Guia da Poupança: Aprenda a multiplicar o dinheiro

31 Outubro 2018228

A poupança não é algo que se consegue de um dia para o outro, mas ao longo do tempo e com a estratégia certa. Anote dez ideias para poupar e aprenda a multiplicar o dinheiro com gestos simples.

Todos conhecemos a história “A cigarra e a formiga” que contém ensinamentos valiosos sobre poupança. Prefere ser como a cigarra que não pensou nos dias difíceis ou como a formiga que se precaveu para o futuro?

Poupar nem sempre é fácil, pode exigir trabalho e esforço como lembra o conto, mas no final vai compensar. Por isso aprenda a gerir o orçamento com 10 dicas sobre poupança.

Apostar na organização pessoal e fazer um orçamento mensal

Verificar a situação financeira do agregado familiar é importante para que possa ter uma noção clara sobre para que lado da balança está a saúde financeira das suas contas. O seu orçamento familiar recomenda-se? É positivo ou negativo? Ao apostar na organização pessoal, compreenderá quais são os gastos supérfluos e onde pode poupar para depois investir e rentabilizar o seu dinheiro.

Fazer um orçamento mensal, que englobe os rendimentos, despesas e objetivos de poupança, é por isso muito útil para o sucesso financeiro.

Os pequenos gastos todos somados podem ser maiores do que à partida imagina. Atualmente existem muitas aplicações para smartphones que permitem fazer a gestão das contas, mas uma folha de excel também é adequada para o efeito. Analise frequentemente as contas e perceba se existiram grandes oscilações num mês. Se sim, procure entender o motivo dessa curva inesperada.

É fundamental que seja metódico e não se esqueça de introduzir os valores que gasta diariamente. Reserve meia-hora do seu dia para apontar as despesas, porque não é difícil perder o rasto a 20 ou 30 euros que levantou no dia anterior. O problema está em gastar sem saber onde, todos temos direito a algumas compensações pelo nosso esforço profissional, seja a compra de uma roupa ou um jantar com os amigos, mas é importante que estas despesas sejam realizadas com conta, peso e medida. Os extras devem caber sempre no orçamento. O segredo está na organização e consoante os nossos objetivos financeiros e de poupança perceber que pequenos luxos podemos reservar para nos fazerem felizes.

Criar um fundo de emergência

Existem imprevistos ao longo da vida e por isso é importante ter uma reserva financeira para estar protegido perante as situações inesperadas. O fundo de maneio permite responder a despesas de saúde repentinas, a uma avaria no carro ou a uma perda de rendimento que não se esperava.

Embora algumas pessoas estejam expostas a riscos maiores, por exemplo os trabalhadores a recibos verdes, todos devem criar um fundo de emergência porque ninguém está imune aos imprevistos e não há nada mais tranquilo do que dormir com uma “almofada financeira”.

A recomendação dos especialistas indica que o fundo de emergência deve corresponder entre três a seis vezes o rendimento mensal familiar. Ou seja, se o rendimento mensal de uma família for de 1.500 euros, por exemplo, o fundo de emergência deve conter entre 4.500 e 9.000 euros.

Separar as contas que usa para as despesas correntes das contas poupanças

Um dos grandes segredos da poupança é em vez de economizar o que lhe sobra ao final de cada mês, poupar a priori quando recebe o salário. O ideal seria o máximo possível, mas os especialistas em finanças aconselham a que se retire uma quantia simples equivalente, por exemplo, a 10% do salário. Se apenas conseguir começar com 5% não se preocupe, o importante é que poupe todos os meses e de forma automática. O melhor é optar por transferir o dinheiro para uma conta poupança através de uma ordem de transferência automática mensal. Para isso, terá que encarar a poupança como se tratasse de uma despesa mensal e colocá-la de parte, conforme fosse um “pagamento”. É o que os especialistas em finanças pessoais aconselham: “Pague-se primeiro a si próprio”.

