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epa12123505 Israeli Prime Minister Benjamin Netanyahu addresses a press conference in Jerusalem, 21 May 2025.  EPA/RONEN ZVULUN / POOL
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RONEN ZVULUN / POOL/EPA

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Netanyahu quer aproveitar "onda do sucesso" do Irão em eleições antecipadas. Mas ainda espera por acordo em Gaza e com a Arábia Saudita

A guerra com o Irão foi definida como um sucesso e Netanyahu recuperou terreno nas sondagens. Mas eleições antecipadas dependem de outros objetivos: cessar-fogo em Gaza e acordos com a Arábia Saudita.

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Faltavam 23 dias para as eleições legislativas de 1981, quando o primeiro-ministro israelita Menachem Begin ordenou um ataque aéreo ao reator nuclear iraquiano que se encontrava em construção nos arredores de Bagdade. Nas eleições do dia 30 de junho, o Likud de Begin reconquistou a maioria no Knesset, invertendo as sondagens que davam a vitória ao partido da oposição, liderado por Shimon Peres, que acusou o chefe do executivo de ter atacado o Iraque com motivações partidárias. Passados mais de quarenta anos, estes eventos são recordados pelo jornalista e analista político israelita Yossi Verter, que os compara ao momento que Israel ultrapassa agora.

Benjamin Netanyahu, também ele líder do Likud, ganhou as eleições legislativas de 2022 e deveria ir novamente às urnas em outubro de 2026, mas é improvável que a sua coligação de governo, que depende do apoio de outros cinco partidos, se mantenha de pé até essa data. Há apenas duas semanas, o executivo de Netanyahu sobreviveu a uma moção de censura, apresentada em protesto contra o recrutamento obrigatório de judeus ultra-ortodoxos — o único grupo isento do serviço militar. Esta quarta-feira, uma nova voz pôs em causa a estabilidade governativa, quando o ministro de extrema-direita com a pasta das Finanças, Bezalel Smotrich, ameaçou abandonar a coligação caso a distribuição de ajuda humanitária na Faixa de Gaza, nos termos atuais, não fosse interrompida.

O primeiro-ministro acedeu à exigência e suspendeu a entrada de ajuda humanitária no enclave palestinianos durante 48 horas, período durante o qual as Forças de Defesa de Israel (IDF) deveriam apresentar um “plano de ação”. No entanto, nas últimas duas semanas a situação em Israel alterou-se de forma substancial. Depois da Guerra dos 12 Dias, as eleições antecipadas podem ter deixado de ser algo temível, mas desejável para Netanyahu: várias sondagens realizadas esta semana dão ao primeiro-ministro o seu melhor resultado desde antes do 7 de Outubro e da consequente ofensiva contra Gaza.

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▲ Smotrich lidera um de seis partidos que compõem a coligação que apoia o governo de Netanyahu

POOL/AFP via Getty Images

Fontes do governo recusam, tal como Menachem Begin fez em 1981, que os ataques contra o Irão tenham tido como objetivo melhorar a posição de Netanyahu. “Quem acha que esta campanha [contra Teerão] procurou ajudar politicamente o primeiro-ministro não percebe o que se passou”, declarou um oficial israelita ao jornal hebreu Besheva. No entanto, estes oficiais da coligação reconhecem que os impactos no sistema político, ainda que não fossem o objetivo, se vão sentir de qualquer forma.

Ciente deste contexto, Netanyahu quer aproveitar os ventos que sopram a seu favor e estará a ponderar convocar eleições antecipadas, avançou o Channel 12 na segunda-feira à noite, já depois de o cessar-fogo com o Irão ter entrado em vigor. Mas os prós e contras desta decisão ainda estão a ser pesados. Contra a convocação de eleições, pesam questões que já ameaçaram o governo e que continuam por resolver, como o recrutamentos dos ultra-ortodoxos e a ofensiva na Faixa de Gaza, às quais se somam outros objetivos que Netanyahu pretende utilizar como alavanca para uma futura reeleição, nomeadamente, a normalização das relações com a Arábia Saudita.

