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Cláudio avança em direção às grades, tingidas de um azul gasto pelo tempo. Atrás delas está Scar, um tigre grande e pachorrento, que desliza até à extremidade do espaço e encosta o focinho ao metal. “Andá cá, anda cá”, diz-lhe o domador, enquanto o animal abre muito a boca, soltando um ronco profundo. “Lindo, lindo, meu príncipe”, continua o dono, numa dança de afetos que oscila entre as festas e os beijos. “Se a minha mulher vê isto… ainda fica com ciúmes…”, atira, numa gargalhada.

Scar é um dos dois tigres que passeiam languidamente naquele retângulo convertido em casa há 19 anos. O outro chama-se Príncipe e parece menos dado ao convívio com os humanos. Está deitado numa espécie de prateleira na parte superior do espaço, com o focinho colado a uma janela minúscula de onde vai deitando o olho ao mundo. Os dois animais vivem numa jaula atrelada a um camião TIR. Está colada a uma área um pouco maior, circular e gradeada, que se desenrola para a frente — e onde os animais podem passear e abandonar, por momentos, a exiguidade da cela. Do lado esquerdo, há uma jaula igual, onde repousa um hipopótamo com o focinho entalado entre duas grades. Do outro lado da estrada, dois camelos caminham lentamente e à solta por entre um terreno relvado. A noite, passam-na no reboque; o dia, ao ar livre.

Cláudio Torralvo troca carinhos com Scar, um dos dois tigres que apresenta no Circo Cláudio. JOÃO PORFÍRIO / OBSERVADOR

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

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