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Foi com alguma surpresa que manhã cedo (sete horas) da passada quinta-feira um comunicado, em inglês, era divulgado no site da CMVM com a informação de que a Moeve e a Galp estavam a iniciar negociações para juntar os ativos industriais (incluindo refinarias) e os postos de combustíveis, podendo criar, para o efeito, duas novas empresas. Numa, na industrial, a Galp ficará minoritária. O mesmo é dizer que a refinaria de Sines, a única em Portugal, vai deixar de ter o controlo da empresa portuguesa e vai passar a ser dominada pela Moeve, que tem o fundo de Abu Dhabi como principal acionista. |
Sendo a refinaria um ativo estratégico, e estando a Galp no relevante setor energético e petrolífero, o Governo tem a faca e o queijo na mão para impedir o negócio, caso considere um risco em termos de segurança nacional. Para já, cautela foi a ideia chave transmitida por membros do Governo. Depois de uma primeira reação do Ministério do Ambiente, em que dizia estar a acompanhar, mas acrescentando que se podia olhar para o negócio de outra maneira: a Galp ganha duas refinarias (com a entrada na empresa que ficará com todos os ativos industriais, incluindo as duas refinarias da Moeve em Espanha). O Ministério da Economia foi mais contido, assumindo apenas acompanhamento de um ativo estratégico e de um ativo em que o Estado ainda detém uma participação acionista. |
Já os dois co-CEO (presidentes executivos), que deram uma entrevista ao Observador após o anúncio das negociações, assumem que uma posição minoritária não significa perda de controlo. Tudo depende do acordo que for feito. Ganha-se, ainda assim, com este negócio escala, defendem. A operação está ainda a ser negociada e só no final se saberá como fica o seu desenho. A Galp fica com participação nas duas companhias a ser criadas e mantém-se na produção e exploração do petróleo e na comercialização e produção de eletricidade e gás. 70% dos ativos da Galp estão fora deste negócio que promete fazer correr ainda muita tinta. Uma coisa é certa a Galp ficará mais espanhola. E maior. |
Trump estica a corda na Fed. Powell responde de forma inédita |
Um vídeo de dois minutos foi o que bastou para Jerome Powell, presidente da Reserva Federal norte-americana, dar um murro na mesa como nunca um titular do cargo deu. A intimação do Departamento de Justiça (a Administração Trump negou estar por detrás desta ação) que pode levar a uma ação criminal e à sua destituição estava camuflada no pretexto (palavra de Powell) de gastos excessivos com a renovação da sede da Fed, mas o ainda presidente da Reserva Federal tem outra leitura. “A ameaça da ação criminal é uma consequência da fixação por parte da Reserva Federal de taxas de juro com base na nossa melhor avaliação de serviço público em vez de seguir as preferências do Presidente. Trata-se de de saber se a Fed conseguirá continuar a definir as taxas de juros com base em evidências e nas condições económicas, ou se, em vez disso, a política monetária será dirigida por pressão política ou intimidação”. |
Uma posição que vem no seguimento do que Powell considera ser um ataque sem precedentes à independência do banco central. Por várias vezes Donald Trump tem criticado Powell por não baixar as taxas de juro. Mas agora, no entender de Powell e de um conjunto de banqueiros centrais e ex-banqueiros centrais, desfere um golpe perigoso, colocando em risco a independência da instituição. O mandato de Powell termina em maio e Donald Trump está em processo de escolher o sucessor, tendo já dito que na sua cabeça já tomou a decisão. A próxima reunião da Fed acontece a 28 de janeiro. |
Há um problema de memória que está a afetar a eletrónica de consumo (a ficar ainda mais cara) |
O problema não começou agora, mas está a chegar aos bolsos dos consumidores. O preço das memórias RAM (componentes necessários para computadores, telemóveis, e que permitem que uma tarefa dada seja processada rapidamente) está a disparar, impactando no preço final dessa eletrónica de consumo. A subida do valor tem uma razão — a escassez destas componentes para esse segmento de mercado por causa da inteligência artificial. É que os desenvolvimentos deste negócio estão a levar os produtores de chips de memórias a desviar a produção para componentes específicos para centros de dados, resultando em menos fabrico de memórias para a eletrónica de consumo. E quando a oferta diminui… com a procura na mesma ou em crescendo o preço dispara. Os analistas contactados pelo Observador acreditam que este problema se manterá ainda por alguns meses. E até já antecipam, por isso, como consequência, a retração nas vendas, nomeadamente de telemóveis. |

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A EMPRESA |
A Alphabet chegou à capitalização bolsista de 4 biliões de dólares, entrando no clube que já tinha a Nvidia, a Microsoft e a Apple. É certo que só a Nvidia aí se mantém agora com a Alphabet, casa-mãe da Google. 4.000.000.000.000. É cerca de 12 vezes o PIB português ou perto do PIB do Japão. E, mais uma vez, a “culpa” é da inteligência artificial. A marca foi atingida depois de ter sido noticiado que a Apple escolheu o Gemini, modelo de inteligência artificial da Google, para a atualização que pretende fazer à Siri, a sua assistente virtual. A Google acredita que a sua versão três do Gemini é a mais potente dos modelos. Os mercados parecem acreditar. A empresa teve um crescimento de 75% do seu valor acionista no ano passado e sobe quase 7% este ano, e estamos apenas com 14 dias em 2026. |
É com esta atualização do modelo que a Alphabet quer começar a encostar a OpenAI, dona do ChatGPT, às boxes. A OpenAI enfrenta vários desafios, entre os quais, o da rentabilidade. Ainda assim será presença, novamente este ano, pela segunda vez consecutiva, nos anúncios do Super Bowl, a finalíssima do futebol americano, que se disputará no mesmo dia da segunda volta das Presidenciais portuguesas, a 8 de fevereiro. |
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