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Smotrich ameaça sair? “Vai lá e diverte-te”, responde Netanyahu, de olhos postos no cessar-fogo em Gaza

A ameaça de saída de Smotrich foi deixada numa reunião do governo, na noite de terça-feira. O ministro das Finanças exibiu um vídeo que circulava nas redes sociais e mostrava vários indivíduos armados a bordo dos camiões de ajuda humanitária, que têm entrado no enclave palestiniano. Smotrich identificou os homens como membros do Hamas que estavam a roubar a ajuda destinada a civis, uma acusação que já tinha feito no passado como justificação para a sua oposição à distribuição de ajuda humanitária em Gaza, relata o Haaretz.

O jornal israelita cita meios de comunicação no enclave que têm uma versão diferente das imagens: os homens armados são guardas contratados por “líderes tribais” das comunidades palestinianas para assegurar que os bens não são roubados no caminho até às instalações das Nações Unidas. Já o diretor da empresa de transportes que detém os camiões partilhou as imagens com um agradecimento às “famílias que estiveram ao longo de toda a rota”.

As forças israelitas, incumbidas de desenhar um plano alternativo, não confirmaram a identidade dos indivíduos. Mas, independente dos detalhes sobre este incidente, a ameaça de Smotrich ilumina a ofensiva que continua em Gaza. Durante a Guerra dos 12 Dias, a atenção de Telavive e do Exército esteve no Irão. Com o entrar em vigor do cessar-fogo, o foco volta a ser a eliminação do Hamas e o regresso dos reféns, mas surgem também trunfos para alcançar esses objetivos, argumentam vários analistas.

Por um lado, “a campanha no Irão dá [a Netanyahu] uma nova história para contar”, considera a comentadora israelita Tal Shalev ao New York Times. Esta nova narrativa transpareceu nas palavras de Arye Dery, líder do partido Shas, um dos membros da coligação de governo, que declarou que o ataque do Hamas no 7 de Outubro foi um “golpe terrível”, mas que “salvou Israel”, pois “toda a gente viu o que o Irão é realmente”. Ou seja, o facto de o Hamas ter atacado Israel no final de 2023 e a ofensiva israelita que se seguiu, levou o Irão a apoiar o grupo palestiniano — e também o Hezbollah — e expôs o regime iraniano como uma ameaça a Israel. Ameaça essa com a qual Telavive lidou com o ataque do passado dia 13 de junho. “A mensagem subjacente é que, em retrospetiva, até mesmo as dimensões do fracasso [de segurança no 7 de Outubro] devem ser vistas em proporção, assim como a responsabilidade do líder”, interpreta Yossi Verter.

[Netanyahu] está na posição mais forte que esteve em anos. Quando se é assim tão forte, consegue-se fazer aquele acordo, consegue-se acabar a guerra em Gaza — e não ter medo que o governo vá colapsar ou que vá ser afastados do cargo.
Mitchell Barak, antigo conselheiro de Netanyahu

Por outro lado, os sucessos alcançados por Israel na guerra contra o Irão também facilitam a implementação de um cessar-fogo na Faixa de Gaza, pois permitem a Netanyahu flexibilizar a sua posição negocial e fazer algumas cedências. “Ele está na posição mais forte que esteve em anos. Quando se é assim tão forte, consegue-se fazer aquele acordo, consegue-se acabar a guerra em Gaza — e não ter medo que o governo vá colapsar ou que vá ser afastados do cargo”, considera Mitchell Barak, antigo conselheiro de Netanyahu, ao New York Times.

Essa parece ser mesmo a aposta do governo que deu mais margem de manobra à equipa responsável pelas negociações para uma trégua, avançou um membro do executivo ao jornal norte-americano. Ao Haaretz, um oficial do governo avançou que Netanyahu está mesmo disposto a abdicar da presença de tropas israelitas no corredor de Filadélfia — uma exigência que já fez cair um acordo no ano passado — em troca do exílio simbólico de todos os (poucos) líderes do Hamas que ainda estão na Faixa de Gaza.

