Exposições: o que vamos poder ver até ao fim do ano, cá dentro e lá fora /premium

29 Setembro 2018394

Da pintura à arquitectura, do azulejo ao desenho em papel, os próximos meses apresentam uma longa de lista de exposições a visitar, em Portugal e não só. A escolha das propostas é de Vasco Rosa.

Com o país em foco internacional, a rentrée expositiva portuguesa bem pode adoptar a consagrada expressão brasileira “devagar, quase parando”, ou o nosso típico “para quem é, bacalhau basta”. Não há uma política consistente de auto-representação cultural que nos distinga como país, nem vontade de melhor ilustração da nossa gente: apenas algumas boas partes soltas, aqui e ali, mas cuja coincidência temporal é um fruto do acaso.

Pessoalmente, gostei de ver há dias — e destaco — “Porto sentido de fora. Livros e guias de viagem de Portugal (1820-1974)”, que decorre na galeria municipal do Porto por ocasião da feira do livro daquela cidade, e portanto apenas até domingo, 23 de Setembro. Com base no acervo dum coleccionador particular e no da principal biblioteca da cidade, mais de 300 obras espalhadas em belas vitrines mostram a surpreendente variedade de livros estrangeiros que nos foram dedicados noutras línguas, enquanto nas paredes — além de citações daqueles livros — uma cronologia histórica, também em versão bilingue, regista factos relevantes em 150 anos de história portuguesa. Parece-me ser um daqueles casos que não devem perder-se na realização em curso, antes pede vida itinerante que sirva de exemplo a iniciativas do mesmo tipo.

E estou certo de que “Japão-Portugal, uma história de assombro, séculos XVI-XX” (organizada por Alexandra Curvelo e de Ana Fernandes Pinto, envolvendo o Instituto Diplomático do MNE e a Universidade Nova de Lisboa), que no fim de Novembro inaugura na galeria de pintura do rei D. Luís I, no Palácio da Ajuda, em Lisboa, irá também ela assombrar os seus visitantes (incluindo com interactividades sensoriais) e iluminar pela primeira vez o pico das relações entre os dois países num período tido como “muito interessante” — dos finais do século XIX ao limiar da segunda guerra mundial — todavia até agora deixado obscurecido pelo esplendor dos contactos iniciais que a arte nambam fixou para sempre, e pelo interregno bissecular (1640-1840) que lhe precedeu.

Ou que “Tempos modernos: cerâmica industrial portuguesa entre guerras”, expondo uma colecção privada que a 27 de Setembro inaugurou no negligenciado Museu Nacional do Azulejo (após certo adiamento, diga-se de passagem), ajudará a conhecer melhor a colaboração entre artistas e fábricas, renovando historiografia da arte, estudos culturais e o retrato duma época ainda mitificada.

Serviço de mesa da Fábrica de Loiça de Sacavém, c. 1930-50. Fotografia: © Tiago Pinto

O centralismo dominante na Direcção-Geral do Património Cultural continua a não permitir aos museus o desenvolvimento de websites autónomos e vivificados em que também a programação futura se revele à distância de meses, para conveniência de quem queira planear uma visita (até jornalistas têm dificuldade em obter dessa estrutura do ministério da cultura, apesar da diligência de quem atende, informações completas sobre a agenda dum mero trimestre adiante), quando é certo e sabido que exposições — e não só as mais exigentes — têm um calendário longo de pesquisa, recolha e montagem, e que se não são reveladas é porque a qualquer momento restrições orçamentais podem suspendê-las na folha do calendário, ao mesmo tempo que parece exigível a museus classificados como nacionais que produzam anualmente pelo menos duas boas exposições temporárias, implicando e dinamizando o trabalho científico dos historiadores de arte residentes ou de curadores especificamente contratados.

Algo pelo menos mudou no Museu Nacional de Arte Contemporânea, ao Chiado, com a nova directora (interina) Emília Ferreira a resolver impasse antigo e a conseguir agora divulgar “Vistas inéditas de Portugal. A fotografia nos salões de Lisboa, Paris, Viena e Madrid”, de 27 de Setembro a 20 de Janeiro. Assinalando 150 anos da primicial mostra de Carlos Relvas (1838-94) na Sociedade Promotora das Belas-Artes, imagens estereoscópicas dos primórdios da actividade deste fotógrafo ribatejano são exibidas pela primeira vez, como reforçado é o estudo da presença da fotografia nos salões de arte da época.

Mas sobre os museus de Guimarães, Viseu, Porto e Coimbra nada ou muito pouco consta, ou pode constar. E bem pode o Museu Nacional de Arqueologia assinalar 125 anos em 2018 com uma mostra temporária que lhe foi lançada nos braços e esticou por um longo semestre, e outra tirada do próprio bolso, num remix da pedra da casa (e sob tema tantas vezes glosado no passado), ou o Museu Nacional de Etnologia + Museu de Arte Popular persistir no seu limbo irredutível, de inércia obsessiva, agora acrescido de uma vocação de locador imobiliário com algo de intrigante (quem diria, Ernesto Veiga de Oliveira ou António Ferro?!) ou de espaço supletivo para o que num dado momento não cabe noutros lugares, esvaziando-se por inteiro a vocação e o nome que tem e carrega.

