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O hospital de campanha montado na IFEMA, em Madrid, viveu momentos de grande caos nos primeiros dias de funcionamento

AFP via Getty Images

O hospital de campanha montado na IFEMA, em Madrid, viveu momentos de grande caos nos primeiros dias de funcionamento

AFP via Getty Images

Hospitais de campanha. O que Portugal tem de fazer para evitar o caos de Madrid

Em Portugal já há várias dezenas de pavilhões equipados para receber doentes ligeiros, mas nenhum verdadeiro hospital de retaguarda. Bastonário dos médicos avisa que é preciso antecipar a necessidade.

De todo o país, chegam imagens que impressionam. Dezenas de pavilhões desportivos por todo o território nacional são, por estes dias, autênticos hospitais de campanha preparados por câmaras municipais e instituições privadas que só desejam uma coisa: que aqueles colchões militares em enfermarias improvisadas não venham a ser ocupados durante esta pandemia.

Todos têm como objetivo acolher doentes ligeiros se, ou quando, a situação nas várias regiões do país se agravar ao ponto de os hospitais distritais e centrais não serem capazes de dar resposta. Aí, os doentes mais ligeiros, que não puderem estar em casa mas que também não precisem de estar em hospitais, terão à sua disposição estruturas montadas pelas Forças Armadas e pelas autarquias para poder recuperar sem risco de contagiar outras pessoas e com acompanhamento médico.

Estes hospitais de campanha não são, porém, verdadeiros hospitais — e não têm capacidade para internar doentes que precisem de equipamento médico e tecnológico. E, numa altura em que muitos hospitais se aproximam do limite da sua capacidade de internamento, o país começa a precisar de pensar em alternativas.

Hospitais de campanha. Como se está a criar espaço para receber doentes Covid-19

No Porto, a Ordem dos Médicos e a Associação Empresarial de Portugal apresentaram uma proposta para construir um hospital de retaguarda com capacidade de internar até 624 doentes com um quadro clínico moderado, libertando os hospitais da zona norte — os que estão neste momento sob maior pressão — para os doentes mais graves. A proposta, porém, ainda está a aguardar resposta do Governo. E o bastonário da Ordem dos Médicos, Miguel Guimarães, avisa: Portugal tem de construir estruturas de retaguarda antes de precisar delas.

Se só as fizer quando forem precisas, adverte Miguel Guimarães ao Observador, Portugal pode correr o risco de mergulhar no caos com que Espanha se viu confrontada nos primeiros dias de funcionamento do hospital de campanha de Madrid.

O “desastre” no hospital de campanha espanhol construído à pressa

Na quinta-feira da semana passada, o rei Felipe VI saiu, discretamente, da sua residência nos arredores de Madrid para visitar a IFEMA, a Feira de Madrid, em cujos pavilhões as autoridades espanholas tinham instalado, em tempo recorde, um hospital de campanha para internar milhares de doentes infetados com a Covid-19. Com capacidade para 5.500 camas, aquele passava a ser o maior centro hospitalar de Espanha. “Um verdadeiro orgulho para todos. Ficará para a história“, assegurou o monarca durante a visita.

Para construir aquele hospital nos vários pavilhões da Feira de Madrid foram precisas duas mil pessoas, incluindo bombeiros e militares. Para lá trabalhar, chegaram 400 médicos e 400 enfermeiros, vindos de outros serviços da região de Madrid. Era preciso dar uma resposta urgente num país onde o número de infetados já era de várias dezenas de milhar e onde já tinham morrido centenas de pessoas.