Os analistas ouvidos pelo New York Times apontam ainda que o período ideal para assinar este acordo se aproxima: o Knesset vai encerrar no final de julho para as férias de verão. Se o acordo for assinado durante esse período, o executivo não corre o risco de enfrentar a oposição da extrema-direita dentro da coligação, que pode fazer cair o governo.

Contudo, ao mesmo tempo, as ameaças dos aliados de extrema-direita parecem ter-se tornado cada vez mais vazias e não ter qualquer efeito na estratégia a médio prazo de Netanyahu. “Se Smotrich ameaçar fazer cair o governo novamente, vamos dizer-lhe — vai lá, diverte-te“, relatou uma fonte do governo israelita ao Haaretz, esta quarta-feira. O peso das ameaças parece ter-se esvaído com a publicação de uma nova sondagem, que mostra uma subida do Likud e uma queda a pique do partido Sionismo Religioso de Smotrich.

Mas a comparação não deve ser feita com a composição atual do Knesset, mas com o que as sondagens mostraram desde outubro de 2023: o Likud e Netanyahu ultrapassados de forma consistente por Naftali Bennett e o seu Nova Direita. Agora, pela primeira vez em 2025, 38% dos inquiridos respondeu que preferem Netanyahu como primeiro-ministro, sobre os 35% que escolheram Bennet. Além disso, nas sondagens antes da guerra com o Irão, o Likud encontrava-se conquistava 22 lugares e, na sondagem desta semana, saltou para os 26 lugares.

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▲ A popularidade de Netanyahu estava em queda desde o 7 de Outubro

dpa/picture alliance via Getty I

As sondagens mostram ainda que o partido de Smotrich não conseguiria sequer eleger deputados para o Knesset, o que explica a queda nos resultados da atual coligação de 67 para 61 deputados. Mas Roni Rimon, antigo gestor de campanha de Netanyahu, considera que isso não preocupa o atual primeiro-ministro. “Netanyahu sabe que se ganhar as eleições — e as sondagens apontam nesse sentido, ele vai ter um governo, mesmo que não seja com a mesma composição do atual”, declarou em entrevista ao jornal Besheva. Portanto, os números mostram que Smotrich tem muito mais a perder que Netanyahu em empurrar Israel para eleições antecipadas.

Ainda assim, dada a volatilidade na política interna israelita, parece improvável que o governo consiga chegar intacto ao final de 2026. Herb Keinon, editor e analista no Jerusalem Post, argumenta que, neste contexto, o país pode avançar para eleições antecipadas pela mão do próprio partido no poder, “na esperança de apanhar a onda do sucesso no Irão até a vitória nas urnas”.

Quando é que a “euforia iraniana” vai deixar de ser um trunfo para Netanyahu?

Entre todas as vantagens que a convocação de eleições antecipadas possa ter para Benjamin Netanyahu, a decisão não é livre de riscos. Mesmo que a Guerra dos 12 Dias continue a ser vista como um grande sucesso para os objetivos israelitas, isto pode virar-se contra o governo, argumenta Herb Keinon. “[Pode haver] gratidão a Netanyahu por ter afastado a ameaça nuclear iraniana — o trabalho de uma vida — mas um desejo de começar um novo capítulo, focado na recuperação doméstica. E Netanyahu, no poder há tanto tempo, pode não ser visto como alguém capaz de liderar esse processo”, escreveu, no seu espaço de opinião.

