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Criança de sete anos morre após comer ovo da Páscoa envenenado que era para a mãe

Este artigo tem mais de 1 ano

Mulher enviou ovo da Páscoa envenenado para namorada do ex-companheiro. Rapaz de sete anos morreu e rapariga, de 13 anos, está em estado grave. São os filhos da destinatária, que também foi internada.

O rapaz foi enterrado dois dias após a sua morte, sem que estivesse presente a própria mãe já que, na altura, se encontrava internada em estado grave
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▲O rapaz foi enterrado dois dias após a sua morte, sem que estivesse presente a própria mãe já que, na altura, se encontrava internada em estado grave

Polícia Civil do Maranhão

▲O rapaz foi enterrado dois dias após a sua morte, sem que estivesse presente a própria mãe já que, na altura, se encontrava internada em estado grave

Polícia Civil do Maranhão

O que parecia ter sido um simpático presente tornou-se numa verdadeira tragédia. No dia 16 de abril, em Imperatriz, região sudoeste do Maranhão, no Brasil, uma mãe e os dois filhos receberam em casa um ovo de Páscoa sem saber qual a sua origem. O rapaz de sete anos acabou por morrer horas depois de provar o chocolate, e a mãe e a irmã continuam hospitalizadas. Polícia suspeita de envenenamento e já deteve uma mulher que fez de tudo para não ser descoberta, tendo até fingido ser uma mulher trans.

O  ovo foi entregue por um estafeta na casa de Mirian Lima, sem qualquer remetente ou pista que pudesse indicar quem o tinha enviadoe. Trazia apenas um pequeno bilhete com uma dedicatória: “Com amor, para Mirian Lira. Feliz Páscoa”, conta a CNNBrasil.  Em entrevista à emissora local Mirante, a irmã de Mirian revelou que logo após a entrega, a mãe das duas crianças recebeu um telefonema de uma mulher, que não se identificou, a perguntar se tinham recebido o presente. A vítima chegou a perguntar com quem estaria a falar, mas do outro lado não obteve resposta.

Mãe e filhos comeram o ovo. O rapaz de sete anos foi o primeiro a apresentar sintomas de envenenamento. A família pediu ajuda ao pai da criança e ex-marido de Mirian, que a levou para o Hospital Municipal de Imperatriz. Entubado, o rapaz não resistiu e morreu horas depois, com uma paragem cardiorrespiratória. Foi enterrado passados dois dias, sem a presença da mãe: Mirian permanecia internada em estado grave.

Na mesma noite em que levaram o filho para o hospital, enquanto aguardava na sala de espera por notícias do rapaz, a mãe começou a ficar com as mãos roxas e com uma grande dificuldade em respirar. Já não saiu dali. Depois, também a filha de 13 anos deu entrada no mesmo hospital com sintomas iguais.

No domingo, dia 20, a mãe melhorou, saiu do estado grave, e conseguiu comunicar, embora ainda não pudesse movimentar-se. A família da vítima adiantou que Mirian voltou a piorar após ter sido informada da morte do filho e do estado grave em que a filha se encontra, adianta o G1, portal de notícias do grupo de comunicação social Globo. Mas já não corre risco de vida, estando a receber acompanhamento psicológico. Já a filha Evelyn, de 13 anos, continua entubada e em estado crítico.

Todas as suspeitas vão dar a Jordelia Pereira Barbosa, uma mulher de 35 anos, a ex-companheira do atual namorado da vítima, que se encontra em prisão preventiva desde quinta-feira, dia 17, um dia após a morte de Lúis, de sete anos. Segundo a polícia, citada pela plataforma brasileira UOL, a suspeita já teria tudo planeado, sendo que o seu alvo seria a mãe das crianças.

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Natural de Santa Cruz, município do estado do Rio Grande do Norte, viajou cerca de 400 quilómetros de autocarro interestadual, por volta das 0h30 de quarta-feira, até Imperatriz, a cidade da família do seu ex-companheiro “exclusivamente para executar o plano”, diz a polícia.  Deslocou-se até uma loja de chocolates, onde comprou o ovo disfarçada com uma peruca preta e óculos escuros, tendo a sua imagem sido registada pelas câmaras de videovigilância do estabelecimento no preciso momento da compra.

Jordelia ficou alojada num hotel no dia do crime, onde se fez passar por uma mulher trans — razão que invocou para não enviar documento de identificação quando fez a reserva do quarto, já que estaria num processo de mudança de nome. “Deixa eu lhe falar, é porque sou trans e a minha documentação está em processo, mas estarei com o crachá da empresa. Posso colocar o nome depois que eu mudei? Onde chego eu uso dele”, pode ler-se nas mensagens encontradas pela polícia no seu telemóvel.

Identificando-se como Gabrielle Barcelli, apresentou um crachá falso que comprovava que trabalhava numa empresa de gastronomia. Inclusive, após a sua chegada a Imperatriz, a mulher fez um serviço falso de degustação com trufas de chocolate, perto do estabelecimento onde trabalhava Mirian Lira. Foi desse hotel que à noite chamou o estafeta para entregar a encomenda. As imagens das câmaras de segurança mostravam Jordelia Barbosa deitada num dos sofás da recepção enquanto estava ao telemóvel.

Regressou a Santa Cruz, por volta das 2h30 horas de quinta-feira, mas acabou por ser detida pela Polícia Regional de Santa Inês. Na página de Instagram da Polícia Civil do Maranhão, os agentes partilharam uma foto do momento da detenção.

Jordelia Pereira Barbosa admitiu ter comprado o chocolate, mas alegou não ter envenenado o ovo. Manoel Almeida, responsável pela Polícia Civil do Maranhão, explicou que mesmo que a detida não tenha confessado o crime, a polícia reuniu “elementos fortes” suficientes que demonstram a sua participação no caso, que terá sido premeditado com devida antecedência. Foram encontradas duas perucas, restos de chocolate em bolsas térmicas, um bilhete de autocarro e pequenos sacos com recheios, utilizados para encher os ovos de Páscoa, preparados por ela.

Ainda não foi apurada qual a substância que terá provocado o internamento de três pessoas mas, as amostras dos ovos de Páscoa foram encaminhadas para análise, aguarda-se a autóspia de Luís e foram recolhidas amostras de sangue das vítimas para identificar se há algum tipo de veneno. “Foi encontrado chocolate, parte do chocolate que ela levou, bem como um granulado que, possivelmente, pode ser que tenha ali algum veneno misturado. Isso tudo vai ser levado para a perícia, para verificar se tem ou não veneno”, disse um dos polícias.

A principal linha de investigação acredita que o crime terá sido uma tentativa de vingança motivado por ciúmes: “Ela agiu com frieza e premeditação”, afirmou o polícia responsável pelo caso que continua sob investigação.

Texto editado por Dulce Neto

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