O chefe do Estado-Maior das Forças Armadas francês, Thierry Burkhard, deixou, esta sexta-feira, vários avisos sobre os perigos geopolíticos que o Kremlin representa para o país. Numa rara conferência de imprensa antes do Dia da Bastilha, o líder militar advertiu que a Rússia designou França como a sua “principal inimiga”. “Foi uma declaração do próprio [Presidente] Putin. Isso não significa que não esteja preocupada com outros países.”, salientou.

Citado na imprensa francesa, Thierry Burkhard disse que França, uma potência nuclear, não enfrenta “diretamente” a possibilidade da Rússia atacar o território nacional de França “em larga escala”, mas salientou que Moscovo coloca em prática outros métodos para desestabilizar Paris — como operações híbridas, de que fazem parte desinformação, ciberataques e espionagem.

Enquanto “potência disruptiva”, a Rússia está envolvida em todas “as formas de ameaças” para França. Uma delas está relacionada com a sabotagem de infraestruturas marítimas, como os cabos submarinos. “Os submarinos nucleares russos entram regularmente no Atlântico Norte e, às vezes, descem para o Mediterrâneo. Procuram obviamente monitorizar áreas importantes”, explicou o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas francês.

No ar, também existem ameaças. Segundo o líder militar, há “situações de atrito” e as “interações são frequentes” entre aeronaves francesas e russas, particularmente na região do Mar Negro ou do Mar Mediterrâneo.

Os satélites são, de acordo com Thierry Burkhard, outra área em que a Rússia tenta enfraquecer França. O responsável militar apontou para as “manobras de satélites russos” que tentam “interferir na trajetória” dos franceses. “Aproximam-se das trajetórias dos nossos satélites ou para bloqueá-los, ou para espiá-los”, denunciou.

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Thierry Burkhard assinalou também que a Rússia coloca em prática campanhas de desinformação, que visam não só colocar em causa o apoio francês à Ucrânia, como também para prejudicar a imagem de França internacionalmente, em particular em África. “Ninguém se deixe enganar quando, em Bangui [capital da República Centro-Africana], uma bandeira francesa é queimada e outra russa é hasteada. Não é coincidência.”

O chefe do Estado-Maior das Forças Armadas referiu que a guerra da informação pode ser um importante trunfo para Moscovo desestabilizar Paris. “Eles perceberam que, se França tiver problemas nesta área, haverá um efeito dominó”, alertou Thierry Burkhard, acrescentando que esta ameaça é mais “difícil de combater”.