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"É preocupante." AVC aumentam em adultos jovens, médicos pedem mudança nos estilos de vida

Frederico teve um AVC aos 24 anos e os dados indicam que 20% dos AVC já ocorrem em adultos jovens. "É cada vez mais frequente", alerta a neurologista Diana Aguiar de Sousa. A chave é a prevenção.

Frederico Augusto foi surpreendido por um AVC um dia depois de se ter casado. Tinha 24 anos e uma filha. “Era um dia normal, levantei-me, tomei banho e não me lembro de mais nada. Fui encontrado no chão, inanimado.” No hospital, o diagnóstico demorou várias horas. “Ninguém queria acreditar que um jovem de 24 anos, que praticava desporto, pudesse ter um AVC”, recorda Frederico. Mas a verdade é que pode. Aliás, ao contrário do que se pensa, os AVC não atingem só os adultos mais velhos e os idosos. Podem ocorrer em qualquer idade, desde o útero da mãe até ao final da vida.

O número de AVC em adultos jovens está, de resto, a aumentar em muitas regiões do mundo e, presume-se — porque ainda não existem dados consolidados que permitam conhecer em detalhe esta realidade —, também em Portugal. Segundo os últimos dados divulgados, no início deste ano, pela Organização Mundial do AVC, o peso dos casos de AVC em adultos jovens (pessoas com menos de 45 anos) aumentou de 10% antes da pandemia de Covid-19 para 18% em 2022. “Existe um aumento muito marcado dos AVC em adultos jovens a nível mundial”, confirma a neurologista Diana Aguiar de Sousa ao Observador. A adoção de estilos de vida menos saudáveis explica esta tendência, apesar de existirem também determinantes genéticos e malformações vasculares na base de alguns casos.

A vida de Frederico mudou, mas seis meses depois era de novo autónomo

Naquele dia de março de 2016, a vida de Frederico mudou. “Era um maluquinho do ginásio, chegava a ir duas vezes por dia”, recorda ao Observador. Nessa manhã, o jovem, que se preparava para ir de lua-de-mel com a mulher, foi transportado para o Hospital de São António, no Porto, onde foi sujeito a uma traqueostomia de emergência. “Não queriam acreditar que um jovem de 24 anos tinha tido um AVC”, repete, referindo-se aos profissionais de saúde que o trataram.

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Frederico Augusto é agora totalmente independente. Regressou ao trabalho e voltou a casar. "A vida não acaba", sublinha

(Rui Oliveira/Global Imagens)

Já no Hospital de São João, onde passou os dois meses seguintes, a equipa médica ter-lhe-á dito que a causa do AVC não pôde ser identificada. Frederico acredita, no entanto, que se deveu a uma série de fatores, como o colesterol elevado, o stress, o excesso de peso, o tabaco e o facto de consumir bebidas alcoólicas. Estes são todos fatores de risco conhecidos para a ocorrência de um AVC, a que se soma a hipertensão arterial.

10 fatores de risco para um AVC

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  • Hipertensão
  • Diabetes
  • Colesterol elevado
  • Fibrilhação arterial
  • Tabagismo
  • Alimentação inadequada
  • Sedentarismo
  • Consumo excessivo de álcool
  • Stress
  • Obesidade

Frederico enfrentou uma situação difícil, para a qual os médicos olhavam com apreensão. “Não comia, não falava, não andava. Estava muito debilitado. Apenas mexia os olhos. Os médicos tentaram sempre preparar a minha família para o pior, porque não tinham grandes expectativas para a minha recuperação”, lembra Frederico, apontado alguma falta de “sensibilidade” aos profissionais que o assistiram há sete anos. “Esperava mais humanidade”, admite.

A verdade é que, contra as probabilidades, a recuperação começou a ganhar forma. No Hospital de São João, Frederico foi estabilizado e iniciou o programa de reabilitação, essencial para a recuperação das funções motoras e não-motoras afetadas em resultado do AVC. Pouco tempo depois, o jovem foi transferido para o pólo de Valongo do Hospital de São João, para ser acompanhado pela especialidade de Medicina Física e Reabilitação, num centro com “todas as valências necessárias”. Cerca de dois meses depois, foi novamente transferido para outra unidade — o Centro de Reabilitação do Norte, na zona de Gaia, onde esteve mais um par de meses. Meio ano depois do AVC, regressou a casa já a andar, com a ajuda de um andarilho. “É como construir uma casa. Tanto no Porto como em Valongo, deram-me os alicerces. No Centro de Reabilitação, fiz os acabamentos”, diz Frederico, hoje com 31 anos. “Não ficou uma obra de ponta”, diz, com sentido de humor, garantindo que, ainda assim, saiu da unidade de Gaia totalmente autónomo.

