Como é que se reconstrói um país devastado pela guerra? Como é que se varre o entulho de uma terra bombardeada em contínuo e se confia a tarefa de reerguer uma sociedade a um povo que não foi apenas oprimido por um ditador; a Alemanha cooptou Hitler, esteve entusiasticamente com ele em vários momentos, pelo que a história dos seus sobreviventes enovela uma complicada teia de cúmplices e vítimas, opressores e oprimidos, que tiveram de reconstruir o país na altura em que o vento da história mudou.

Mais, não se trata apenas da coexistência entre velhos nazis agora envergonhados e resistentes divididos entre o júbilo e a raiva por verem os cúmplices do Reich passearem livremente pela nova Alemanha; a escassez é tal, a fome, o frio, o caos, que se instala uma espécie de luta hobbesiana, em que mesmo esses que resistiram à desordem hitleriana são capazes de roubar, perseguir, e do que quer que lhes permita ganhar um prato de comida.

A história da reconstrução da Alemanha é, ao mesmo tempo, um dos maiores exemplos de cooperação e de divisão. As mesmas pessoas que se viam obrigadas a trabalhar juntas e a sarar feridas para reconstruírem as suas casas, que trabalharam com afinco na limpeza do entulho ou na reabilitação dos acessos, ocuparam e roubaram aqueles com quem, horas, dias ou semanas antes, eram capazes das maiores generosidades.

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