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Miguel Barbosa é vice-presidente do CDS. Entrou para a direção no congresso em que Francisco Rodrigues dos Santos foi eleito, em 2020

Miguel Barbosa é vice-presidente do CDS. Entrou para a direção no congresso em que Francisco Rodrigues dos Santos foi eleito, em 2020

Miguel Barbosa: Más sondagens? "PS hegemónico condiciona a realidade" /premium

Na Vichyssoise, vice do CDS atribui más sondagens ao poder do PS e duvida da tendência de "claustrofobia e atrofia" da direita. Líder não tem "pressa" de se sentar no Parlamento para ganhar palco.

As sondagens trazem más notícias atrás de más notícias para o CDS, mas a direção do partido tem uma tese: o problema é que o “hegemónico” PS condiciona a comunicação, os jornais e até o que é “fantasia e realidade”. De visita à Vichyssoise, Miguel Barbosa, vice-presidente do CDS, desvaloriza os maus indicadores e faz votos de que as próximas eleições desfaçam “a tendência de claustrofobia e atrofia de todo o espaço da direita”.

Fantasia, ou pelo menos exagero, diz Barbosa, são também as notícias de instabilidade do CDS, um partido cuja vida interna prefere descrever como “animada”. Uma coisa é certa: apesar de o CDS se queixar de ter pouco palco, Francisco Rodrigues dos Santos não está “com pressa” para ir para o Parlamento, onde se senta um grupo parlamentar com o qual o clima continua azedo.

Nas autárquicas logo se verá se essa agitação contribui ou não para enfraquecer o partido. O vice admite que serão um momento importante para a liderança, mas evita ao máximo fixar fasquias: “Prognósticos só no fim do jogo”.

Tendo em conta as atuais tensões e os jogos internos no PS, diga-nos lá: é mais confortável de vez em quando não ver só o CDS metido nestas “bulhas” e ficar de fora a assistir?
As ‘bulhas’ internas dos partidos, sejam eles quais forem, dizem muito pouco aos portugueses.

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Mas é preferível ver de fora, imagino. 
Não tenho particular prazer no mal dos outros. Preferia que o crédito do PS fosse delapidado pela não validação das suas políticas e pelo que a governação do PS tem feito ao país. Por este perder de vergonha a que temos assistido de forma mais insistente nos últimos meses, esta miscigenação entre PS e Estado que corrói a liberdade e a democracia.

Continua ao lado do líder do CDS apesar de toda a turbulência interna e da contestação. Considera que Francisco Rodrigues dos Santos tem condições para manter esta liderança mesmo depois do congresso? Acha que será reconduzido?
Estamos a preparar eleições autárquicas e falar de um próximo congresso é prematuro no CDS.

Mas Francisco Rodrigues dos Santos comprometeu-se com a realização desse congresso após autárquicas.
Evidentemente, é uma coisa a que o tempo nos obriga. Temos autárquicas em outubro e em condições normais teríamos congresso em janeiro. O que posso dizer é que esta ou qualquer outra direção do CDS tem de estar permanentemente disponível para prestar contas, empenhada em conseguir o melhor resultado para o partido e fazer aquilo que for possível para que o partido se una em torno dos combates eleitorais.

Considera que estas autárquicas podem funcionar como uma prova de vida para Francisco Rodrigues dos Santos? Qual é a fasquia para continuar na liderança, para fazer sentido continuar à frente deste projeto?
Essa é uma reflexão muito pessoal que o presidente do partido terá de fazer.

Mas enquanto membro da direção terá uma opinião, certamente. 
Eu sei de que é que a direita precisa nas eleições autárquicas e foquemo-nos nisso, porque é dessa mudança que o país precisa. E o partido precisa de uma mudança serena, precisa de virar a página, de confirmar aquilo que os Açores já nos disseram e a Madeira também já tinha dito: a maré está a mudar e o importante é que os partidos da direita se foquem no próximo combate autárquico em vencer o PS e engrossar esta maré de mudança. Tudo o que o CDS possa e deva fazer tem de ser subsidiário desta estratégia.

Mas autárquicas são ou não decisivas para a liderança de Francisco Rodrigues dos Santos?
As autárquicas, como qualquer outro momento eleitoral, são momentos importantes de reflexão daquilo que qualquer liderança é capaz de atingir. Os partidos e a política vivem, até bem mais do que o futebol, de resultados. Mas se quiser continuar nesta lógica de analogias com o futebol, diria que prognósticos só no fim do jogo.

"O mandato no Parlamento é da deputada Cecília Meireles. Todas as ações do presidente do partido são consistentes com este entendimento e não há nenhuma pressa nem nenhuma fixação em que o presidente vá para o Parlamento. Dissemos que a rua seria o nosso escritório"

No futebol pelo menos há objetivos tangíveis e ainda não se comprometeu com nenhum para estas autárquicas. Qual é a meta, qual é a fasquia?
O partido já se comprometeu: o objetivo passa por crescer e por manter as autarquias onde estamos e estamos a trabalhar para poder apresentar uma outra surpresa.

