Lucy Harrison, de Warrington, em Inglaterra, foi morta pelo próprio pai enquanto o visitava no Texas, depois de uma discussão sobre o Presidente Donald Trump, segundo depoimentos prestados esta terça-feira e citados pelo Daily Mail. O caso, que remonta a janeiro de 2025, está agora a ser analisado num inquérito aberto no Tribunal de Cheshire, no Reino Unido.
A jovem de 23 anos encontrava-se nos Estados Unidos a passar as férias de Natal com o namorado, em casa do pai, e preparava-se para regressar ao Reino Unido, no dia 10 de janeiro de 2025. Foi baleada no peito às 15h47 (hora local, 23h47 em Lisboa). “Estávamos a preparar-nos para ir para o aeroporto e a conversar sobre armas”, disse o namorado, Sam Littler, à polícia, descrevendo os momentos que antecederam o disparo, segundo o tabloide inglês.
De acordo com um relatório da polícia de Cheshire, Lucy morreu devido a um ferimento de bala no coração, depois de ter sido “baleada por outra pessoa” a uma “distância média”, numa casa em Prosper, no Texas. Apesar disso, um júri do condado de Collin, no Texas, recusou avançar com acusações, e o caso acabou por não tramitar nos tribunais norte-americanos.
Imagens captadas pela bodycam de um dos agentes chamados ao local mostram o pai, identificado como “Sr. Harrison”, a explicar às autoridades que o disparo terá sido acidental. “Eu disse-lhe: ‘Tenho uma arma, queres ver?’ Ela disse que sim e então fui ao quarto, onde guardava a minha arma”, terá esclarecido o pai de Lucy, de acordo com o Daily Mail.
“Eu peguei no objeto e ele disparou enquanto ela estava parada ali”, afirmou ainda. “Estava dentro de uma caixa trancada na cabeceira. Peguei nela para dar uma vista de olhos e simplesmente disparou.”
Os depoimentos do namorado e da mãe de Lucy contrariaram essa versão, sustentando que a jovem não teria interesse em manusear uma arma de fogo, porque além de ser “categoricamente contra armas” já teria manifestado preocupação com o facto de o pai guardar uma arma em casa, onde viviam as filhas pequenas do seu novo casamento.
Durante a audiência, foi ainda lido o depoimento do agente Luciano Escalera, que esteve no local e disse ter sentido o cheiro de álcool no hálito do pai de Lucy. Depois de ter mentido inicialmente sobre se havia bebido no dia da morte da filha, Harrison terá admitido ter bebido uma caixa de vinho “pequena” (de 500 ml), terminada cerca de 45 minutos antes do disparo. O inquérito referiu também que o homem tinha sofrido uma “convulsão alcoólica” em 2023, seguida de reabilitação e posterior “recaída” em 2024, tendo “mentido” às autoridades sobre o seu historial com o álcool.
O namorado da vítima, Sam, contou ainda que Lucy tinha discutido com o pai na manhã da morte sobre Donald Trump. Nesse mesmo dia, o então Presidente dos Estados Unidos foi alvo de uma decisão judicial relacionada com o caso Stormy Daniels (foi libertado incondicionalmente depois de ter sido condenado por pagar subornos à atriz).
“O Kris e a Lucy acabaram numa discussão bastante acalorada, o que levou Lucy a subir as escadas a correr, muito chateada”, disse Littler ao inquérito, segundo o The Times. “Como é que te irias sentir se eu fosse a rapariga nessa situação e tivesse sido agredida sexualmente?”, terá acrescentado Lucy.
Em resposta, Harrison terá afirmado, segundo o namorado de Lucy, que tinha outras duas filhas a viver com ele e que, por isso, a situação não o afetaria muito.
Apesar de viverem em países diferentes desde que Lucy tinha dez anos, pai e filha mantinham contacto regular, e ela viajava para o Texas duas ou três vezes por ano para o visitar a ele e às irmãs. Às autoridades, o pai afirmou que eram “melhores amigos” e que era sempre um dia “emocionante” quando a filha regressava do Reino Unido. “Ela significava tudo para mim.” Mais tarde, acrescentou: “Aceito plenamente as consequências dos meus atos e não há um dia sequer em que não sinta o peso dessa perda — um peso que carregarei para o resto da minha vida, e sei que nada que diga poderá aliviar a dor que esta tragédia causou”.
“A Lucy era vida. Ela vivia intensamente e sem medo, sem receio de sentir tudo o que a vida tem para oferecer. A Lucy amava sem vergonha – tinha uma enorme capacidade de amar e ser amada”, disse a família da jovem depois da audiência, segundo o site da polícia local.
“Ela podia ser dramática e elaborar situações como se fosse o fim do mundo, mas também podia ser direta e não tinha medo de ter conversas ousadas. Ela estava realmente a prosperar na vida e, embora isso nos dê um grande conforto, estamos completamente de coração partido pela perda da nossa linda e maravilhosa Luce”, lê-se ainda.
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