Desinvestimento, penúria de meios e de gente qualificada, um ambiente de pasmaceira recorrente e um remanso acomodatício de expectativas baixas estão de modo bem evidente a esmagar a larga maioria dos museus e galerias, justificando — digo eu — que comissão parlamentar de cultura digna do nome chame o sr. ministro da dita para explicações a deputados que representam cidades e distritos do país tão depauperados dela, ou mesmo o sr. ministro da educação para esclarecê-los das razões por que arquivos e museus de grande valor patrimonial sob tutela de universidades públicas se tornaram corpos inertes, sem programação expositiva regular, e quiçá expostos a grandes perigos de conservação e segurança não diagnosticadas ou atendidas — enquanto novos projectos museológicos anunciados aos quatro ventos, satisfazendo agendas politicamente correctas, parecem poder receber agora favores e recursos muito excepcionais.

Desenho de Mily Possoz inspirado em biombons nanbam, para o Pavilhão dos Portugueses no Mundo da Exposição de 1940. Obra que vai fazer parte da exposição “Japão-Portugal, uma história de assombro, séculos XVI-XX”. Fotografia de Pierre Guibert. © Arquivo Fundação Arpad Sznes – Vieira da Silva

(No suplemento “Babelia” do El País do passado dia 15, Estrella de Diego escrevia: “é impossível não pensar nos muitos museus universitários do mundo que, ainda que sem a contundência do Museu do Rio [de Janeiro], guardam obras insubstituíveis que nem sempre estão tão bem conservadas como merecem, pressionadas as instituições por outras necessidades do dia a dia.”)

Do renascimento ao século XX

Na Biblioteca Nacional, “Sob a chama da lucerna: Francisco de Holanda entre textos e imagens”, celebra — com o atraso dum ano — meio milénio do nascimento do artista e teorizador renascentista, numa exposição, entre 26 de Outubro e 31 de Janeiro,  que há de valer sobretudo pelo prestígio da sua comissária Sylvie Deswarte-Rosa, grande especialista da sua obra — obra que, repare-se, nenhum editor privado ou público se lembrou de publicar, renovando edições da década de 1980 há muito esquecidas ou difíceis de encontrar…

Na Madeira, as comemorações dos 600 anos do seu descobrimento (uma efeméride incomum) têm uma programação pífia, e nos Açores — dizem-nos de lá — os projectos expositivos para a nova temporada aguardam aprovação superior e como tal ainda não podem ser revelados.

A 20 deste mês a Fundação Carmona e Costa, em Lisboa, inaugurou uma exposição individual há muito esperada do pintor José Loureiro — considerado um dos mais interessante da actualidade —, no mesmo dia em que a Fundação de Serralves, no Porto, abriu as suas portas à primeira escala da digressão europeia de uma grande retrospectiva do fotógrafo norte-americano Robert Mapplethorpe (a primeira no nosso país como esta dimensão — e com esta polémica).

Também podemos ficar na expectativa de ver o que, a partir de 26 de Outubro, a Gulbenkian propõe com “Arte e arquitectura entre Lisboa e Bagdade. A Fundação no Iraque, 1957-1973”, revisitação da intensa troca artística, arquitectónica e tecnológica  desses primeiros anos da instituição, decisivos para a sua afirmação internacional, ou que, num outro tipo de registos mas ainda assim com boa promessa de estimulante, Pedro Proença faça como curador na Fundação Eugénio de Almeida (exposição “O Riso dos Outros”, Évora, de meados de Outubro a fins de Março).

Depois do “inquérito ao retrato português”, parte I, o Museu Nacional de Arte Antiga surpreende uma vez mais, conseguindo trazer à sua galeria temporária — a partir de 7 de Dezembro — mais de 120 quadros de Joaquín Sorolla Bastida (1863-1923), grande pintor valenciano.

Na beira-rio lisboeta, verdadeiro epicentro turístico e um percurso com soberbo desfrute panorâmico, é que a nova oferta expositiva terá de aguardar por melhores dias: no Centro Cultural de Belém, até 7 de Outubro vai valendo a magnífica exposição de fotografias do sul-africano Pieter Hugo (a não perder, de facto), mas nada ainda foi anunciado para depois; o Museu do Design e da Moda “fora de portas” abandonou o Palácio da Calheta, no topo do antigo jardim colonial; o MATT mantém a programação que vem da primavera ou do início do verão; o Museu Nacional dos Coches nada vai acrescentar à sua exposição permanente antes de Maio próximo; a Casa da América Latina, também na Avenida da Índia, não tem exposições anunciadas; a Cordoaria Nacional — um equipamento municipal com localização muito privilegiada, que despudoradamente foi posto a render (quem diria, João Soares?!) — ocupa-se até meados de Outubro com “Animal inside out”, um “safari anatómico” itinerante; o Museu do Oriente congela até fim de Outubro a mostra de 36 livros raros das estantes do antigo convento da Arrábida, a pequena vinheta (o decorativo elemento tipográfico parece-me apropriado neste contexto) com que assinala — sem mais — a sua primeira década de existência e três da própria Fundação que o criou; enquanto nas gares marítimas de Alcântara e Rocha do Conde de Óbidos os painéis de José de Almada Negreiros continuam “sob sequestro” da Administração do Porto de Lisboa, sem que intervenção de ministro, autarca — ou mesmo presidente da república — os devolva ao espanto de muitos (podendo a respectiva bilhetéria compensar custos inerentes à abertura dos edifícios).

