Primeiro a suspensão, depois a intenção, seguida de novos recuos e finalmente os avanços. No final de junho, depois de se reunir com Volodymir Zelensky à margem da conferência da NATO, em Haia, Donald Trump admitiu estar a considerar fornecer mísseis do sistema Patriot à Ucrânia, que precisa deles para se defender contra os crescentes ataques russos. Agora, sabe-se que não só deverá disponibilizar 10 mísseis deste tipo, como pretende enviar um sistema completo de defesa aérea Patriot (com lançadores e mísseis).

Se avançar com esta última doação — de um sistema completo — Trump vai fornecer material bélico à Ucrânia para além daquele que já tinha sido autorizado pela administração Biden, uma medida inédita. Mas a decisão não foi tomada de ânimo leve, aconteceu depois de dias de consultas com assessores e outros líderes mundiais sobre a origem dessas armas, avançou a Axios.

Na conferência de imprensa de 25 de junho em que admitiu pela primeira vez a entrega dos Patriot à Ucrânia, Trump fez questão de notar que são “muito difíceis de obter”. “Vamos ver se conseguimos disponibilizar alguns deles“, prometeu, enquanto destacava o seu desagrado perante a atitude de Vladimir Putin nas negociações para o fim da guerra da Ucrânia. Nessa altura, como destacou a Reuters, não ficou imediatamente claro se o Presidente dos EUA se referia à entrega de mais mísseis ou de sistemas de defesa aéreos completos.

A 1 de julho o aparente recuo. O Politico avançava que o Pentágono tinha decidido suspender o envio de alguns mísseis de defesa aérea e outras munições de precisão para a Ucrânia devido a preocupações de que os stocks de armas dos EUA estivessem muito baixos. A decisão inicial de suspender parte da ajuda prometida durante o governo Biden já tinha ocorrido no início de junho, e incluía tanto sistemas antiaéreos como antimísseis, mas o novo passo parecia indicar que a Ucrânia poderia mesmo não colocar as mãos nos dez Patriot bloqueados pelos norte-americanos.

Sabe-se agora que as armas de defesa que o exército ucraniano desesperadamente precisa estão a caminho da Ucrânia, mas também que Trump tem procurado soluções alternativas à cedência dos seus próprios recursos. De acordo com a Axios, os EUA estão a pressionar a Alemanha a enviar parte da sua própria reserva de Patriot.

A pressão de Trump à Alemanha

Segundo a agência de notícias, o chanceler alemão Friedrich Merz e Donald Trump têm mantido contacto para conseguir, num esforço conjunto, disponibilizar os mísseis Patriot à Ucrânia. Merz terá dito a Trump que a Alemanha está disponível para comprar mísseis Patriot dos EUA e enviá-los para a Ucrânia.

Por sua vez, Trump sugeriu que a Alemanha vendesse um dos seus sistemas de defesa anti-aérea Patriot a ser enviado para a Ucrânia, de acordo com três fontes familiarizadas com a discussão. A ideia seria dividir o custo da compra entre os EUA e os aliados europeus.

Trump e Merz não chegaram a um acordo definitivo, mas fontes ouvidas pela Axios afirmam que a discussão está em andamento e que poderá dar frutos em breve.

Estas armas, cujo nome completo é MIM-104 Patriot, são um sistema de mísseis guiados terra-ar. Ou seja, são mísseis capazes de atingir um alvo em pleno voo, que tenha sido disparado da terra ou do mar.

São sistemas usados essencialmente para defesa, para intercetar ataques aéreos. Abatem aeronaves, mísseis balísticos de curto alcance, mísseis cruzeiro e até drones que podem estar a uma distância de 160 quilómetros. São, por isso, considerados de longo alcance.

Em dezembro de 2022, Zelensky deslocou-se a Washington, naquela que foi a primeira viagem diplomática desde que a guerra tinha estalado, em fevereiro desse ano. Deu esse passo de sair pela primeira vez do país recém invadido precisamente para conseguir os tão desejados Patriot, que já se sabia serem na altura essenciais para defender as cidades ucranianas de todo o tipo de ataques russos.

Indústrias de drones, apoio europeu e compra de Patriots. Como a Ucrânia pode ultrapassar a suspensão da ajuda militar dos Estados Unidos

Alcançou alguma coisa. Nestes três anos de guerra foram vários os países que enviaram sistemas completos (como a Alemanha que enviou três ou os EUA, outros três e a Roménia um) ou parte deles (Países Baixos, por exemplo).  Neste momento a Ucrânia terá seis Patriot operacionais, segundo a Euronews, que são claramente insuficientes. O pedido inicial de Kiev era de 25, como noticiava em 2024 o Euromaidan, jornal online ucraniano, citando Zelensky.

[A polícia é chamada a uma casa após uma queixa por ruído. Quando chegam, os agentes encontram uma festa de aniversário de arromba. Mas o aniversariante, José Valbom, desapareceu. “O Zé faz 25” é o primeiro podcast de ficção do Observador, co-produzido pela Coyote Vadio e com as vozes de Tiago Teotónio Pereira, Sara Matos, Madalena Almeida, Cristovão Campos, Vicente Wallenstein, Beatriz Godinho, José Raposo e Carla Maciel. Pode ouvir o 8.º e último episódio no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music. E o primeiro episódio aqui, o segundo aqui, o terceiro aqui, o quarto aqui, o quinto aqui, o sexto aqui e o sétimo aqui]