No entanto, a aposta da oposição para derrotar Netanyahu é outra: “A euforia iraniana não vai durar muito“, argumentou um membro da oposição israelita ao Haaretz, referindo-se ao clima de celebração em Israel depois dos ataques contra o Irão. Na sua opinião, vão começar a surgir novos problemas, relacionados com os desalojados, o peso da guerra na economia ou a continuação da ofensiva na Faixa de Gaza “durante as próximas semanas”. A convocação de eleições o mais rapidamente possível ia fazer com que estes problemas começassem a surgir em plena campanha eleitoral, o que não seria benéfico para o Likud ou Netanyahu.

Por este motivo, Roni Rimon considera que Netanyahu deverá convocar eleições antecipadas, mas nunca antes do final deste ano. Isso dá-lhe tempo para alcançar um cessar-fogo na Faixa de Gaza, que poderá, depois, utilizar como bandeira numa campanha eleitoral que, em Israel, costuma ser longa e chegar aos três meses, mesmo em casos de eleições antecipadas. Convocar eleições só depois de novembro permitiria ainda que o segundo aniversário do 7 de Outubro não fosse passado em campanha eleitoral — quando a oposição poderia utilizar a data para lembrar os erros de segurança da liderança de Netanyahu como arma de arremesso.

No fim da Guerra do Yom Kippur, Israel foi muito bem sucedido, mas, em pouco tempo, a guerra foi lembrada como um falhanço. Podemos ver o mesmo resultado com Netanyahu no futuro. Hoje, os media israelitas apresentam a campanha no Irão como uma vitória, mas, a longo prazo, não sabemos como vai ser vista.
Neta Oren, especialista nos efeitos de grandes eventos na opinião pública israelita e autora do livro "Israel sob Netanyahu"

Num cenário em que não há certezas, adiar as eleições para o início de 2026 é visto por outros analistas como uma jogada demasiado arriscada, pois a “onda do sucesso do Irão” pode desaparecer até lá. Mais: por essa altura, os efeitos a médio prazo da Guerra dos 12 Dias podem ter mudado completamente a leitura positiva que, neste momento, Telavive está a fazer da guerra. Os primeiros relatórios preliminares dos serviços secretos — tanto norte-americanos como europeus — mostram que os ataques contra as instalações nucleares iranianas não destruíram totalmente o programa nuclear de Teerão.

Pelo contrário, mostram que as reservas de urânio enriquecido permanecem intactas depois dos ataques de Israel e dos Estados Unidos e que os danos provocados podem ser recuperados no espaço de apenas alguns meses. Se estas informações se confirmarem e as eleições se realizassem no início de 2026, o Irão poderia já ter recuperado, até lá, o programa para o mesmo estágio em que se encontrava no dia 12 de junho, quando Israel lançou o primeiro ataque.

Não seria a primeira vez que o tempo mudava a leitura da sociedade israelita de uma guerra começada por Telavive, aponta Neta Oren. Ao New York Times, a especialista nos efeitos de grandes eventos na opinião pública israelita e autora do livro “Israel sob Netanyahu”, compara a Guerra dos 12 Dias com a Guerra do Yom Kippur, em 1973. “No fim da Guerra do Yom Kippur, Israel foi muito bem sucedido, mas, em pouco tempo, a guerra foi lembrada como um falhanço. Podemos ver o mesmo resultado com Netanyahu no futuro. Hoje, os media israelitas apresentam a campanha no Irão como uma vitória, mas, a longo prazo, não sabemos como vai ser vista”, elabora.

Outro exemplo é o ataque ao reator nuclear iraquiano, em 1981. Apesar de a operação ter sido classificada como um “sucesso” por ter travado o desenvolvimento de um programa nuclear, alguns especialistas apontam que o ataque só estimulou o desejo de Saddam Hussein por esta arma e o levou a fazê-lo de forma mais dissimulada, resume Jeffrey Fields, professor de Relações Internacionais na University of Southern California. O Iraque só não alcançou uma arma nuclear devido ao seu envolvimento em múltiplos conflitos regionais que escalaram a impediram um impulso real no projeto, escreve, esclarecendo a sua argumentação.