Em contrapartida, o dinâmico Padrão dos Descobrimentos (indiferente a uma polémica insana) já fez saber que depois de retiradas, no fim deste mês, as fotografias de Luís Pavão que documentam o recente restauro do edifício escultórico, avança a 18 de Novembro com “Contar Áfricas!”, uma exposição pensada pelo historiador António Camões Gouveia como exercício científico-museológico em torno de objectos representativos dum continente “múltiplo e contemporâneo”, valorizado por visitas guiadas aos fins de semana com especialistas convidados, uma experiência bem sucedida no recente festival cultural latino-americano em que o Padrão participou. Parece estar atento ao interesse suscitado pela exposição “Drawing Africa on the Map” na Quinta do Quetzal, em Vila de Frades, que depois de ter integrado o festival Évora África, ficará naquela propriedade vinícola holandesa até 31 de Março do próximo ano.

Paisagens e memórias

Depois do “inquérito ao retrato português”, parte I, o Museu Nacional de Arte Antiga surpreende uma vez mais, conseguindo trazer à sua galeria temporária — a partir de 7 de Dezembro — mais de 120 quadros de Joaquín Sorolla Bastida (1863-1923), grande pintor valenciano que em 2017 esteve em grande evidência expositiva em Madrid e na primavera de 2019 terá grande retrospectiva antológica na National Gallery de Londres. São sobretudo quadros de “pura paisagem” de toda a Espanha, incluindo as suas zonas periféricas, com as quais o pintor participou num movimento geracional de renovação da imagem do país, obras pertencentes ao Museu Sorolla e a coleccionadores privados do nosso vizinho ibérico. A exposição intitula-se precisamente “Terra adentro. A Espanha de Sorolla” e é comissariada por Carmen Pena.

De paisagem trata também a nova proposta da Parques de Sintra — Monte da Lua: até Novembro, no picadeiro do Parque da Pena pode ser visitada “International Garden Photographer of the Year 2017”, mostrando as 39 fotografias vencedoras deste certame, com destaque para Nascer do Sol no Cerrado do brasileiro Márcio Cabral, que obteve o maior prémio dessa competição e é considerado um dos cinco melhores do mundo em fotografia panorâmica (faz também subaquáticas). Luísa Ferreira mostra as fotografias do seu projecto “Branco” na Galeria Monumental até 25 de Outubro. Sob o título de “Caligrafias”, o arqueólogo, autarca heterodoxo, documentarista premiado — e também fotógrafo — Santiago Macías expõe na sede da Direcção Regional de Cultura do Alentejo, em finais de Outubro, 35 imagens das suas viagens pelos países do Mediterrâneo sul, escolhidas por Jorge Calado, que também as apresenta e comenta no catálogo.

Da exposição de Santiago Macías: “Cairo”, 2006

A Galeria Ratton junta a 20 de Setembro “Memória” de Júlio Pomar e “Liberdade” de Sofia Areal, e logo ao lado, no mesmo dia, a Galeria Tapeçarias de Portalegre inaugura “Garotos do Calhau”, pintura e tapeçaria de Nini Andrade Silva. E a Galeria Valbom — diante da incompreensível indiferença da EGEAC e do Ministério da Cultura — assume a homenagem aos 90 anos do cartunista João Abel Manta e aos 40 da edição dum dos seus melhores livros, com uma exposição organizada por Pedro Piedade Marques que permitirá ver muitas dezenas de originais do extraordinário desenhador.

Proposta assertiva, sobretudo para uma instituição que vive ela própria no limiar da precariedade, dependente de apoios mecenáticos ou públicos e do depósito de obras pertencentes a particulares, que em geral deveriam ser estimados e garantidos, a Fundação Vieira da Silva – Arpad Szenes faz — e faz muito bem — o elogio dos coleccionadores privados, exibindo boa parte do acervo António Pinto da Fonseca construído nos anos 1970-80 (60 obras de 30 artistas, algumas delas pouco vistas), com a curiosidade ou a vantagem adicional de a escolha ser de seu filho Victor, director da revista ArteCapital, invocando por isso como título da exposição o flaubertiano “Educação sentimental”. Essa “re-visitação histórica”, como também lhe chamam, coincide com a reconstrução documental e reinterpretação actual do legado do colectivo de artistas Grupo 8 (Palolo, Conduto, Carvalho e mais cinco) que nos anos 1977-79 viveram, trabalharam e expuseram em Évora e Lisboa — um trabalho de pesquisa de Joaquim Tavares patente na Fundação Eugénio de Almeida, de 13 de Outubro a 31 de Março.

Na Culturgest de Lisboa, a programação de arte contemporânea dá a conhecer Juan Araujo, artista venezuelano de 47 anos residente em Portugal, com um curioso trabalho de pintura e desenho de aproximação à obra de arquitectos como Pancho Guedes e Lina Bo Bardi, ou de artistas como Mark Rothko e Jorge Molder, e que ali fará, de 20 de Outubro a 6 de Janeiro, um exercício de aproximação a Roy Lichtenstein, propondo ao espectador um jogo de reconhecimento.