Por sua vez, o pagamento das despesas mensais e extras deverão ser realizados através de uma conta corrente. É importante ter esta conta separada da poupança. O motivo é simples: desta forma dificulta o uso do dinheiro que tem como objetivo estar reservado, evitando o risco de descontrolo financeiro.

Fazer um plano mensal de investimento

Se tem as finanças no bom caminho investir, por pouco que seja, é fundamental. Ter o dinheiro parado dificilmente é um bom investimento para as suas finanças, muito menos em contextos em que a taxa de inflação é superior à taxa que recebe numa conta poupança. Parte do dinheiro que conseguir amealhar deve ser aplicado numa solução de investimento, que esteja de acordo com o seu perfil de investidor, de forma a criar valor. Para investir nem sequer necessita de uma quantia elevada. Existem fundos de investimento que permitem fazer planos mensais a partir de 25 euros. Para rentabilizar o dinheiro faça uma transferência automática da sua conta corrente, através de um débito direto, para evitar a tentação de se perder em gastos desnecessários em vez de canalizar os recursos para o sítio certo.

Tome atenção aos benefícios fiscais do IRS

Na gestão inteligente do dinheiro é importante não esquecer os benefícios fiscais existente no IRS. Por exemplo, fazer um Plano de Poupança Reforma (PPR) pode ser sinónimo de poupança. Os valores aplicados em PPR até à idade da reforma são dedutíveis anualmente no IRS até 20%:

Existem igualmente outros detalhes relativos aos investimentos e às vantagens no IRS aos quais deve estar atento. Por exemplo, fazer uma aplicação financeira a oito anos e um dia será mais favorável do que uma a cinco anos, no que diz respeito à tributação. No caso dos rendimentos derivados da remuneração de depósitos ou de quaisquer rendimentos em instituições financeiras verifica-se uma exclusão da tributação de 20% do rendimento quando o vencimento da remuneração no final do período contratualizado ocorrer após 5 anos e antes dos 8 anos; já se acontecer depois do 8º ano a exclusão da tributação será de 60% e, portanto, mais favorável.

Invista parte da sua poupança

O truque dos especialistas é investir o que poupam. A tendência do ser humano é gastar o que poupou, motivado por um mecanismo inconsciente que tenta compensar o esforço que foi realizado. Não se precipite, use a razão e coloque tudo o que poupar, depois de assegurar o equilíbrio do orçamento familiar e o fundo de emergência, num investimento que permita ao seu dinheiro crescer. Quando falamos de poupança, falamos também em investir, uma forma de poupar a longo prazo. Aproveite o efeito da capitalização e coloque todos os meses o que sobrar em produtos financeiros, como os fundos de investimento. Esta mudança de atitude pode resultar numa reviravolta na sua vida, com a multiplicação dos recursos financeiros. É que ninguém enriquece a guardar “dinheiro debaixo do colchão”.

Diversifique as suas poupanças com mais e menos risco

A alocação de ativos é uma estratégia de investimentos que consiste na distribuição das poupanças através de produtos com maior e menor risco, com um peso que vai variar de acordo com os objetivos de rendibilidade, mas também com a tolerância ao risco.

O investimento em ações deve ser efetuado com dinheiro que não seja necessário num futuro próximo (por exemplo, 5 ou 10 anos), na medida em que implica uma maior volatilidade do valor e neste contexto o tempo funciona como um aliado que permite fazer frente às oscilações dos mercados financeiros. Apesar de ser possível ganhar muito dinheiro com este tipo de investimento, o capital não é garantido e por isso nem todas as pessoas têm o perfil para se aventurar. Para descobrir qual o seu perfil de risco pense qual seria a percentagem máxima que suportaria perder do seu património, entre os 10 e os 50%.