Sendo impossível prever os efeitos a médio e longo prazo, adiar as eleições antecipadas pode custar a Benjamin Netanyahu o ligeiro aumento de popularidade de que está a usufruir neste momento. Mas, a par com um cessar-fogo na Faixa de Gaza, existem outros objetivos que ainda pode alcançar para assegurar a manutenção desta margem.

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▲ É impossível prever os efeitos a longo prazo da guerra contra o Irão

AFP via Getty Images

Eleições só depois de normalizar as relações com a Arábia Saudita

No início desta semana, Yinon Magal, um jornalista próximo de Benjamin Netanyahu, colocou em cima da mesa a possibilidade de o primeiro-ministro aproveitar o facto de “ter mudado a História” para sair da vida política em glória. “Ele já tem 76 anos, passou por muito, tem o julgamento, pressões, a família. É a oportunidade perfeita para dizer ‘Já fiz a minha parte’ e afastar-se”, argumentou, numa entrevista na rádio 103FM, citada por Herb Keinon.

Apesar de a lógica de Magal fazer sentido, as declarações de Benjamin Netanyahu no passado domingo parecem contrariar totalmente esta ideia. “Eu tenho muito mais objetivos e enquanto acreditar que os posso cumprir, vou fazê-lo“, declarou numa conferência de imprensa na sequência dos ataques norte-americanos às instalações nucleares iranianas.

Várias fontes próximas de Netanyahu, ouvidas por diferentes meios israelitas, são unânimes na identificação de pelo menos um destes objetivos: a normalização das relações com a Arábia Saudita. O plano conta com o apoio dos Estados Unidos de Donald Trump, aliado de ambas as partes.

“Netanyahu quer o canal saudita, com a normalização e acordos de comércio com eles e com outros países como a Indonésia. Só depois desta conquista, é que é razoável assumir que ele escolha adiantar as eleições”, relatou um conselheiro do primeiro-ministro ao Haaretz. A normalização das relações com Riade não traz apenas benefícios económicos, através do comércio, mas principalmente securitários, já que Israel permanece isolado no Médio Oriente, com poucas e frágeis alianças. Em troca, Telavive tem uma oferta simples que pode convencer os sauditas, que têm mediado as negociações para um cessar-fogo em Gaza: a assinatura de um acordo.

epaselect epa12016425 US President Donald J. Trump (L) greets Israeli Prime Minister Benjamin Netanyahu (R) as he arrives for a meeting at the West Wing of the White House in Washington, DC, USA, 07 April 2025. President Trump and Prime Minister Netanyahu’s East Room press conference has been cancelled.  EPA/SHAWN THEW

▲ As relações de Riade e Telavive passam por Washington, aliado das duas partes

SHAWN THEW/EPA

No entanto, a Guerra dos 12 Dias pode ter posto em risco um acordo que, à partida, parecia estar bem encaminhado. “Netanyahu parece incontrolável — em Gaza, no Líbano, na Síria e agora no Irão. O poder descontrolado já não é uma vantagem para nós. É um problema“, elaborou um oficial de um país do Golfo ao Telegraph. O sentimento transmitido pelos oficiais dos vários países da região é que a normalização com Israel não vale a pena se for feita às custas da estabilidade regional. Isto é principalmente visível em Riade, onde a política externa tem evitado chocar de frente com o Irão para se focar na estabilidade económica — que não pode ser promovida num cenário de conflito regional.

O momento afigura-se sensível para Benjamin Netanyahu, que, por esse, motivo, adia tomar uma decisão sobre o passo seguinte, revelam os seus conselheiros. Por um lado, quer convocar eleições antecipadas nos seus próprios termos e não sob pressão dos parceiros de coligação. Ao mesmo tempo, quer utilizar como bandeiras eleitorais o cessar-fogo em Gaza e a normalização das relações com a Arábia Saudita — dois temas que, inevitavelmente, se interligam. Tudo isto, sem deixar passar os ventos favoráveis trazidos pela guerra com o Irão.

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