E se isso não acontecer Francisco Rodrigues dos Santos e a atual direção ficam em maus lençóis?
Se não acontecer cá estaremos para fazer a análise que se impuser. As coisas não são unívocas, vivemos num ecossistema partidário e é preciso percebermos que o que se passa à nossa volta. O que posso dizer é que será sempre com um grande desapego e com uma grande disponibilidade de quem tem uma direção constituída por pessoas que têm uma vida própria, carreiras profissionais aliciantes e, portanto, não será nunca por uma lógica de poder pelo poder que faríamos esse exercício.

Houve várias críticas internas à forma como o CDS negociou as coligações autárquicas com o PSD, sobretudo por não respeitar a vontade das estruturas locais. Esta não era a direção que prometia voltar a ouvir as bases contra o que dizia ser a tradição do portismo?
Peço imensa desculpa, mas essa leitura é perfeitamente enviesada da realidade.

É a leitura que parte do partido faz.
Nós aprovámos no último Conselho Nacional cerca de 80 coligações, uma primeira tranche, digamos assim, de coligações, houve algum rebuço em torno de uma ou outra, não mais de duas; ainda assim o partido tem regulamentos e eles foram escrupulosamente cumpridos. A Comissão Executiva limitou-se a confirmar a estratégia que os dois órgãos locais do partido emanaram. Nem sequer se pode falar de uma intervenção abusiva da direção do partido ou ao arrepio dos que são os representantes das estruturas locais.

Outra das queixas tem sido uma aparente dificuldade do CDS em marcar a agenda. Acredita que Francisco Rodrigues dos Santos teria mais facilidade em marcar a agenda se estivesse no Parlamento e, nesse caso, Cecília Meireles deveria ceder-lhe esse lugar?
Cecília Meireles é uma das melhores deputadas do Parlamento e uma das melhores deputadas do CDS. Essa é uma polémica que não vale a pena alimentar, o mandato é da deputada Cecília Meireles, ela entende que tem condições para o desempenhar e ainda bem. Todas as ações que o presidente do partido são consistentes com este entendimento de que temos ali um ativo forte e não há nenhuma pressa nem nenhuma fixação em que o presidente vá para o Parlamento.

Mas um dos grandes focos de discussão interna é a relação com o grupo parlamentar. Acha que os deputados têm culpa na instabilidade do partido?
Em primeiro lugar não me parece que o partido tenha instabilidade, o partido tem estabilidade, tem uma vida interna animada como têm todos os partidos. E isso não traz um voto, no limite retira. O desafio da direita é somar votos, o desafio do CDS é ser a direita que soma. Nós não estamos na política para alijar votos com discussões deste tipo, estamos na política para somar.

"As sondagens não são para ser ignoradas, mas lidas sobretudo à luz de um momento em que temos um partido que é hegemónico no poder, que condiciona a comunicação, que financia ou subsidia diretamente órgãos de comunicação social e portanto nós não sabemos o que é fantasia e realidade..."

Mas a direção do partido é que se tem queixado repetidamente, até em reuniões do partido, de ter problemas internos que prejudicam a agenda do CDS.
O que é dito nas reuniões internas não faz parte da esfera pública nem da mensagem do partido. A nossa mensagem é muito simples: nós queremos ser um eixo na alternativa à direita em Portugal, temos um programa claro — o Francisco Rodrigues dos Santos foi muito claro, no encontro do Movimento Europa e Liberdade, na forma como traçou esse programa — e preferia conversar sobre esses temas que nos mobilizam e motivam as pessoas do que as pequenas tricas internas.

No início do ano uma sondagem dava 0,3% ao CDS e houve quem conjeturasse o fim do partido. Ao longo dos últimos meses as sondagens têm subido, mas não além dos 1,5%. As sondagens preocupam ou vai dizer que as verdadeiras sondagens são as das urnas?
Acho que vivemos um momento muito intrigante na vida política portuguesa, em que o ar é muito pouco respirável. As sondagens não são para ser ignoradas, mas lidas sobretudo à luz de um momento em que temos um partido que é hegemónico no poder, que condiciona a comunicação, que financia ou subsidia diretamente órgãos de comunicação social e portanto nós não sabemos o que é fantasia e realidade…

Portanto a culpa das sondagens do CDS é da hegemonia do PS.
Não, estou a dizer que não estou em condições de tirar uma conclusão cabal das sondagens. Acho que devemos esperar pelo resultado das urnas e perceber se essa tendência se confirma. Nós estamos convencidos de que não.

De que não se confirma nos 0,3% ou 1,5%?
Estou convencido de que não irão confirmar tendência de claustrofobia e atrofia de todo o espaço da direita.