Unidades de cuidados intensivos instaladas pelo exército espanhol na IFEMA

Ministério da Defesa de Espanha

Em poucos dias, porém, o “orgulho” de Espanha estava transformado num “desastre”. Erguido à pressa, em reação em vez de por prevenção, o hospital não estava verdadeiramente funcional. Segundo as denúncias dos profissionais de saúde que chegaram à imprensa espanhola, a regra dos dois metros de distância entre doentes não estava a ser cumprida, a falta de equipamento obrigava os profissionais a pendurarem o soro em paus de vassoura, os doentes de uma enfermaria inteira tinham de usar a mesma casa de banho, os equipamentos de proteção dos profissionais de saúde não chegavam para todos, os doentes passavam duas semanas sem tomar banho e nem o programa informático que ligava o hospital ao resto do sistema de saúde estava operacional.

Há mais risco de contágio do que de cura. É um desastre“, resumia uma enfermeira espanhola ao El País.

A falta de organização levou ao colapso daquela primeira experiência de hospital de campanha no país. A falta de um sistema informático tornava impossível saber quantos profissionais de saúde estavam a trabalhar, em que turnos e a que horas. A falta de material obrigou médicos e enfermeiros a protegerem-se com simples máscaras cirúrgicas durante o contacto com os doentes, apesar de ser imperativo o uso de respiradores que filtrem o ar. E, a dada altura, a falta de testes levou à admissão de doentes chegados de lares de idosos sem um diagnóstico validado de Covid-19.

Mais: os médicos e enfermeiros eram obrigados a chegar 40 minutos antes da hora a que normalmente chegariam, uma vez que o tempo de espera para obter um equipamento de proteção e para o poder vestir era incalculável. Filas “quilométricas” para ter acesso a material, camas a “dois passos” umas das outras, vestiários sem protocolos mínimos de proteção.

"Há mais risco de contágio do que de cura. É um desastre"
Enfermeira espanhola ao El País

Perante o caos — num país onde já morreram mais de 10 mil pessoas num universo de mais de 110 mil infetados —, muitos profissionais de saúde ameaçaram mesmo recusar trabalhar devido à falta de condições mínimas.

Esta semana, depois do caos que se viveu no pavilhão 5 da IFEMA, aquela ala, com capacidade para 350 camas, foi encerrada, uma vez que já estavam prontos os pavilhões 7 e 9 da feira, com melhores condições e garantias de espaço entre os doentes, proteção da intimidade e segurança para os profissionais de saúde.

“Temos de antecipar. Espanha não antecipou, foi reagindo”

Até agora, nenhum dos hospitais de campanha instalados ou pensados em Portugal se compara a estas grandes estruturas que já tiveram de ser ativadas em Espanha, em Itália — onde já há três semanas a Feira Internacional de Milão foi convertida num enorme hospital de campanha — ou no Reino Unido, onde o Serviço Nacional de Saúde britânico ergueu em apenas duas semanas um hospital de campanha com capacidade para 4 mil doentes.

Nesses países, o número de infetados a precisar de cuidados médicos está a esgotar por completo a capacidade dos sistemas de saúde, obrigando os governos a criar alternativas para acolher doentes que precisam, inclusivamente, de cuidados intensivos. No caso britânico, por exemplo, Nightingale é um autêntico hospital, que inclui até uma rede de abastecimento de oxigénio com seis quilómetros, comparável à dos hospitais normais, e que permite tratar doentes em situações graves.

Nightingale. O hospital para 4 mil pacientes que surgiu do nada em apenas duas semanas

No caso português, os hospitais de campanha estão projetados essencialmente para servir como estruturas de suporte e para acolher, na pior das hipóteses, doentes pouco graves ou sem sintomas, e que por algum motivo não tenham a possibilidade de ficar em casa ao cuidado de familiares — com o objetivo de aliviar a pressão sobre os hospitais centrais, onde são tratados os doentes com quadros clínicos mais graves.

A única exceção até agora será o projeto apresentado em conjunto pela Ordem dos Médicos e pela Associação Empresarial de Portugal (AEP), para construir no Porto um hospital de campanha com capacidade para mais de 600 doentes infetados com a Covid-19. Segundo o projeto divulgado pela Ordem, será um hospital modular — o que permite avançar já com um conjunto de camas e ir alargando a estrutura consoante as necessidades — composto por enfermarias com pressão negativa e acesso a equipamento tecnológico que permitirá o tratamento de doentes com um quadro clínico mais grave.

