O cenário descrito num alegado alerta da polícia a circular no Facebook é alarmista: um grupo de pessoas “vestidas de branco” andaria a “transmitir” o vírus da imunodeficiência humana (VIH) através de testes para medir a taxa de glicemia. A publicação do Facebook já ultrapassou as 150 partilhas. Mas o aviso é falso e nunca foi emitido por qualquer força de segurança portuguesa, nem de qualquer outro país.

A publicação mostra uma fotografia tirada a um documento que explica o modus operandi deste suposto grupo que se faria passar por estudantes de enfermagem. As pessoas, vestidas de branco, andariam “de casa em casa para medir a taxa de glicemia dos moradores”. “Não deixem”, lê-se no alegado aviso, que explica depois que o objetivo destas pessoas, seropositivas, seria transmitir o vírus da sida, como parte da baleia azul — um jogo através do qual quem se inscreve recebe uma lista de 50 tarefas altamente perigosas, sendo a última o suicídio.

O documento garante depois que o alerta foi feito pela Polícia Militar, citando-o:

“Amigos e populares, a vigilância sanitária e a PM acabam de informar que um grupo de aidéticos está em várias cidades abordando as pessoas para que elas façam a medição da glicose. Se você for abordado, DENUNCIE! Ligue 190! Este suposto teste está passando o vírus HIV”.

Desde logo, a Polícia Militar não existe em Portugal. O mais aproximado seria a Polícia Judiciária Militar que é órgão de investigação criminal do Ministério da Defesa que não investigaria um crime deste género — a ser verdade, não seria da sua competência. Ainda assim, nem esta nem qualquer outra polícia ou força de segurança fez algum alerta deste género.

Depois, não só o alegado alerta está escrito em português do Brasil — o que mostra ainda mais que não é um aviso das autoridades portuguesas — como, no documento, é referido um número para qual as pessoas devem ligar a denunciar casos: 190 que é o número de emergência da Polícia Militar — um órgão força de segurança armada do Brasil.

Quer isto dizer que este aviso é verdadeiro, apenas não foi emitido em Portugal? Não. É apenas um alerta falso difundido no Brasil, mas que chegou aos utilizadores portugueses. Por exemplo, o utilizador que fez esta mais recente partilha, a 26 de outubro, escreve na legenda: “ALERTA Vimioso e arredores”. Isto pode sugerir que as autoridades de Bragança emitiram o alerta ou até que há registo de casos naquela zona.

Este falso alerta começou a ser partilhado no Brasil originalmente através do WhatsApp — mas depressa chegou ao Facebook e passou as fronteiras. O tom alarmista do aviso levou mesmo a Polícia Militar brasileiro a desmenti-lo e a confirmar que não tinham registo de qualquer caso semelhante.

Conclusão

O documento alerta para um grupo de estudantes de enfermagem vestidos de branco que andaria de casa em casa a transmitir o vírus da sida através de testes para medir a taxa de glicemia aos moradores. O aviso nunca foi feito por qualquer autoridade portuguesa. No máximo, seria da Polícia Militar brasileira — que é a única entidade referida no documento.

Mas o alerta é falso e já levou a Polícia Militar do Brasil a desmenti-lo e a confirmar que não tinham registo de qualquer caso semelhante.

Assim, segundo a classificação do Observador, este conteúdo é:

Errado

No sistema de classificação do Facebook este conteúdo é:

FALSO: as principais alegações do conteúdo são factualmente imprecisas. Geralmente, esta opção corresponde às classificações “falso” ou “maioritariamente falso” nos sites de verificadores de factos.

Nota: este conteúdo foi selecionado pelo Observador no âmbito de uma parceria de fact checking com o Facebook.

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