As fotografias de uma banana manchada de vermelho foram partilhadas milhares de vezes nas últimas semanas para denunciar a suposta injeção de sangue neste fruto à venda nos supermercados do Pingo Doce. Numa publicação alarmista, com erros de português e que apela à partilha, o autor pede para as pessoas não comprarem bananas na cadeia do grupo Jerónimo Martins. Um alerta que surge recorrentemente nas redes sociais e que, desta vez, apesar de ser um boato, foi partilhado mais de 7,8 mil vezes desde 6 de fevereiro e teve mais de 244 mil visualizações.

Só um único “post” foi partilhado mais de 3,6 mil vezes

Há vários anos que circulam na internet mensagens semelhantes, que alertam para a injeção de sangue contaminado com HIV na fruta. É comum surgirem publicações com bananas, mas também com outros tipos de fruta, como laranjas. Na publicação mais recente, o autor mostra uma banana com manchas avermelhadas, que diz serem de sangue: “Não comprem bananas do Pingo Doce porque estão injetadas com sangue”.

Contactada pelo Observador, fonte oficial do Pingo Doce explicou que, no seguimento da publicação feita no Facebook, “foi reforçado o acompanhamento a este produto, não tendo sido encontradas bananas nestas condições” no seu circuito de comercialização, “nem registada qualquer queixa no Serviço de Apoio ao Cliente desde então”.

Ao que tudo indica, as imagens não terão sido manipuladas, mas as manchas presentes na banana não são de sangue. “A aparência das bananas que se vê nesta publicação resulta da presença de microrganismos específicos presentes no solo, água, raízes e flores das bananeiras, que se desenvolvem no interior dos frutos, dando-lhes uma coloração negra ou negro-avermelhada”, explica a mesma fonte, destacando que não há “qualquer risco para a saúde das pessoas, nem qualquer impacto em termos de segurança alimentar”.

Numa resposta enviada por email, o Pingo Doce adianta que “tem implementado um rigoroso processo de controlo de segurança alimentar em todo o circuito de comercialização, desde os armazéns até às lojas, em todos os produtos comercializados, seja marca de indústria ou marca própria”.

Na sequência de uma publicação semelhante disseminada nas redes sociais em 2018, o Ministério da Saúde brasileiro fez uma verificação dos factos, alertando os internautas para não partilharem a mensagem porque é falsa.

“O Departamento de Doenças de Condições Crónicas e Infecções Sexualmente Transmissíveis do Ministério da Saúde atestou que não há possibilidade de alguma fruta ter condições para transmissão do vírus HIV”, lê-se no site do Ministério, que chama a atenção para o facto de o texto ter várias características de fake news, como erros gramaticais, tom alarmista e apelo à partilha. Três caraterísticas que também se encontram na publicação que foi partilhada mais recentemente.

No mesmo texto, o Ministério da Saúde aproveita para esclarecer “que a banana não seria uma meio externo com condições propícias para transmissão do vírus do HIV, assim como não há chance de contrair o HIV por contacto com roupas, objetos (copos, talheres, vazo sanitário) ou outros alimentos”.

Conclusão

A publicação que alerta para a presença de sangue nas bananas do Pingo Doce é falsa. Até ao momento, não foi encontrada pela empresa nenhuma peça de fruta nestas condições, nem há registo de qualquer queixa relacionada com este assunto. As manchas avermelhadas que surgem em algumas bananas estão relacionadas com a presença de microrganismos que se desenvolvem no interior da fruta e que não têm riscos para a saúde.

Assim, de acordo com a classificação do Observador este conteúdo é:

ERRADO

De acordo com o sistema de classificação do Facebook este conteúdo é:

FALSO: as principais alegações do conteúdo são factualmente imprecisas. Geralmente, esta opção corresponde às classificações “falso” ou “maioritariamente falso” nos sites de verificadores de factos.

Nota: este conteúdo foi selecionado pelo Observador no âmbito de uma parceria de fact checking com o Facebook.

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