Vários estudos têm apontado para um aumento da incidência de AVC em idades mais jovens, uma realidade para a qual grande parte da população não está desperta. “Há estudos, quer norte-americanos quer europeus, que mostram que existe um aumento da incidência de AVC em adultos jovens”, adianta Diana Aguiar de Sousa, membro da direção da Sociedade Portuguesa do AVC.

Ao Hospital de São José, chegam cada vez mais doentes jovens, revela a neurologista Diana Aguiar de Sousa

Luciano Reis Fotografia

Um estudo, realizado nos Países Baixos, revelou um aumento de 23% em adultos entre os 18 e os 45 anos (uma das definições mais utilizadas de AVC jovem), entre 1998 e 2010, “principalmente à custa do AVC isquémico (causado por oclusão de uma artéria), e que é diferente do AVC hemorrágico (causado pela rutura de uma artéria, dando lugar a uma hemorragia no cérebro)”, refere a médica. Em geral, cerca de 80% dos AVC são isquémicos e 20% hemorrágicos. Nos jovens, a proporção de AVC hemorrágico é superior, podendo chegar aos 40%.

“É preocupante.” Quase um quinto de todos os AVC já ocorrem em adultos jovens

Uma outra investigação, norte-americana, revelou que entre 2000 e 2010 houve um aumento de 44% nos casos de AVC em indivíduos com idade entre 25 e 44 anos. No Brasil, há vários estudos publicados sobre os AVC em adultos jovens. Nos anos 2000, um trabalho, realizado no estado do Paraná, identificou uma incidência de 10% dos casos em pessoas com idade inferior a 55 anos e de 3,9% na população com menos de 45 anos. Mas a incidência, nestas faixas etárias, tem vindo a aumentar com o passar dos anos: a Organização Mundial do AVC estima que, antes da pandemia de Covid-19, 10% dos AVC atingissem pessoas até aos 45 anos; em 2022, esse valor aumentou para os 18%, quase um quinto do total.

Na Unidade de Doenças Cerebrovasculares do Hospital de São José, onde Diana Aguiar de Sousa trabalha, têm sido também admitidos vários casos de adultos jovens com diagnóstico de AVC. “Temos tido muitos doentes jovens, é cada vez mais frequente, e muito preocupante”, admite a especialista.

Ao Observador, a presidente da Organização Mundial do AVC também admite estar preocupada com a tendência. “Temos visto mais AVC em pessoas jovens do que anteriormente. É preocupante”, diz a neurologista Sheila Martins, eleita para a liderança da organização no ano passado. Mas o que está a causar esta evolução?

Nos adultos jovens, há fatores de risco específicos que podem aumentar a probabilidade de ocorrer um AVC, como trombofilias genéticas ou adquiridas e cerebrais, dissecção arterial (a rutura da camada mais interna de uma artéria) e malformações cardíacas. “No entanto, a principal razão que explica o aumento da incidência nestas faixas etárias é a presença de fatores de risco clássicos, e não controlados em idade jovem, como diabetes, hipertensão, obesidade, colesterol, consumo de álcool, tabaco e drogas”, explica Diana Aguiar de Sousa.

"Temos visto que os mais jovens têm adquirido, 20 ou 30 anos antes do que é habitual, fatores de risco que são comuns nas pessoas mais velhas", sublinha a presidente da Organização Mundial do AVC

O mesmo diagnóstico é feito por Sheila Martins. “Temos visto que os mais jovens têm adquirido, 20 ou 30 anos antes do que é habitual, fatores de risco que são comuns nas pessoas mais velhas, como aterosclerose, fibrilhação arterial, arritmias, porque, regra geral, os jovens estão a ficar mais obesos, mais sedentários, mais hipertensos, a fumar mais, a fazer uma alimentação mais inadequada.” A pandemia veio acentuar ainda mais a mudança dos estilos de vida, que já se tinha iniciado antes. “No pós-pandemia, temos assistido a um aumento do número de AVC em idades mais jovens, sendo que a gravidade de muitos AVC também aumentou. Para além disso, a Covid-19 pode também ter tido um papel no desenvolvimento de doenças do aparelho circulatório, refere a médica, que trabalha no Hospital Universitário de Porto Alegre, no sul do Brasil.