Num Brasil em colapso e, segundo alguns, às portas duma guerra civil, o Instituto Moreira Salles não esmorece, apresentando para alegria e saudade de muitos — em São Paulo, de 18 de Setembro a 27 de Janeiro — uma grande exposição da obra gráfica do carioquíssimo Millôr Fernandes (1923-2012), crítico implacável da vida brasileira.

A Ana Vieira (1940-2016) são dedicadas duas exposições quase simultâneas: a Fundação de Serralves, do Porto, mostra as obras de sua colecção da artista, de 21 de Setembro a 4 de Novembro; e no dia seguinte, promovida pelo Centro de Artes Visuais, o Palácio da Inquisição de Coimbra mostra outros trabalhos, numa exposição cuidada por Albano Silva Pereira e Paulo Pires do Vale.

Entre São Paulo e Madrid

Num Brasil em colapso e, segundo alguns, às portas duma guerra civil, o Instituto Moreira Salles não esmorece, apresentando para alegria e saudade de muitos — em São Paulo, de 18 de Setembro a 27 de Janeiro — uma grande exposição da obra gráfica do carioquíssimo Millôr Fernandes (1923-2012), crítico implacável da vida brasileira, a partir do acervo do escritor e artista plástico garantidamente conservado no IMS desde 2013. Um dos três curadores é Cássio Loredano, também desenhista de grande categoria, e um livro será publicado com os originais expostos, vários ensaios críticos e uma cronologia apurada da vida e obra de Millôr. Caso para perguntar, se não há instituição portuguesa que se abalance a trazer essa magnífica exposição ao nosso país.

Na mesma Avenida Paulista, além duma parceira com a Tate inglesa, o MASP apresenta até 21 de Outubro “Histórias afro-atlânticas”, panorâmica de arte do século XVI à actualidade, num convite a uma revisitação do chamado “Atlântico negro”. São 450 obras de 241 artistas dispostas em oito núcleos temáticos, desde “Modernismos afro-atlânticos” aos surpreendentes “Retratos” e, como não podia deixar de ser, na moda política actual, “Emancipações, resistências e ativismos”, patente no Instituto Tomie Ohtake, co-organizador desta mostra. Quem for ao Rio de Janeiro não deve perder, no IMS, a exposição de 130 retratos fotográficos do malinês Seydou Keïta (1921-2001), considerado um dos precursores dos retratos de estúdio em África.

As principais cidades europeias têm sempre oferta farta, e quem possa fazer uma viagem de dois-três dias só tem de compatibilizar as datas das exposições para conseguir ver tudo o que quer.

No Museo Nacional Reina Sofia, de Madrid, “París pese a todo. Artistas extranjeros, 1944-1968″, abre a 21 de Novembro e prolonga-se a 22 de Abril. Sob este título prodigioso, é o pós-guerra com as suas feridas abertas e uma vontade de ressurgimento também estético que ali se apresenta. A Escola de Paris continuará a receber o influxo de artistas estrangeiros, desde norte-americanos favorecidos por uma lei de apoio a combatentes veteranos ou querendo escapar ao crivo de McCarthy, até latino-americanos bolseiros do estado francês, mas é também fora dela que novas tendências ganhariam expressão numa época tão fortemente politizada, como a da guerra fria. O comissário Serge Guilbaut propõe-se redescobrir e pôr em diálogo muitas obras que têm sido esquecidas pelos historiadores de arte.

Carlos Relvas, Monumento da Batalha, telhado de pedra da Casa do Capítulo e Coruchéu da cegonha. 1868. Prova actual em albumina. Coleção Mário Fernández Albarés

Na Biblioteca Nacional de Madrid, começando a 10 de Outubro e indo até 27 de Janeiro, os amantes de xadrez vão ter finalmente a sua chance, com a exposição “AjedreZ. Arte de silencio. Ocho siglos de cultura”, organizada por Eduardo Scala, que escolheu 32 títulos, tantos quanto as peças de cada tabuleiro. De origem incerta, o jogo foi comprovadamente reinventado na Península Ibérica, de que o tratado mais antigo é Reglamento del Ajedrez Antiguo, codificado sob a forma de poema pelo rabino Abraham Ibn Ezra em 1140. Na exposição há também livros de Lucena, Ruy López de Segura (gramático e primeiro campeão mundial oficioso, autor de Libro de la invención liberal y arte del juego de ajedrez, 1561) e muitos outros, além do primeiro “autómato de xadrez” inventada por Leonardo Torres y Quevedo em 1910-14.

No Círculo de Belas Artes, o sueco Lars Lerup apresenta-se de 20 de Novembro a 13 de Janeiro com “Parque móvil”, uma instalação de mobiliário esquisito inspirada na novela Watt de Samuel Beckett (1953), mas vai além do ambiente doméstico do extravagante Mr. Knott. Fundindo móveis diferenciados, fazendo de peças fixas veículos domésticos, criando cenas ilusionistas com novos objectos de uso irreconhecível, o artista interroga num mundo em acelerada mudança os ambientes familiares em que cada coisa tem o seu lugar próprio, o ideal de vida doméstica da classe média urbana do nosso tempo.

A Fundación Juan March, de 5 de Outubro a 13 de Janeiro, põe em evidência a obra da arquitecta italo-brasileira Lina Bo Bardi com a exposição “Tupi or not tupi, Brasil, 1946-1992”, mostrando — a quem duvidasse — que a nossa condição periférica parece não ter remédio ou fim à vista.

