O juiz do Supremo Tribunal Federal (STF) brasileiro Alexandre de Moraes suspendeu esta sexta-feira os decretos sobre mudanças na cobrança de impostos sobre transações financeiras e convocou uma reunião de conciliação entre o governo e o Congresso do país.

A decisão ocorre em resposta a uma ação apresentada pela Advogado-Geral da União (AGU) a pedido do governo do Presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, que solicitava a declaração da “natureza constitucional” de um decreto que aumentou o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), decisão chumbada pelo Parlamento.

Moraes suspendeu os decretos do governo brasileiro que aumentavam alíquotas do imposto, bem como o decreto legislativo que anulava o ato do executivo e marcou uma reunião de conciliação entre as partes para o dia 15 de julho. O juiz classificou o embate entre os poderes executivo e legislativo de indesejável e apontou que o conflito contraria a Constituição do Brasil, que prega a harmonia e independência dos poderes.

[A polícia é chamada a uma casa após uma queixa por ruído. Quando chegam, os agentes encontram uma festa de aniversário de arromba. Mas o aniversariante, José Valbom, desapareceu. “O Zé faz 25” é o primeiro podcast de ficção do Observador, co-produzido pela Coyote Vadio e com as vozes de Tiago Teotónio Pereira, Sara Matos, Madalena Almeida, Cristovão Campos, Vicente Wallenstein, Beatriz Godinho, José Raposo e Carla Maciel. Pode ouvir o 7.º episódio no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music. E o primeiro episódio aqui, o segundo aqui, o terceiro aqui, o quarto aqui, o quinto aqui e o sexto aqui]

Há duas semanas, para compensar a queda na arrecadação tributária Lula da Silva assinou uma medida que aumentou o IOF de uma alíquota média de 1,2% para 3,2%. Com a subida do imposto, que afeta a compra de moeda estrangeira e certas operações de crédito do setor privado, o Ministério da Fazenda pretendia aumentar a arrecadação em aproximadamente 12 mil milhões de reais (1,9 mil milhões de euros) para equilibrar as contas públicas do país.

Em resposta, sob a premissa de que não permitirão aumentos de impostos, partidos de centro e de direita que formam a maioria do Parlamento brasileiro, e que estão a organizar-se para lançar um candidato único nas presidenciais de 2026, mobilizaram as suas bases para aprovar um projeto de lei anulando o decreto presidencial.

Com o chumbo do aumento de impostos, os parlamentares impuseram uma perda previstas de cerca de 10 mil milhões de reais (1,5 mil milhões de euros) em arrecadação neste ano e de 40 mil milhões de reais (6,3 mil milhões de euros) em 2026, segundo estimativas do Ministério da Fazenda do Brasil.