Explicador

O que está a dividir o Bloco de Esquerda

Agosto 201429 Agosto 2014237
Rita Dinis

Como nasceu o Bloco de Esquerda?

Pergunta 1 de 14

O Bloco de Esquerda foi fundado em 1999 pela junção de três partidos políticos da esquerda radical – a União Democrática Popular, o Partido Socialista Revolucionário e a Política XXI, aos quais depois também se juntaram outros pequenos movimentos políticos e de cidadãos. Luís Fazenda (vindo da UDP), Francisco Louçã (do PSR), Miguel Portas (PXXI) e também Fernando Rosas foram os seus fundadores.

Os objetivos da fundação do Bloco de Esquerda passavam por criar uma ‘nova esquerda’ anti-capitalista, anti-conservadora, socialista, feminista e ecologista, para preencher aquilo que os seus fundadores descreviam como o vazio sentido por aqueles que não se identificavam nem com o PCP, nem com o PS, visto como demasiado central e neo-liberalista.

Pretendia assim ser um movimento político de convergência de diferentes tradições e experiências de esquerda, com uma identidade assente no pluralismo e na democracia (o Bloco não negava as origens dos três partidos que lhe deram vida).

O timing da fundação do partido prende-se sobretudo com a derrota da esquerda no referendo ao aborto de 1998, onde o ‘não’ venceu com 50,9% dos votos. Nesta lógica, o Bloco surge com o objetivo prático e claro de se tornar uma força política com expressão eleitoral. Para isso a meta era conquistar pelo menos um lugar no Parlamento Europeu nas eleições de junho de 1999.

O candidato a eurodeputado pelo Bloco era Miguel Portas, uma das figuras mais emblemáticas do partido. Para isso o BE tinha de conseguir um resultado superior à soma dos votos habitualmente conseguidos pelos três partidos que o constituíam. Mas o objetivo falhou, com o Bloco a conseguir na sua estreia no boletim de voto apenas 1,79% dos votos (muito atrás do CDS, que obteve 8,16% da votação).

Apesar de não terem cumprido o objetivo inicial, as eleições europeias funcionaram, no entanto, como ensaio para as legislativas desse mesmo ano, quatro meses depois. Na segunda ida às urnas, em outubro, o resultado do BE foi mais expressivo. Com 2,44% dos votos, o Bloco de Esquerda conseguia eleger dois deputados para a Assembleia da República: Francisco Louçã (que vinha do PSR) e Luís Fazenda (da UDP). Falhou a eleição de um terceiro, que seria Miguel Portas (da Política XXI).

A formação do Bloco a três revelou-se mesmo a única forma de estes três pequenos partidos terem expressão eleitoral, uma vez que antes alguns deles já tinham tentado concorrer coligados, mas sem sucesso. Portas e Louçã (PSR e Política XXI) já tinham surgido coligados nas autárquicas de 1997 mas ficaram muito aquém, inclusive atrás da UDP, que foi sozinha. Na década de 1990, o PSR de Louçã foi o que teve mais perto de conseguir eleger deputados, tendo sido em 1991 a sexta força política mais votada. Antes, no período pós-revolução, a UDP conseguiu eleger um deputado várias vezes – em 1975 (Américo Duarte), 1976 (Acácio Barreiros), 1979 e 1980 (Mário Tomé).

O impulso do Bloco de Esquerda foi inicialmente sustentado por uma agenda setorial e com o apoio de sectores do eleitorado mais jovem, da comunidade LGBT e de artistas ou inteletuais que não se identificavam com a esquerda tradicional. Destacou-se inicialmente por um discurso diferente no Parlamento e pela presença nas manifestações de rua. Beneficiou também de uma grande exposição mediática e de grande benevolência por parte da maioria dos jornalistas.

O Bloco procurou sempre distinguir-se dos tradicionais partidos com assento parlamentar. Daí que, por exemplo, não se chame ‘partido’ nem ‘coligação’ mas sim ‘bloco’, que em vez do tradicional secretário-geral tenha um coordenador nacional (ou, neste caso, dois), e que não organize congressos para eleger os seus dirigentes mas sim convenções. Isso não obstou a que, quando elegeu os primeiros deputados, tenha disputado com o PCP o direito de se sentar o mais à esquerda possível no hemiciclo de São Bento, na cadeira onde se haviam sentado os deputados da UDP, sinal de que se mantinha fiel às suas raízes radicais, de extrema-esquerda.

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