Ordem dos Médicos e Associação Empresarial de Portugal apresentam hospital de campanha no Porto capaz de acolher 600 doentes

O bastonário da Ordem dos Médicos, Miguel Guimarães, está convicto de que Portugal vai conseguir dar “uma resposta melhor que Espanha e Itália” — mas tudo depende da rapidez com que forem tomadas as próximas decisões. E não tem dúvidas: avançar com este hospital no Porto será “crucial” para o combate à pandemia.

Nós fechámos as escolas muito antes de Itália e de Espanha. No dia de evolução da pandemia em que Portugal fechou as escolas, nesse dia em Itália e em Espanha ainda não tinham sido fechadas“, diz ao Observador, salientando que foi a resposta tardia à crise, descurando a prevenção, que conduziu Itália e Espanha às situações dramáticas em que se encontram hoje. “Macau fez o que todos deviam ter feito. Ao oitavo caso positivo, fechou tudo. Isolamento social e 100% de proteção das pessoas. Era proibido andar sem máscara. E acabaram com a doença lá”, acrescenta, assumindo, contudo, que seria difícil replicar essa estratégia em Portugal. “Se fechássemos as escolas com dez casos, imagino a revolta popular, percebo isso.

No entender do bastonário da Ordem dos Médicos é necessário aproveitar o momento atual, em que os hospitais ainda estão a conseguir lidar com a pandemia — embora alguns já estejam a chegar ao limite da sua capacidade de internamento —, para criar já alternativas funcionais para o futuro. Isso significa criar hospitais de retaguarda, ou hospitais de campanha, que cumpram duas funções: uns que sirvam para os doentes mais ligeiros, que apenas precisem de um lugar para estar isolados e com acompanhamento médico; e outros que permitam ter doentes internados com um quadro clínico moderado. O objetivo? Libertar os hospitais centrais, que em breve deverão ser necessários exclusivamente para doentes que precisem de cuidados intensivos.

Temos de analisar o que aconteceu nos outros países e temos de antecipar. Espanha não antecipou, foi reagindo. Fez hospitais de campanha quando já precisava deles, e não antes de precisar deles. Por isso é que se gerou a confusão que se gerou em Madrid“, destaca Miguel Guimarães. “Temos de começar já a guarnecer a retaguarda. Podemos preparar hospitais e depois não precisar deles. Não há problema. Podemos pecar por excesso. Que seja. Prefiro pecar por excesso do que depois ir correr atrás do prejuízo.”

O bastonário da Ordem dos Médicos, Miguel Guimarães, diz que Portugal deve antecipar medidas antes que seja tarde demais

ANDRE DIAS NOBRE / OBSERVADOR

Para o bastonário da Ordem dos Médicos, é fundamental que Portugal não siga o exemplo de Espanha e de Itália, que “têm gerido as coisas à medida que acontecem“, sem antecipar — e vê sinais positivos naquilo que tem sido a ação do Governo, ao tomar medidas com maior antecedência.

Porém, Miguel Guimarães diz não compreender a falta de resposta ao projeto apresentado já há uma semana ao Governo para o hospital na Exponor. “Seria um hospital de retaguarda para vários hospitais”, assegura, referindo-se aos hospitais do Porto, Gaia e Matosinhos. “Ativando-se os quatro pavilhões da Exponor, consegue-se chegar às 624 camas. Todas em enfermarias de 12 camas com pressão negativa“, diz, sublinhando que este projeto triplicaria a capacidade do país em termos de camas em pressão negativa — atualmente existem cerca de 300 em todo o território nacional.