Apesar de, em geral, os AVC afetarem praticamente de igual forma ambos os sexos, nas pessoas mais jovens, com menos de 35 anos, as mulheres têm uma probabilidade cerca de 40% superior de sofrerem um AVC isquémico (o mais comum), segundo um estudo publicado no jornal da Associação Americana de AVC. Uma diferença, explica Diana Aguiar de Sousa, que está provavelmente relacionada com fatores hormonais e com as gravidezes.

Em Portugal, faltam dados. Envelhecimento pode estar a atenuar o fenómeno

Em Portugal, não existem dados que avaliem a evolução dos casos de AVC nas faixas etárias mais jovens. Aliás, desde 2019 que não são publicados estatísticas sobre os casos de AVC — nesse ano, foram internadas cerca de 25 mil pessoas nos hospitais públicos. Ao Observador, a neurologista Elsa Azevedo, que coordena, em conjunto com o cardiologista Filipe Macedo, o Programa Nacional para as Doenças Cérebro-Cardiovasculares da Direção Geral da Saúde, adianta que “está a ser efetuada nova recolha e análise de dados, procurando-se melhorar a metodologia”. “Esperamos ter dados mais atualizados para divulgação provavelmente em finais de outubro”, diz a responsável.

Ainda assim, Elsa Azevedo admite que, em Portugal, a proporção de adultos jovens vítimas de AVC seja inferior aos 18% para que apontam os dados mundiais, o que se “poderá dever ao facto de termos em Portugal aumentado a esperança de vida e diminuído a natalidade, aumentando o número de pessoas na faixa etária idosa mais propícia ao AVC”. Numa leitura diferente, Diana Aguiar de Sousa admite que a evolução de episódios de AVC nos adultos jovens portugueses possa ser “muito semelhante à holandesa”, ou seja, deve-se ter registado um aumento acentuado desde o início do século.

De qualquer forma, Portugal continua a ficar mal na fotografia mais alargada nesta área, em comparação com outros países: embora se tenha registado uma melhoria nos últimos anos, o país mantém taxas de incidência de AVC e de mortalidade por AVC em toda a população que são superiores às de outros países ocidentais, refere Diana Aguiar de Sousa.

Ainda à frente das doenças oncológicas, as doenças do aparelho circulatório continuam a ser a principal causa de morte em Portugal (nas quais se incluem os acidentes vasculares cerebrais). Em 2021, os AVC mataram 9.613 pessoas em Portugal. Em Portugal, estima-se que ocorram 25 a 30 mil AVC todos os anos. No entanto, não há um registo de doentes, há muito pedido pela comunidade médica, o que dificulta a monitorização dos casos. “Não sabemos, de facto, quantos doentes são, como são tratados, onde são tratados, quais os resultados funcionais, quais as complicações, se tiveram acesso a reabilitação, qual reabilitação, nada. Os dados de que dispomos são medíocres”, dizia, já em 2021, a coordenadora da Unidade de Doenças Cerebrovasculares do Hospital de São José, Ana Paiva Nunes, ao SaúdeOnline.

“Hoje em dia, os erros alimentares são infelizmente muito frequentes desde a infância, o que, aliado à diminuição de atividade física, tem levado ao aparecimento de fatores de risco clássicos em pessoas mais jovens, que por sua vez provocam placas no interior das artérias que vão dificultando a circulação sanguínea para o cérebro, podendo culminar num entupimento completo, provocando um AVC”, explica Elsa Azevedo, também diretora do Serviço de Neurologia do Hospital de São João, no Porto.

Um dos maiores desafios é o diagnóstico atempado de um AVC. Nos adultos jovens, esse diagnóstico pode revelar-se mais demorado e difícil, reconhece Diana Aguiar de Sousa. Embora os sinais sejam semelhantes aos de pessoas mais velhas, e não exista um sintoma distintivo nestas faixas etárias, o diagnóstico é mais demorado porque a atenção dos doentes (e ainda de profissionais de saúde) tende a focar-se mais noutras patologias, como a ansiedade, doenças inflamatórias, ou outras doenças neurológicas mais típicas destas faixas etárias.

