Passados 21 anos desde o início da jornada de The Legendary Tigerman, as grandes linhas definidoras do projeto artístico de Paulo Furtado ainda poderão estar lá, mas o espetro alargou-se e aconteceu uma espécie de metamorfose. O principal reflexo disso é o disco editado em setembro, Zeitgeist. O álbum foi sobretudo construído com sintetizadores modulares, relegando as guitarras para segundo plano. A chama rock’n’roll mantém-se mas aparece atualizada, embrenhando-se em novas frequências e sons. É o disco em que o alter-ego e o seu criador mais se aproximam, em que The Legendary Tigerman mais se cruza com o Paulo Furtado autor de bandas sonoras (ele que também compôs a trilha sonora de O Encantador de Ricos, o mais recente capítulo da série Podcast+ do Observador).

Quando o visitamos na sua casa em Lisboa e somos encaminhados para uma sala-estúdio ao fundo do corredor, somos confrontados com essa imagem clara. Entre a parafernália de equipamentos — num dia em que o estúdio se encontra “desorganizado”, por estar em “reestruturação” — saltam mais à vista os sintetizadores do que as guitarras, ainda que coabitem o mesmo espaço, sob a luz da cidade que espreita pelas janelas amplas.

Embora Paulo Furtado não se recorde de qual era o grupo que tocava, houve um concerto no Lux Frágil que foi fulcral para esta mudança de paradigma. “É quando estás sem expetativas, de repente vais para um sítio e tens uma experiência que tem a ver com o que está a acontecer no palco, mas também tem a ver com as frequências que estás a sentir. E o que me fez pensar nesta coisa de que o rock’n’roll tem que ter subgraves, foi estar lá e ter uma experiência física sonora”, explica ao Observador.

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