“Na nossa perspetiva, este hospital pode ser uma mais-valia para alguns doentes que tenham alguma gravidade”, sustenta Miguel Guimarães, recordando que o ambiente de pressão negativa é vantajoso tanto para os doentes como para os profissionais de saúde, uma vez que reduz a probabilidade de contágio. O projeto inclui também a instalação de meios de administração de oxigénio hospitalar, o que permite o internamento em boas condições de doentes com gravidade moderada — os que necessitassem de cuidados intensivos teriam de ser tratados nos hospitais centrais.

“O projeto foi apresentado há quase uma semana ao Ministério da Saúde. O secretário de Estado da Saúde disse que achou o projeto interessante e que rapidamente teríamos uma resposta. Não tivemos resposta até agora”, lamenta o bastonário. “Ontem tivemos uma reunião com a ARS Norte, com os presidentes dos hospitais e com os especialistas, e foi unânime que isto pode ser uma solução muito importante. Mas um hospital em rede com os hospitais do SNS está dependente do Ministério da Saúde. Pode vir a ser crucial para o combate à pandemia. Mas isto não se faz de hoje para amanhã.”

"Temos de analisar o que aconteceu nos outros países e temos de antecipar. Espanha não antecipou, foi reagindo. Fez hospitais de campanha quando já precisava deles, e não antes de precisar deles. Por isso é que se gerou a confusão que se gerou em Madrid"
Miguel Guimarães, bastonário da Ordem dos Médicos

Segundo Miguel Guimarães, a instalação do primeiro módulo demoraria cerca de 15 dias; depois seria possível alcançar cerca de 300 camas num mês e a totalidade das camas num mês e meio. Ao mesmo tempo, todo o hospital pode ser desmontado e guardado para usar mais tarde, noutros sítios, podendo ser inclusivamente transportado para outros países se Portugal entender ajudar algum parceiro desta forma.

“A ideia é descomprimir os hospitais. O S. João qualquer dia não vai conseguir ter lá estes doentes. O que temos de dar aos hospitais é mais camas de cuidados intensivos, mais ventiladores, duplicar ou triplicar as UCIs”, considera. “Estamos num momento crítico na capacidade de ajudar o país. Todos os minutos estão a contar.

Para este esforço de aliviar o esforço dos hospitais centrais contribuem tanto eventuais estruturas tecnologicamente avançadas, como esta proposta pela Ordem dos Médicos e pela AEP, como os hospitais de campanha mais simples espalhados por todo o país — e que estão a ser equipados graças à mobilização de vários setores, elogia Miguel Guimarães. “Há várias indústrias a produzir material, há muitas situações a caminhar em paralelo com diferentes protagonistas, há um sentimento de solidariedade em Portugal. Não podemos protelar decisões para salvar vidas.”

Segundo o bastonário da Ordem dos Médicos — instituição que também ficou encarregada de gerir o hospital de campanha para doentes ligeiros instalado no pavilhão Rosa Mota, no Porto —, se o país continuar a organizar-se na produção e distribuição de equipamentos de proteção e na mobilização de médicos e enfermeiros para os vários pólos, será possível evitar situações de caos como as registadas em Espanha e Itália.

Questionados sobre o número de hospitais de campanha existentes e planeados em Portugal e sobre a forma de evitar em Portugal problemas como os ocorridos em Espanha neste tipo de estruturas, tanto a Direção-Geral da Saúde como o Ministério da Saúde não responderam às perguntas do Observador.

Hospitais de campanha por todo o país

Embora nem a Direção-Geral da Saúde nem o Ministério da Saúde tenham informações completas sobre todos os hospitais de campanha — sobretudo sobre os mais pequenos a ser erguidos pelos municípios mais longe das grande áreas urbanas —, a verdade é que há neste momento milhares de camas instaladas em pavilhões gimnodesportivos, escolas, quartéis e outras instalações por todo o território nacional. São iniciativas levadas a cabo pelas autarquias, por associações locais e por autoridades regionais que se destinam a acolher os casos menos graves e aliviar o trabalho dos hospitais principais.