5 sintomas de um AVC

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Os 3’F

  • Fala: dificuldade em falar
  • Face: desvio da face; boca ao lado
  • Força: falta de força num lado do corpo
  • Perturbação súbita da visão
  • Perturbação súbita do equilíbrio

 

“Por isso, é importante alertar que o AVC pode acontecer em qualquer idade, e que, perante os 3 F (fala, face e força) deve ser contactado o INEM e avaliada a necessidade de ser ativada a via verde do AVC”, não desvalorizando os sintomas. Quanto aos profissionais de saúde, “já existe maior proatividade na ativação da Via Verde, sendo que a desvalorização dos sinais não é tão frequente”. “Quanto mais precocemente as pessoas forem tratadas, melhor é prognóstico”, realça a especialista. “As pessoas mais novas podem não estar sensibilizadas para o AVC e desvalorizar os primeiros sinais”, admite Elsa Azevedo, acrescentando que, “se o doente com AVC não chegar rapidamente a um hospital que tenha equipa de AVC, não beneficia dos tratamentos de revascularização que poderiam tentar desentupir a artéria e eventualmente fazer regredir os sintomas”. Em geral, um terço dos AVC são fatais e outro terço resulta em incapacidade temporária ou permanente.

No caso de Frederico Augusto, as sequelas deixadas pelo AVC foram desaparecendo, com a ajuda da reabilitação. A única sequela visível que se mantém, sete anos depois, realça, é a disartria, ou seja, a perturbação na fala. O casamento, celebrando um dia antes do AVC, não resistiu à hospitalização de Frederico. Depois de ter alta, o jovem esteve um ano a morar com os pais e depois foi viver sozinho. Voltou para o posto de abastecimento de combustível onde trabalhava menos de dois anos depois do AVC. Agora, leva uma vida muito semelhante à que tinha antes de março de 2016. Frederico conduz, voltou a casar e teve dois filhos com a nova companheira. É um dos membros mais antigos da Portugal AVC, e um dos dinamizadores do pólo da associação na zona do Porto. “Apesar de muita mágoa, tenho noção de que o meu caso foi bem sucedido”, confessa.

O AVC pode ocorrer em qualquer idade. Um jovem adulto “não pode ser arquivado pela sociedade”

O presidente da Portugal AVC, uma associação de doentes que dá apoio aos sobreviventes e famílias, garante que aumentaram substancialmente os pedidos de apoio de pessoas na casa dos 30 e 40 anos. “São muitos os casos e que nos surgem e de que tomamos conhecimento. Os casos nestas faixas etárias estão a aumentar, sobretudo devida aos estilos de vida (o stress, a falta de exercício e a má alimentação)”, diz António Conceição, referindo o caso de um jovem, de 30 anos, residente no Algarve, que pediu ajuda à Portugal AVC precisamente no dia em que o Observador entrou em contacto com a associação. “Ficou com sequelas gravíssimas e está em recuperação”.

O próprio António Conceição foi vítima de um AVC isquémico quanto tinha 41 anos, em 2009. “Nessa altura, aparecer um caso numa pessoa com menos de 45 anos era notícia. Hoje é algo corriqueiro. É o pão nosso de cada dia“, diz o responsável, sublinhando que a “a incidência em idades jovens é hoje muita acentuada”. “Muitas vezes pensamos que o AVC é uma doença de velhos, mas pode ocorrer em qualquer idade. Desde fetos ainda no berço da mãe até aos 120 anos”, refere.

"Muitas vezes pensamos que o AVC é uma doença de velhos mas pode ocorrer em qualquer idade"
António Conceição, presidente da Portugal AVC

O presidente da Portugal AVC sublinha também que os profissionais de saúde têm vindo a tomar cada vez maior consciência da incidência de AVC em faixas etárias mais jovens e a desvalorização dos sintomas não ocorre, hoje, com tanta frequência. “Diziam que devia ser um ataque de ansiedade, e por vezes a demora no atendimento era uma realidade. Neste momento, penso que se estão a dar passos no sentido de se valorizarem os sintomas”, realça.