Na Fundación Telefónica, de 30 de Outubro a 17 de Fevereiro é o cinquentenário do filme de Stanley Kubrick a inspirar “2001. Odiseas de la inteligencia”, uma exposição oportuna sobre inteligência artificial (também dita automática) e inteligência biológica, numa espécie de balanço de meio século de progressos em “boa parte da rotina humana em praticamente todos os âmbitos da vida”, o ócio incluído. A sinergia entre arte, ciência e tecnologia é o eixo principal deste projecto comissariado por Claudia Giannetti.

Na Caixa Forum de Saragoça, fica até 11 de Novembro “A competición en la antigua Grecia”, uma escolha de tesouros artísticos tomados de empréstimo ao British Museum — entre os quais o friso do mausoléu de Halicarnaso — que colhe como motivo “a rivalidade com honra” e o postulado platónico de que a primeira e mais brilhante das vitórias é a que cada um consegue sobre si mesmo, em todos os aspectos da vida. Na Caixa Forum de Sevilha, até 4 de Novembro são ainda as vanguardas históricas de 1914-45 a poderem ser revistas em perspectiva, a partir da excelente colecção do Instituto Valenciano de Arte Moderno (legado do escultor Julio González, 1876-1942) e de obras de Alfaro Hofmann cedidas pelo escultor Andreu Alfaro (1929-2012). Em Barcelona, La Caixa apresenta de 18 de Novembro até 20 de Janeiro “Toulouse-Lautrec e o espírito de Montmartre”, 350 obras cedidas por colecções públicas e privadas internacionais que possibilitam uma viagem panorâmica ao decisivo Paris boémio de entre séculos.

Outro pintor português em evidência internacional é Paula Rego, que depois de fechar "All Too Human" na Tate Britain de Londres, em finais de Agosto, abre "Les contes cruels" no Musée l’Orangerie de Paris (de 17 de Outubro a 14 de Janeiro), uma exposição comissariada pela própria directora do museu, Cécile Debray.

Também em Barcelona, o Museu Picasso apresenta pela primeira vez — de 23 de Novembro a 24 de Fevereiro, no Palau Finestres — materiais, alguns deles inéditos, do arquivo dos editores de arte catalães Gustavo Gili Roig e Anna Maria Torra, que adquiriu em 2014 e é considerado de grande valor para a história das relações do pintor com a cidade, não só nas últimas décadas de vida, mas também na década de 1920, em torno do projecto da inovadora editora de arte para bibliófilos La Cometa.

Só até 21 de Outubro fica patente na Fundación Foto Colectania da capital catalã “In Search of Beauty. Saul Leiter” (1923-2013), pintor americano que se notabilizou como pioneiro da fotogenia a cores de Nova Iorque e afirmou um estilo muito pessoal que viria a influenciar cinematografistas como Gianni di Venanzo e Ed Lachman, que trabalharam para Antonioni e Todd Haynes.

De 5 de Dezembro a 31 de Março, haverá no Museu del Disseny de Barcelona “A explosão da publicidade. Estanho, papelão e cartazes cerâmicos 1890-1950”, uma digressão pela história da publicidade comercial gráfica dedicada a produtos do quotidiano de finais do século XIX a meados do XX, não apenas em papel.

No MEAIC de Badajoz, “Sombras e paradoxos” do pintor português Jorge Martins, de 5 de Outubro a 5 de Dezembro, é a sua primeira exposição “de envergadura” (sic) no país vizinho, e tem comissariado de Óscar Alonso Molina.

Outro pintor português em evidência internacional é Paula Rego, que depois de fechar “All Too Human” na Tate Britain de Londres, em finais de Agosto, abre “Les contes cruels” no Musée l’Orangerie de Paris (de 17 de Outubro a 14 de Janeiro), uma exposição comissariada pela própria directora do museu, Cécile Debray.

Em francês

Exposição em grande destaque é sem dúvida a muito aguardada “Renoir père et fils. Peinture et cinéma” — verdadeiros retratos cruzados —, que a 6 de Novembro preenche seis salas do Musée d’Orsay e aí fica até 27 de Janeiro, com várias actividades paralelas, depois de ter saído da Fondation Barnes, de Philadelphia, em Setembro.

Outra figura determinante da cultura francesa foi o editor Jérôme Lindon, da casa Éditions de Minuit, a quem a Bibliothèque National François Mitterand, num gesto nobre e exemplar, rende homenagem com a exposição “Les combats de Minuit: dans la bibliothèque de Jérôme Lindon et Annette Lindon” — de 9 de Outubro a 9 de Dezembro, em parceria com o Noveau Magazine littéraire — que tem por base a doação, pelos filhos do casal, dos livros dedicados a dois editores tão exigentes e ambiciosos, com tudo o que dedicatórias em livros podem revelar de estima intelectual, ou política.

De 17 de Outubro a 14 de Janeiro, o Centre Pompidou dá a conhecer “Uma vanguarda polaca: Katarzyna Kobro et Wladyslaw Strezeminisky”, um casal de artistas — escultora suprematista ela, pintor abstracto ele, ambos teóricos e “revolucionários discretos” — fundadores em 1931 do primeiro museu de arte moderna na Europa, o Museu de Lodz, envolvido na organização desta exposição, juntamente com o Instituto Adam Mickiewicz.