Estas estruturas juntam-se aos hospitais de campanha erguidos junto a praticamente todos os hospitais centrais do país pelo INEM, Forças Armadas, Cruz Vermelha e outras instituições, que têm como objetivo expandir a capacidade dos hospitais para acolher, testar e fazer a triagem dos doentes que chegam àquelas instituições com sintomas compatíveis com a Covid-19. É a partir destas áreas dedicadas que os doentes são depois encaminhados para o acompanhamento adequado — seja o internamento no hospital, seja a própria casa, seja, eventualmente, alguma destas estruturas de apoio ou hospitais de campanha.

O pavilhão Rosa Mota, no Porto, a ser preparado para receber até 300 doentes de Covid-19 que não precisem de internamento

LUSA

Só as Forças Armadas — além de estarem a apoiar na instalação de tendas de campanha junto a vários hospitais do país — disponibilizaram ao Serviço Nacional de Saúde um total de duas mil camas, distribuídas por diversas unidades militares em todo o país, incluindo regiões autónomas. A estas, somam-se todas as camas instaladas em pavilhões e outras propriedades por todo o país. Um levantamento feito pelo Observador através da consulta de imprensa local e regional e de comunicações das autarquias permite traçar um retrato, feito seguramente por defeito, do cenário vivido atualmente em Portugal.

As estruturas de maior dimensão encontram-se em Lisboa e no Porto. Na capital, os pavilhões desportivos do estádio universitário de Lisboa foram convertidos num hospital de campanha com capacidade para 500 pessoas. O projeto, que resulta da parceria entre a câmara municipal, a Universidade de Lisboa, o Exército, a Cruz Vermelha e os três centros hospitalares de Lisboa, destina-se a acolher doentes que não precisem de estar nos cuidados intensivos, mas necessitem de acompanhamento médico permanente. Os mais graves ficam nos hospitais.

No Porto, o pavilhão Rosa Mota foi transformado num hospital com capacidade para 300 camas, destinado a funcionar como hospital de retaguarda e acolher doentes com poucos sintomas ou assintomáticos que não tenham possibilidade de ficar em casa ao cuidado de familiares. O objetivo é, também aqui, aliviar os hospitais da cidade, já sob grande pressão uma vez que a área metropolitana do Porto é aquela que concentra mais doentes de Covid-19 no país. A secção regional do Norte da Ordem dos Médicos vai assegurar a gestão clínica deste hospital de campanha.

Mas estes esforços não se esgotam nas duas maiores cidades do país. Por todo o território há uma série de iniciativas postas em prática por autarquias e associações locais. Em Torres Vedras, a câmara municipal decidiu converter os pavilhões desportivos do Sporting Clube de Torres e do Externato de Penafirme em hospitais de campanha, cada um com capacidade para 30 camas, uma medida tomada em parceria entre a autarquia, a autoridade local de saúde e o Centro Hospitalar do Oeste.

Já em Almeirim, distrito de Santarém, a câmara municipal anunciou recentemente a conversão do pavilhão desportivo da escola secundária Marquesa de Alorna num centro de acolhimento para doentes com a Covid-19, com capacidade para 50 camas — um projeto em parceria com a Santa Casa da Misericórdia e um hotel local. A autarquia associou-se ainda ao Exército para montar um centro semelhante no pavilhão de Fazendas de Almeirim, também com cerca de meia centena de camas. Na cidade de Santarém, a câmara municipal decidiu erguer um hospital de campanha na escola básica Alexandre Herculano, por solicitação do Hospital Distrital de Santarém.