Em adultos jovens, um AVC pode provocar, além das sequelas físicas, um impacto significativo a nível socieconómico, o que implica uma reinserção profissional adequada, que nem sempre acontece, diz António Conceição. “Alguém com 30 ou 40 anos não pode ser arquivado pela sociedade. Merece um processo de reabilitação e, depois, de reintegração social e profissional. É impensável, independentemente do AVC, que um jovem fique afastado do mercado laboral”, defende.

Nuno trabalhava 16 horas por dia. A reabilitação é agora o seu quotidiano

A reabilitação dos doentes é um ponto decisivo. É nessa fase de processo que se encontra agora o operário fabril Nuno Fonseca, de 44 anos. No caso de Nuno, o excesso de trabalho, e o stress associado, terão precipitado o AVC que viria a sofrer, numa madrugada de março do ano passado, uma vez que não tinha os outros tradicionais fatores de risco associados a um quadro de AVC. Nuno trabalhava 16 horas por dia, divididas entre dois empregos: um, de operário fabril na fábrica da Sagres em Vialonga, nos arredores de Lisboa; outro, como motorista de TVDE. Acumulava uma carga de trabalho excessiva há ano e meio quando teve o AVC.

No Hospital de Vila Franca de Xira, para onde foi transportado, sofre um outro AVC, também isquémico. O cenário era desanimador. “Um médico chegou a dizer-me para contar os segundos, o prognóstico era muito reservado”, conta, ao Observador, Ana Carina Silva, mulher de Nuno. Quatro dias depois, dada a gravidade da lesão cerebral, Nuno Fonseca foi transferido para o Hospital Garcia de Orta, em Almada (por falta de vaga nos centros de tratamentos da cidade de Lisboa, nos Hospitais de Santa Maria e São José), para ser submetido a uma cirurgia de descompressão craniana.

Nuno Fonseca continua a reabilitação, um ano e meio depois do AVC (na foto, com a mulher e o filho)

Um mês depois, Nuno voltou ao hospital de origem, já estabilizado. “Não tinha perdido capacidades de interpretação, de memorização”, embora a fala tivesse ficado afetada e tivesse dificuldades motoras. Duas semanas depois, foi referenciado para a Unidade de Cuidados Continuados de São Roque, no Parque de Saúde Pulido Valente, em Lisboa, para começar o processo de reabilitação. Em setembro de 2022, foi transferido para o Centro de Medicina de Reabilitação de Alcoitão, em Alcabideche. Aí prosseguiu fisioterapia, terapia ocupacional, treino de atividades da vida diária (como reaprender a vestir-se, alimentar-se ou fazer a higiene pessoal). Depois, passou os dois meses e meio seguintes em Alcoitão, em regime de internamento (“o máximo permitido”, segunda Ana Carina Silva), e foi referenciado para continuar a reabilitação noutro local. Foi a expensas próprias que a família teve de suportar o custo com a continuação da reabilitação numa clínica perto de casa, durante vários meses, até Nuno voltar a Alcoitão, no início de setembro deste ano. O processo é lento, mas Nuno já consegue manter-se de pé, com ajuda. Têm-se vindo a registar-se melhorias também na fala.

A chave para evitar a maioria dos casos, alertam os especialistas, é controlar os fatores de risco, isto é, prevenir a doença vascular cerebral. A campanha deste ano da Organização Mundial da AVC “é focada na prevenção, na mudança do estilo de vida, na deteção da hipertensão arterial, que é o principal fator de risco”, adianta a neurologista Sheila Martins.

“O melhor é mesmo prevenir. É essencial que as pessoas percebam isto e invistam na sua saúde. Serem proativos para detetar e tratar atempadamente os problemas. Podemos viver muitos anos, mas se não cuidarmos desde cedo da nossa circulação que leva o sangue com oxigénio e nutrientes ao cérebro, o cérebro não irá funcionar bem; corremos o risco de ter uma deficiência súbita (AVC) ou de ficar com uma demência vascular, e passar grande parte da vida com incapacidade permanente”, alerta Elsa Azevedo.

Se o AVC acontecer, “a vida não acaba”, diz Frederico Augusto. “Transforma-se ou, quanto muito, adapta-se.”

 
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