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“Noutro tempo, alimentava-me a doce Parténope, a mim,
Vergílio. Florescia dedicando-me a um ócio sem glórias,
eu que brinquei com poemas de pastores e, na audácia
da juventude, ó Títiro, te cantei à sombra de uma larga faia.”

Geórgicas, Livro IV

Em abril de 2014, depois de aceitar o desafio de uma antiga professora de latim, Gabriel A. F. Silva, então com 25 anos, começou a traduzir as Geórgicas, aquele que é provavelmente o poema menos conhecido de Vergílio, o grande poeta latino. Cerca de dois anos depois, concluiu o projeto, que saiu recentemente em livro pela editora Cotovia. Há duas décadas que aquele que será o segundo poema de Vergílio não tinha direito a uma nova tradução em Portugal, talvez porque, de todas as obras do poeta, esta seja aquela que é menos apelativa — o tema é a agricultura, mas há muito mais do que nomes de plantas e espécies de animais nas Geórgicas, como explicou o responsável por esta nova edição ao Observador, durante uma entrevista sobre Vergílio, a literatura clássica e a importância de a conhecer.

Apesar de ter estudado literatura clássica na faculdade, Gabriel Silva nunca tinha lido as Geórgicas de uma ponta à outra até dar início ao processo de tradução. O tema não lhe interessava muito e, além disso, não o tinha estudado na faculdade — e “estudar uma coisa é sempre um bom motivo para a ler”, como o próprio admitiu. Hoje, contudo, admite que é um dos seus livros favoritos (ainda que, no que a Vergílio diz respeito, prefira as Bucólicas, que se encontra neste momento a traduzir). Talvez porque, naquela que será a segunda obra de Vergílio, cabe muito mais do que agricultura: “A agricultura é o glacé, é a parte de açúcar que está por cima; por baixo, há um mundo de coisas a explorar, seja aspetos sociais, religiosos, culturais ou o diálogo infinito que existe com outros poetas, não só gregos, mas também latinos. É um texto impressionante”, explicou ao Observador. É só preciso dar-lhe uma hipótese.

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