De Katarzyna Kobro

A Fondation Luis Vitton exibe “Egon Schiele”, de 3 de Outubro a 14 de Janeiro. O pintor que morreu em Viena de gripe espanhola em Outubro de 1918 é o justo destaque da rentreé europeia — considera a revista Connaisance des Arts, que lhe atribui a capa do número de Setembro —, com exposições também em Bruxelas e Londres, e claro está, com uma grande retrospectiva no Leopold Museum de Viena, a partir de 3 de Fevereiro próximo. Em Paris serão vistas 120 obras, entre desenhos, guaches e algumas pinturas, quase todas de colecções privadas.

Alphonse Mucha (1860-1939)  tem — desde a semana passada e até 27 de Janeiro — uma grande exposição no Musée du Luxembourg de Paris, que destaca o seu trabalho como ilustrador e designer arte nova, em especial os cartazes de grandes dimensões para ópera e teatro, além de publicidade, embalagens e joalharia — além de notas de banco e selos de correio da sua República Checa natal.

O Grand Palais abre as suas portas a “Éblouissante Venise. Venise, les arts et l’Europe au XVIIIe siècle”, de 26 de Setembro a 21 de Janeiro, enquanto o Institut du Monde Arabe, entre 10 de Outubro e 10 de Fevereiro, apresenta uma viagem virtual em alta definição e grandes formatos às cidades milenárias de Palmira, Alepo, Moussol e Leptis Magna — melhor dizendo, ao muito que elas foram e ao pouco que delas ainda resta. No Musée de l’Homme, o fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado apresenta a 8 de Dezembro “Déclarations”, 30 imagens de grande formato realizadas em 19 países (incluindo Angola e Moçambique) ao longo de 40 anos de carreira, ali reunidas numa homenagem aos setenta anos da Declaração Universal dos Direitos do Homem. A exposição fica patente até ao fim de Junho de 2019.

O Japão estará em grande evidência em Paris, pelo fim deste ano. Desde logo, com o Musée des Arts Décoratifs — que desde a sua fundação em 1864 foi recolhendo, conservando e mostrando arte japonesa como fonte de inspiração para criadores ocidentais — a apresentar “Japon-Japonismes, objects inspirés 1867-2018”, 1500 obras de arte que evidenciam 150 anos de trocas estéticas em que a mais fresca contemporaneidade também está presente, desde logo pela cenografia expositiva para monumentais 2200 m2 confiada a Sou Fujimoto, um dos arquitectos da nova geração minimalista japonesa. No Petit Palais, de 15 de Setembro a 14 de Outubro (um mês apenas, em razão da fragilidade dos objectos expostos, 30 rolos pintados ao longo duma década) as comemorações dos 160 anos de relações diplomáticas entre a França e o Japão são assinaladas com “Jakuchu (1716-1800). Le Rouyame coloré des êtres vivants”, a primeira mostra europeia da obra-prima deste artista fora de série, conhecido como “o homem da mão divina” e tido como um dos mais excêntricos de Kyoto, da colecção da Casa Imperial nipónica e antes apenas vista fora do país na National Gallery de Washington em Abril de 2012.

Em articulação com tudo isso, o recém-aberto Musée Yves Saint Laurent Paris (5 avenue Marceau) vai mostrar, de 2 de Outubro a 27 de Janeiro, cinquenta modelos de alta costura inspirados no Japão, Índia e China nas “viagens imaginárias, ou imóveis”, do famoso costureiro. Atento a todo este programa cultural parece estar o Musée de l’Art Brut de Lausanne, que surpreende com “Art Brut du Japon, un autre régard”, de 30 de Novembro a 28 de Abril, uma recolha de desenhos, pinturas, fotografias, têxteis e esculturas de 24 artistas de diferentes províncias do Japão, alguns dos quais já representados por galerias.

Em Arles (Mécanique Générale du Parc des Ateliers), até 6 de Janeiro decorre "Gilbert & George: the Great Exhibition (1971-2016)": mais de 80 obras compõem esta retrospectiva de meio século da dupla de vitralistas britânicos, que depois viajará para o Moderna Musset de Stockholm, para o Astrup Fearnley Museum de Oslo e para o islandês Reykjavik Art de Museum.

Na Capela do Palácio dos Papas em Avignon, até 13 de Janeiro, é possível visitar “Mirabilis”, remontagem cenográfica de algumas reservas do riquíssimo acervo dos museus da cidade por Christian Lacroix. São 400 objectos de arte de todos os tempos, escolhidos pelo costureiro francês — quase duas décadas depois de “Beleza”, experiência similar, em 2000.

Em Arles (Mécanique Générale du Parc des Ateliers), até 6 de Janeiro decorre “Gilbert & George: the Great Exhibition (1971-2016)”: mais de 80 obras compõem esta retrospectiva de meio século da dupla de vitralistas britânicos, que depois viajará para o Moderna Musset de Stockholm, para o Astrup Fearnley Museum de Oslo e para o islandês Reykjavik Art de Museum, com um catálogo bilingue com entrevistas.

Lições de história

Nos Musées Royaux des Beaux-Arts de Belgique, de 5 de Outubro a 27 de Janeiro, “Berlin 1912-1932” persiste no aparentemente inesgotável tema da arte entre guerras europeias, com a capital alemã como placa giratória de pluralismo artístico e metrópole cultural dos anos 1920. Também em Bruxelas, está patente no Musée Juif de Belgique, entre 18 de Outubro e 17 de Março, uma exposição itinerante da obra do judeu norte-americano Leonard Freed (1929-2006), fotógrafo da “desordem do mundo” ao serviço da agência Magnum.