Para quem pretende ter uma estratégia de investimento equilibrada entre retornos e o risco a diversificação das poupanças torna-se essencial. Os fundos multiativos são uma excelente alternativa de investimento para quem pretende diversificar, na medida em que englobam produtos de maior risco (ações) e menor risco (obrigações) com alocações diferenciadas de acordo com perfis de risco.

Negociar os créditos e seguros

Gostava de adquirir casa ou carro novo? O crédito é a alternativa necessária para comprarmos aquele bem para o qual não temos disponibilidade financeira imediata, mas devemos sempre ter em atenção alguns aspetos. É necessário ter cautela com o montante em dívida e não exagerar na taxa de esforço, ou seja, no peso que o encargo mensal desse financiamento tem no rendimento médio mensal do agregado familiar. A taxa de esforço não deve ultrapassar os 45% do rendimento médio mensal do agregado familiar e os especialistas recomendam os 30%.
Para além do crédito habitação, muitas pessoas endividam-se através de outros créditos com juros altos, como é o exemplo do crédito ao consumo. Para atingir a estabilidade financeira um passo importante é amortizar o máximo possível os seus créditos, eliminando-os se possível. Existe também a hipótese de renegociar com o banco para obter condições mais vantajosas nos créditos que contraiu.

No que respeita aos seguros não vale a pena pagar pelo que não precisa.  Faça simulações na Internet e verifique se encontra condições e preços mais vantajosos. Quando adquire uma apólice, confirme também que não existe sobreposição das coberturas através dos vários produtos contratados. Caso identifique redundâncias ou melhores ofertas, procure negociar com a seguradora para reduzir o prémio.

Atenção às comissões financeiras

As comissões dos vários serviços bancários como as transferências, anuidades de cartões de débito ou crédito, consultas de movimentos e manutenção de conta têm aumentado ao longo dos anos. Esteja atento para não pagar demasiadas comissões e tente perceber quais os bancos que fazem as melhores ofertas. Consolide os produtos bancários numa só instituição para poupar nos serviços e ter maior margem de manobra no que concerne a negociar as condições.

Regra geral, na maior parte das contas ordenado, há um crédito autorizado que corresponde ao valor do seu salário. É preciso muito cuidado na utilização deste crédito, para evitar que ocorra sobre-endividamento.

Há ainda a considerar as comissões de subscrição, gestão e resgate de alguns produtos financeiros como os fundos de investimento. Aqui o investidor é soberano e a matemática é como o algodão: um gestor excecional sabe escolher as melhores empresas e ativos para investir, tendo clara noção que para entregar retorno ao investidor, tem de ser competitivo nas comissões.

Aposte na sua literacia financeiro

O investidor multimilionário norte-americano Warren Buffet tem uma regra que vale ouro: só investe no que compreende. Qualquer investidor, do mais pequeno ao gigante, deve seguir esta máxima para evitar surpresas.

Antes de avançar com qualquer investimento, mesmo que seja um simples depósito a prazo, é importante conhecer as especificações do produto em que vai aplicar as suas poupanças.

Faz também parte da literacia financeira saber que os portugueses investem sobretudo em depósitos a prazo, que atualmente rendem zero. Normalmente entende-se o risco como a perda de valor de um investimento. No entanto, para quem quer investir em períodos mais longos, como por exemplo para a reforma, existe um risco mais perigoso que é a inflação. É improvável que a longo prazo os produtos com capital garantido ofereçam retornos acima da inflação. Assim, este tipo de produtos acaba por significar perdas do poder de compra. O valor do investimento aplicado é assegurado, mas o valor “real” medido pelo poder de compra acaba por ir diminuindo ao longo do tempo.

Para ultrapassar a inflação, a alternativa é investir no mercado acionista, que tem sido a classe de ativos que melhor tem remunerado o capital e conseguido reter o poder de compra no longo prazo.

Não queremos ser todos iguais, pois não?

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É necessário contribuir para a mudança de atitudes dos portugueses face à sua alimentação, e de facto, uma boa gestão económica familiar requer um planeamento organizado.

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