O grupo composto pelos sete países — Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido – reuniu-se esta segunda e terça-feira em Kananaskis, nas Montanhas Rochosas de Alberta, no Canadá. Em cima da mesa estiveram os vários conflitos que se estendem pelo mundo, em particular a guerra entre a Rússia e a Ucrânia, que levou o G7 a aplicar novas sanções contra Moscovo. Donald Trump, presente no encontro, defendeu que o país liderado por Vladimir Putin nunca devia ter deixado o grupo que anteriormente agregava oito potências, argumentando que se tal tivesse acontecido “não existiria uma guerra neste momento”.
Com a presença da União Europeia e de vários países convidados, entre os quais Ucrânia, Brasil, Índia, México, África do Sul e Austrália, os aliados discutiram no primeiro dia deste encontro a tensão geopolítica marcada pela escalada do conflito entre Israel e o Irão, a guerra na Ucrânia, a disputa comercial e o reforço das metas de Defesa.
O grupo decidiu aplicar novas sanções contra a Rússia para o caso de Vladimir Putin não concordar em negociar um cessar-fogo na Ucrânia, afirmou Keir Starmer, citado pela Sky News. Em declarações a caminho da cimeira do G7, no Canadá, o primeiro-ministro britânico afirmou que a conferência é uma oportunidade para ter uma conversa ampla com os aliados sobre a segurança global de uma “forma construtiva”.
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Opinião diferente tem o Presidente dos EUA, que defendeu ser “um erro” ter tirado a Rússia do G8. “Acabámos por passar imenso tempo a falar da Rússia sem que eles estejam sentados à mesa”, disse, durante a cimeira citado pelo The New York Times. “O G7 costumava ser o G8. Barack Obama e uma pessoa chamada Trudeau não queriam que a Rússia participasse, e eu diria que isso foi um erro… Não existiria uma guerra neste momento se eles tivessem aceitado a Rússia como membro”, disse.
Para a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, a solução passa por outro caminho: pondo “mais pressão na Rússia para assegurar um verdadeiro cessar-fogo, para trazer a Rússia para a mesa de negociações e para pôr fim a esta guerra”. As declarações foram feitas numa conferência de imprensa na cidade canadiana de Kananaskis, onde se realiza a 51.ª Cimeira do G7.
Referindo-se à guerra na Ucrânia, Von der Leyen diz que o Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, “tem mostrado disponibilidade para concordar com um cessar-fogo incondicional” e que “o Presidente [da Rússia, Vladimir] Putin, por outro lado, tem escalado os ataques na Ucrânia”.
A reunião, que termina esta terça-feira, terá como convidado Zelensky, que espera ter uma conversa com Donald Trump, Presidente norte-americano, à margem da cimeira. O Presidente da Ucrânia planeia discutir o apoio contínuo ao país, as sanções contra a Rússia e o financiamento futuro dos esforços de reconstrução de Kiev. “Uma das questões que discutirei com o Presidente Trump durante a reunião é o pacote de defesa que a Ucrânia está pronta para comprar”, garantiu esta segunda-feira em conferência de imprensa em Viena.
Relativamente à guerra no Médio Oriente, os líderes mundiais têm um rascunho de declaração conjunta a pedir a contenção do conflito entre Israel e o Irão, avança a agência Reuters. No entanto, o Presidente dos Estados Unidos ainda não assinou o rascunho, sendo que até ao momento a Casa Branca não fez qualquer comentário sobre o tema.
Líderes mundiais do G7 reúnem-se com guerra alargada no Médio Oriente na agenda
Conselho Europeu quer assumir “maiores responsabilidades” em matéria da defesa
O presidente do Conselho Europeu, António Costa, garante que a Europa deve “evitar levantar questões que comprometam a capacidade económica de assumir maiores responsabilidades pela defesa”.
Em declarações no contexto da 5.1ª Cimeira do G7, o antigo primeiro-ministro de Portugal associou o aumento das despesas militares europeias, uma das exigências de Trump, à estabilidade comercial e económica — que tem sido perturbada pelos Estados Unidos com a guerra tarifária.
“O que temos de falar com os Estados Unidos é sobre a forma como podemos assumir maiores responsabilidades”, explicou Costa, acrescentando que “a importância dissuasora do artigo 5.º do Tratado da NATO (que estabelece a defesa coletiva) deve ser protegida e preservada”.
“Uma vez que esta é a questão principal, devemos evitar levantar outras questões que comprometam a nossa capacidade económica de assumir maiores responsabilidades pela nossa defesa. Não é altura de criar problemas comerciais porque precisamos de reforçar as nossas economias. Estamos a falar da relação comercial mais importante do mundo”, afirmou ainda. “Temos de proteger isto para nos focarmos no que é mais importante: ter um bom acordo entre a Europa e os Estados Unidos sobre a partilha de gastos na Defesa.”
“Somos aliados, somos parceiros e somos amigos dos Estados Unidos e entre aliados, parceiros e amigos, quando surgem problemas, o que é preciso fazer é falar. E estamos aqui, neste momento crucial, para falar, não só com os Estados Unidos, mas também com outros parceiros”, declarou António Costa, em resposta a questões colocadas pela agência EFE.
Reino Unido e Estados Unidos assinaram acordo comercial
O Reino Unido e os Estados Unidos também finalizaram um acordo comercial mútuo, depois de um encontro entre o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, e o Presidente norte-americano, Donald Trump, nesta segunda-feira.
“Assinámo-lo e está feito”, anunciou o norte-americano, citado pela Sky News, que considerou que era “um acordo justo para ambos”. Já Starmer considerou que era “um dia muito bom para ambos os nosso países” e um “verdadeiro sinal de força”.
O acordo elimina as tarifas de 10% sobre produtos da indústria aeroespacial, segundo a Sky News. As tarifas sobre importações de carros também deverão ser reduzidas de 27,5% para 10%.
Trump e Carney com visões diferentes sobre as tarifas
O primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, e Donald Trump reuniram-se antes do início da cimeira, num encontro que durou cerca de 70 minutos. Segundo o Washington Post, os dois líderes estão a tentar chegar a um acordo comercial, apesar de terem visões distintas sobre as tarifas.
“O nosso foco principal será o comércio. Tenho um conceito de tarifa. Mark tem um conceito diferente”, afirmou Trump aos jornalistas após o encontro privado, acrescentando: “Mark tem uma ideia mais complexa, mas também muito boa. Vamos ver se conseguimos chegar a um acordo hoje”.
Por seu turno, Carney afirmou que “o G7 não é nada sem a liderança dos Estados Unidos” e, portanto, está “ansioso para trabalhar ao lado dos parceiros” com a liderança de Trump em questões de geopolítica, economia e tecnologia.
G7 Summit is underway!
President @realDonaldTrump and Prime Minister @MarkJCarney are meeting to kick off the Summit ???????????????? pic.twitter.com/pKxxEjKbWX
— Margo Martin (@MargoMartin47) June 16, 2025
Notícia atualizada às 23h16