Na Marinha Grande e na Batalha os pavilhões desportivos já estão preparados para receber doentes se as unidades de saúde não conseguirem dar resposta

No distrito de Leiria, de acordo com um levantamento feito pelo jornal Região de Leiria, foram criados vários destes espaços, incluindo um centro para acolher doentes com Covid-19 num pavilhão desportivo no concelho da Batalhaoutro com 50 camas num pavilhão desportivo na Marinha Grande; dois pavilhões desportivos nas Caldas da Rainha, que totalizam 60 camas, incluindo um deles com capacidade para acolher doentes com maior necessidade de acompanhamento médico em articulação com o Centro Hospitalar do Oeste; e ainda um hospital de campanha no pavilhão desportivo de Alcobaça, com capacidade para 35 camas, cedidas pelas Forças Armadas.

No Algarve, segundo um outro levantamento feito pelo jornal Sul Informação, há respostas a ser preparadas em praticamente todos os concelhos. Em Faro, o pavilhão da escola básica de Santo António foi transformado num centro para acolher 74 pessoas; em Portimão, há um pavilhão municipal preparado para acolher até 18 pessoas e outros pavilhões identificados e prontos a receberem hospitais de campanha; em Albufeira, o pavilhão municipal já está equipado com 30 camas; o concelho de Lagoa tem dois pavilhões escolares prontos a receber 140 camas; outros concelhos já têm também os pavilhões municipais preparados para receber doentes, como é o caso de Lagos (250 camas), São Brás de Alportel e Loulé.

Na Guarda, a câmara municipal arrendou à diocese um centro apostólico com capacidade para 80 pessoas caso seja necessário prestar apoio ao Hospital Sousa Martins — com o objetivo de lá instalar doentes infetados com a Covid-19 que estejam em fase de recuperação.

Outro exemplo chega de Alijó, no distrito de Vila Real, onde a câmara municipal preparou 140 camas para acolher doentes com a Covid-19 caso a situação na região se agrave e as unidades de saúde não consigam dar resposta a todos os casos. As camas estão distribuídas pelo pavilhão gimnodesportivo do município e pela pousada da juventude.

Já em Braga, os vereadores do PS apresentaram esta semana uma proposta para converter o Altice Fórum Braga num hospital de campanha, para reforçar a capacidade de resposta no concelho. “É mais avisado precaver, avançando com soluções de recurso que possam evitar males maiores, do que reagir posteriormente para tentar resolver problemas derivados da inação”, defendem os vereadores socialistas.

Torres Vedras foi das primeiras autarquias a anunciar a instalação de um hospital de campanha num pavilhão desportivo no concelho

A estas estruturas preparadas pelas autarquias para funcionarem como hospitais de campanha junta-se uma outra rede — esta organizada centralmente —, de zonas de concentração e apoio à população que fazem parte do plano da Proteção Civil para acolher pessoas institucionalizadas em lares de idosos ou em outras estruturas. A secretária de Estado da Administração Interna, Patrícia Gaspar, explicou esta quinta-feira à imprensa que esta rede “conta já com cerca de 470 zonas de concentração e apoio à população, operacionalizadas nos 18 distritos, em parceria com as autoridades de Proteção Civil, a Segurança Social, a Cruz Vermelha Portuguesa e as câmaras”.

Muitas destas estruturas funcionam também em pavilhões gimnodesportivos, pousadas de juventude, quartéis de bombeiros e outros lugares disponibilizados para o efeito. “Temos neste momento uma capacidade que pode chegar às 28 mil pessoas, se ocuparmos todas na sua máxima capacidade”, explicou Patrícia Gaspar durante uma visita a uma destas áreas, instalada num pavilhão desportivo em Aveiras de Cima, no concelho da Azambuja, distrito de Lisboa. Existem ainda 242 unidades específicas para apoio a lares de idosos, com uma capacidade para 7 mil pessoas, o que eleva para 35 mil a capacidade total de acolhimento de pessoas em situação de fragilidade.

Além disto, ao abrigo da declaração do estado de emergência, o segundo pacote de medidas adotadas pelo Governo prevê inclusivamente a possibilidade de colocar idosos retirados de lares em hotéis contratados pelo Estado para esse efeito.

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