No Musée de Flandre, em Kassel, Gaspar de Crayer: entre Rubens et Van Dyck está patente até 4 de Novembro — uma exposição destinada a redescobrir o pintor (1584-1669) esquecido pelo século XIX, e que dialoga com “De Crayer e Gand, um laço indissociável”, no Musée des Beaux-Artes de Gand, que encerra também no mesmo dia.

Peter Paul Rubens

De 12 de Outubro a 20 de Janeiro, o Rijksmuseum de Amesterdão apresenta “A Guerra dos 80 Anos: o Nascimento dos Países-Baixos”, há 450 anos — concebida pelo talentoso cenógrafo flamengo Roel van Berckelaer (1975-) — com 200 obras de arte evocativas desse decisivo conflito histórico, desde pinturas de Brueghel, Rubens e Ter Borch a largas tapeçarias figurando batalhas e cercos, além de documentos históricos, armas de guerra e vestuário de época, cartoons satíricos ou propaganda trunfalista.

A guerra também é tema expositivo no Naturhistorisches Museum de Viena: “War: tracing an evolution”, de 24 de Outubro a 28 de Abril.

No Kunstmuseum de Basel, de 20 de Outubro a 10 de Fevereiro, “Fuseli: drama e teatro” explora e retoma — trinta anos depois — uma alargada retrospectiva monográfica dedicada a este artista cenógrafo nascido em Zurique que fez carreira em Roma e Londres como “romântico negro”, inspirado por Milton e Shakespeare, e que colaborou com a John Boydell’s Shakespeare Gallery illustrate.

Em Veneza, o Guggenheim local relembra até 25 de Novembro “1948: la Biennale di Peggy Guggenheim”, reconstruída através de documentos, fotografias, cartas e a própria maqueta do pavilhão grego em que teve lugar, mas também algumas das obras da vanguarda nova-iorquina daquele período pertencentes à norte-americana (ou já não) que então foram vistas por europeus pela primeira vez. E ao mesmo tempo apresenta, a partir de 22 deste mês até 14 de Janeiro, uma retrospectiva de Osvaldo Licini (1894-1958), grande prémio de pintura na bienal de 1958, dez anos depois.

No Reino Unido, a oferta expositiva é uma vez mais de excelência. Na National Gallery de Londres, “Mantegna and Bellini” abre a 1 de Outubro e fica até 27 de Janeiro, confrontando dois grandes artistas que foram cunhados, mas tão distintos entre si como rivais — a primeiríssima exposição de sempre a explorar os laços criativos entre os dois artistas, organizada com o Staatliche Museen zu Berlin e a colaboração do British Museum, e apresentada como “oportunidade duma vida” para ver — em Londres —pinturas e desenhos dispersos pelo mundo inteiro. Também na mesma galeria nacional, a colecção do industrial inglês Samuel Courtauld (1876-1947) de pintores impressionistas mostra-se em “De Manet a Cézanne”, recém-inaugurada e que vai até 20 de Janeiro (com o patrocínio de BNP Paribas Real Estate).

Em inglês

Na Tate Britain, entre 24 de Outubro e 24 de Fevereiro, de Edward Burne-Jones são reunidos mais de 150 objectos, entre pintura, joalharia, vitrais e tapeçaria (algumas obras-primas de toda a sua carreira são reunidas pela primeira vez desde há décadas), mostrando como um artista marginal com pouca instrução formal de arte se tornou um dos mais influentes artistas britânicos do final do século XIX.

No Design Museum de Londres, de 20 de Outubro a 27 de Janeiro, "Peter Barber: 100 Mile City and Other Stories" apresenta e discute a obra deste arquitecto e urbanista britânico que dedicou boa parte da sua vida a desenhar habitação social, num momento de crise aguda da habitação na capital inglesa.

Na British Library, “Anglo-Saxon Kingdoms: art, word, war”, abrindo a 19 de Outubro e encerrando a 19 de Fevereiro, explora os primórdios da língua inglesa e da literatura inglesa, exibindo 180 tesouros que abraçam 600 anos: manuscritos de poesia e prosa em inglês antigo, livros manuscritos ricamente decorados com iluminuras, tais como os Evangelhos de Lindisfarne, Beowulf, a História Eclesiástica de Bede, o Domesday Book e o Codex Amiatinus — uma exposição que é apresentada como “a once-in-a-generation exhibition”.

No British Museum, “I Object: Ian Hislop’s Search of Dissent” reúne cerca de 100 peças de sátira de todos os tempos, até 20 de Janeiro. Há também “I am Ashurbanipal, king of the world, king of Assyria”, de 8 de Novembro a 24 de Fevereiro — uma exposição financiada pela BP — conta a história de “um dos maiores reis esquecidos” e “o homem mais poderoso da terra” (sic) bastando-lhe a incomparável colecção assíria do próprio museu, que permite reconstituir o esplendor do seu palácio, jardins exóticos e grande biblioteca, a primeira do mundo a ser criada com a ambição de alojar todo o conhecimento debaixo dum único tecto.