Mas à direita nem todos os partidos demonstram essa tendência. A IL e o Chega vão subindo, o CDS não…
Mas no conjunto a direita não cresce. E esse é o estribo de toda a narrativa que é construída de que não há alternativa em Portugal e portanto o que temos é a geringonça ou o caos. Essa narrativa tem de ser desmontada. São as urnas que a vão desmontar.

"Quem equaciona entregar o seu voto a outro partido esperando lá encontrar a direita que o CDS representava não a vai encontrar. Irá encontrar um partido que perde a característica humanista do CDS, um partido construído em cima de aborrecimentos e de ódio, e do outro lado partidos que não sei se podemos sequer dizer que são de direita"

Mas quando temos dois partidos à direita a crescer e um que está em francas dificuldades, como é que isso se explica?
A recomposição dos espetros partidários é um fenómeno que tem pelo menos 10 ou 15 anos na Europa e com que os partidos têm de saber viver. No CDS, a questão põe-se de forma muito clara: não será possível encontrar o CDS fora do CDS. Portanto, quem equaciona entregar o seu voto a outro partido esperando lá encontrar a direita que o CDS representava e que as pessoas percecionam como não representando não a vai encontrar. Irá encontrar um partido que perde a característica humanista do CDS, um partido construído em cima de aborrecimentos e de ódio, e do outro lado partidos que não sei se podemos sequer dizer que são de direita, porque a forma como se posicionam por exemplo nas questões da vida está muito longe do que é o posicionamento do CDS. O desafio é ter um discurso e propostas e as pessoas percebam que é sempre um partido que soma, que contribuirá sempre para uma solução de alternativa de direita em Portugal, sem condições a priori e sempre com um discurso construtivo.

Há quem não concorde com a sua tese e vá preparando  uma alternativa à atual direção.  Adolfo Mesquita Nunes continua a ser uma ameaça para esta direção? 
É um dos militantes mais destacados do partido. Essa é também uma das polémicas que me parecem espúrias e desnecessárias. A direita está nos seus mínimos olímpicos, precisa de todos, o CDS precisa de todos. Este não é apenas um discurso oficial: é uma realidade, um facto.

Mas está, a cada pergunta sobre a vida interna, a dizer que são polémicas espúrias criadas pela comunicação social, quase sugere isso. Adolfo Mesquita Nunes, há poucos meses, enfrentou abertamente Francisco Rodrigues dos Santos num Conselho Nacional. 
Eu não disse que existiam por causa da comunicação social. Todas as organizações têm espaço para gestos de liderança, no sentido de as pessoas se disponibilizarem para caminhos alternativos e também para confirmar os caminhos que estão a ser seguidos. Neste caso foi o que aconteceu, de forma bastante clara.

Adolfo Mesquita Nunes daria um bom líder do CDS?
Neste momento o líder do CDS é Francisco Rodrigues dos Santos, tem um caminho em que eu me revejo, uma proposta clara, qualquer militante tem a possibilidade de se candidatar à liderança e há um conjunto de militantes do CDS que têm qualidades muito grandes — não sei se serão para líderes, se para outras coisas… O Adolfo já prestou enormes serviços ao partido noutras circunstâncias e não sei se isso é algo que o mobilize.

Como é que olhou para a intervenção de Francisco Rodrigues dos Santos no MEL, em que deixou algumas críticas, ainda que indiretas, ao PSD? Isso contribui para a tal direita que soma? E o CDS acredita que é com Rui Rio que a direita vai voltar ao poder?
O CDS acredita que o PSD é o parceiro estratégico natural para dar a volta e mudar a maré do socialismo em Portugal.

Com este líder?
Com o líder que o PSD tiver. O CDS é um partido institucionalista e trabalha com os líderes dos partidos estratégicos na sua área.

Mas faz uma avaliação positiva do mandato de Rui Rio?
Não tenho de fazer uma avaliação, não sou comentador político nem militante do PSD.

Passamos ao segmento carne ou peixe, em que o candidato tem de escolher uma de duas opções.

Preferia ir comer uma sardinha no pão e beber uma imperial — ou um fino — com Adolfo Mesquita Nunes ou Assunção Cristas?
Com os dois. Conheço relativamente mal Assunção Cristas, não conheço muito bem o Adolfo Mesquita Nunes, e teria muito gosto talvez não em comer uma sardinha, mas uma bifana.

Para dar lugar a Francisco Rodrigues dos Santos no Parlamento, quem é que tirava de lá: Cecília Meireles ou João Almeida?
Não tenho de tirar ninguém do Parlamento…

Mas imagine que eles queriam sair. É um cenário hipotético.
Preferia que nenhum deles saísse.

Preferia ir dar um mergulho na praia com Pedro Nuno Santos ou com António Costa?
Acho que a praia ia estar vedada nesse dia. Não são companhias com quem nos devamos meter na água. A maré vai virar.

Preferia ajudar a escrever slogans para o Iniciativa Liberal ou para o Chega?
O meu pouco talento está ao serviço do CDS, não é mercantilizável.

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