo parlamentar de que saiu” porque “desrespeitou o grupo parlamentar, o presidente do partido e da bancada e até o Parlamento”.
A controvérsia em torno do lugar de Arruda levou mesmo à interrupção dos trabalhos parlamentares. Ficou remetida para uma próxima conferência de líderes parlamentares a discussão sobre a alteração de lugares: esta sexta-feira, Arruda ficou no seu lugar, na última fila, e o Chega retirou dessa fila todos os seus deputados.
Advogado de deputado do Chega nega perentoriamente confissão do furto das malas. “É mentira”
A atitude de afastamento por parte do partido terá motivado as declarações de Arruda ao Polígrafo. O deputado, que entretanto anunciou que irá entrar de baixa psicológica e regressar aos Açores, mantinha a posição de que queria continuar a defender o Chega e de que a sua decisão tinha também como objetivo proteger o partido.
Contudo, ao ver o partido a demarcar-se claramente dele decidiu também atacar o partido.
Ao Polígrafo, o advogado de Arruda, José Manuel Castro, afirmou que o partido optou pelo “show-off” contra o deputado e disse que a bancada do Chega tinha feito um “número de virgens ofendidas para a plateia bater palmas”.
“Tendo em conta aquilo que se passou hoje na AR, o Chega é que não fica muito bem na fotografia. Esta súbita indignação deve ter acontecido durante a noite”, diz o advogado àquele jornal.