No Design Museum de Londres, de 20 de Outubro a 27 de Janeiro, “Peter Barber: 100 Mile City and Other Stories” apresenta e discute a obra deste arquitecto e urbanista britânico que dedicou boa parte da sua vida a desenhar habitação social, num momento de crise aguda da habitação na capital inglesa.

“Holmes Road”, de Morley Von Sternberg and Peter Barber

No Vitra Design Museum, “Victor Papanek: the politics of Design”, que abre a 29 de Setembro e encerra a 10 de Março, será a primeira grande retrospectiva da obra deste designer falecido em 1998, autor dos clássicos Design for the Real World, de 1971, e Design for Human Scale, de 1983 — e cujos temas dominantes, como inclusão, anticonsumismo, sustentabilidade e justiça social, têm hoje relevância máxima. Como tantas vezes acontece em realizações deste calibre, é a primeira oportunidade de conhecer documentos inéditos (incluindo parte da sua colecção etnográfica), cartas e esboços, ou material audiovisual das suas aulas e palestras, mas a herança fundamental de Papanek — o seu pioneirismo de debates actuais — expressa-se também em duas dúzias de trabalhos de discípulos que transportam as suas ideias para o próximo futuro. Outro designer em revisitação é o italiano Gio Ponti (1891-1979, também arquitecto e pintor), que o Museé des Arts Décoratifs de Paris expõe de 19 de Outubro a 10 de Fevereiro.

Na Bodleian Library, em Oxford — mas só até 28 de Outubro (inaugurou em Junho) — oportunidade para ver “Tolkien: Maker of Middle-Earth”, uma exposição de manuscritos e ilustrações relativas a The Hobbit, The Lord of the Rings a The Book of Ishness, objectos pessoais do escritor e alguma correspondência com admiradores.

O City Art Centre de Edimburgo exibe até 12 de Maio de 2019 a sua colecção de fotografia na mostra “In Focus: Scottish Photography”, desde os pioneiros Hill e Adamson, a Christine Borland e Dalziel + Scullion; e até 4 de Novembro documenta e discute “Travelling Gallery at 40”, a experiência de quatro décadas de uma galeria de arte itinerante (na verdade, um autocarro de dois pisos) que levou — e leva — até aos mais isolados recantos da Escócia a possibilidade de todos “experimentarem e envolverem-se com as artes”. E na Scottish National Gallery “Pin-Ups. Toulouse-Lautrec and the Art of Celebrity”, de 6 de Outubro a 20 de Janeiro, mostra pela primeira vez no país do whisky cartazes originais do Lautrec, Bonnard, Steinlen e Chéret, mas também obras de artistas britânicos activos em Montmartre naquele período, como Sickert, Melville, Fergusson e Nicholson.

O Metropolitan Museum of Art de Nova Iorque oferece “Armenia!”, uma grande exposição sobre a herança cultural do povo arménio contada a partir de 140 objectos de arte — incluindo livros antigos impressos na língua natural — tomados de empréstimo a grandes colecções (a Fundação Gulbenkian, incluída) e recolhendo o apoio de muitas e variadas instituições de prestígio, quer para a exposição quer para o respectivo catálogo. Apresenta também a colecção de arte nativa norte-americana pertencente a Charles e Valerie Diker — 116 obras-primas de artistas de 50 culturas indígenas diferentes, e por isso considerada a mais importante das colecções privadas —, e “City Dreams”, a primeira retrospectiva norte-americana do congolês Bodys Isek Kingelez (1948-2015), até 1 de Janeiro: maquetas para uma mais harmoniosa sociedade futura, criadas por materiais do quotidiano, como embalagens, plástico, caricas de garrafa e papéis coloridos.

No Solomon R. Guggenheim Museum, “Hilma af Klint: paintings for the future”, de 12 de Outubro a 3 de Fevereiro, é a primeira grande exposição monográfica da artista sueca nos Estados Unidos da América, e incide especialmente sobre o período 1906-20, quando já se convencera de que o seu trabalho nunca iria ser bem recebido, mas que hoje vem sugerir uma reavaliação do modernismo e suas vias de desenvolvimento. Em apêndice expositivos, o artista R. H. Quaytman, que organizou uma mostra de Klint em 1989, repercute nos seus próprios trabalhos a linguagem estética e a espiritualidade dela.

Anna Atkins (1799-1871) e as suas “blue prints” fotográficas estão de 19 de Outubro a 17 de Fevereiro na New York Public Library (edifício S. A. Schwarzman).

A Biblioteca do Congresso, em Washington, encerra a 20 de Outubro a demorada exposição “Drawn to Purpose. American Women Illustrators and Cartoonists”, que traz à luz a “notável mas pouco conhecida” contribuição de norte-americanas para duas formas de arte popular, o cartoonismo e a ilustração, em jornais, revistas e livros — um longo caminho entre convenções restritivas e o actual reconhecimento, seja profissional seja comercial. É só mais um tópico em que pesquisa e exibição em Portugal carecem de foco, estímulo, empenho e trabalho feito — ou simplesmente de algumas primeiras linhas de rumo que para lá encaminhem… Um pequeno esforço, portugueses!…

Artigo corrigido a 30 de setembro, com a informação atualizada sobre o número de obras de Joaquín Sorolla Bastida que vão estar em exposição no Museu Nacional de Arte Antiga

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