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Tudo começou com um WhatsApp. Eram 23h36 de terça-feira, 10 de fevereiro, quando o telemóvel do Miguel Cordeiro, editor da Rádio Observador, recebeu uma mensagem do diretor adjunto Pedro Jorge Castro: “És gajo para ir para Coimbra o mais cedo possível?” O que se seguiu é revelador. Primeiro, o Miguel respondeu, sem hesitar nem duvidar: “Claro”. E só depois foi tentar perceber o que se tinha passado. Como estava num jantar, não tinha conseguido acompanhar as notícias mais recentes. Mas entendeu rapidamente que o Mondego estava no limite e que a presidente da Câmara de Coimbra tinha anunciado a evacuação de cerca de três mil pessoas com o argumento de que, se tudo corresse mal, seria “como uma bomba”. |
O Miguel Cordeiro foi para casa fazer uma mala e nessa madrugada pôs-se a caminho de Coimbra. De manhã cedo já estava pronto para entrar em direto nas Manhãs da rádio. Ao longo das horas seguintes, falou com pessoas apreensivas nas zonas ribeirinhas da cidade, acompanhou a visita de Luís Montenegro e Marcelo Rebelo de Sousa e fez reportagem num pavilhão no centro de Coimbra onde tinham sido acolhidos 90 idosos de três lares da região. Nesse dia, ainda iria rebentar o dique do Mondego em Casais; e à noite haveria um abatimento no piso da A1. No dia seguinte, bem cedo, seria aí que ele iria estar, em direto. |
Também no dia 11, o Tiago Caeiro e o fotojornalista Diogo Ventura andaram pelas aldeias da região. Quando chegaram a Cabouco, ladeada pelo rio Ceira, um dos afluentes do Mondego, a parte baixa da aldeia já estava alagada. Os bombeiros sapadores de Coimbra estavam a bater às portas para se certificarem de que não estava ninguém dentro das casas. A dada altura, quando andavam ainda a tentar recolher mais informações, os bombeiros avisaram-nos: já não era seguro estar ali, tinham de sair todos — já. Não lhes restava nem mais um minuto. |
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Talvez lhe tenha escapado
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Sociedade
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"A barriga começou a doer", "fiquei nervoso e chorei". Equipa de psicólogos está a correr escolas de pré-escolar e 1.º ciclo para ajudar crianças a expor emoções e aprender a lidar com o que viveram.
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Mau Tempo
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A barragem da Aguieira foi construída nos anos 70 para controlar o Mondego. Engoliu a ponte Salazar, inaugurada pelo próprio, e uma aldeia. Quem mora ao lado diz que nunca a viu debitar tanta água.
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Coimbra
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Júlio construiu muro à volta de casa para conter o Mondego, João tem posto de comando improvisado para vigiar o rio. Com os olhos no Mondego, população das zonas evacuadas escolheu ficar.
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Mau Tempo
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O risco de derrocada das arribas levou as autoridades a retirar centenas de moradores de Porto Brandão. A ameaça já se concretizou e obrigou a retirar pessoas de barco — mas o pior pode estar por vir.
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Consumo
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A vaga de tempestades das últimas semanas tem impedido os pescadores de lançar as redes no mar. Supermercados estão sem stock de peixe nacional, que é substituído por importações ou aquacultura.
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Mau Tempo
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Dique que separa o rio Mondego das margens cedeu cerca das 18h30 junto da A1. Peritos alertam que devia ser construída mais uma barragem para controlar o caudal e impedir as cheias.
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Governo
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Maria Lúcia Amaral reclamou tempo para estudar os dossiês, mas os incêndios e as tempestades não lhe deram tréguas. A relação com os polícias não foi a melhor e as gafes não ajudaram a ministra.
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Vichyssoise
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Em entrevista ao Observador, Francisco Assis diz que Montenegro tem de "aprender" com o que aconteceu nas presidenciais, mas aconselha o Partido Socialista a ter paciência e prudência na oposição.
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Presidente da República
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Presidente eleito foi pressionado a tomar posições em campanha que o vincularam em áreas como Saúde, Justiça ou Defesa. E também sobre impostos ou matérias de consciência. O que pensa, afinal, Seguro?
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Justiça
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Matthias Schmelz fez fortuna com a empresa Rainbow Portugal. Foi acusado de crimes sexuais contra menores, mas fugiu. PJ confirma contactos com polícia de Cabo Verde em 2025, mas rasto perdeu-se.
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Crime
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Uma menor institucionalizada terá sido violada depois de ser exposta sexualmente a centenas de homens. PJ fez várias buscas, apreendeu material informático e dois inspetores foram baleados.
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Operação Marquês
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Um recurso ilegítimo, apresentado um ano e dois meses fora de prazo e que repetia argumentos já anteriormente decididos, foi admitido pela Relação de Lisboa. Supremo rejeitou-o liminarmente.
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Argentina
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Depois de 14 horas de negociações, projeto de lei polémico foi aprovado no Senado e pode entrar em vigor até ao fim do mês. Sindicatos e oposição prometem opor-se nas ruas e no Supremo Tribunal.
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Coreia do Norte
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O 9.º Congresso do Partido realiza-se no fim de fevereiro, onde será decidida a linha de política externa. Trump quer negociações, mas Kim, com alianças aprofundadas, não tem motivos para aceitar.
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Humor
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O humorista já percorreu o país de Norte a Sul, mas promete contar mais quilómetros: o novo solo, "Arraial", leva as festas da infância passada em Santa Maria da Feira aos palcos. E estreia no sábado.
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Livros
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Concertos, entrevistas e bastidores, um arquivo e as amizades que perduram. Falámos com Álvaro Rosendo sobre "Love Song", livro que conta uma história da explosão criativa portuguesa em fotografias.
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Opinião
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Em 2025, o Observador alcançou, pela primeira vez, de acordo com as suas contas provisórias, resultados operacionais positivos, algo a destacar num setor estruturalmente tão desafiante.
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Ventura não ter passado dos 33,2% pode ser um problema para Ventura. Mas Ventura ter chegado aos 33,2% é um problema para os seus inimigos.
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Ventura perdeu, mas ficou naquele limiar de votos que lhe permite dizer que o copo já está meio cheio. E se Seguro ganhou com uma votação substancial, teve também o cuidado de tentar falar para todos.
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O que vai Seguro fazer politicamente com a sua própria surpresa face a este desfechoserve-nos o cúmulo da incerteza, ou, pelo menos, uma das maiores incerteza de que há memória entre nós
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Lula e Bolsonaro são os dois lados da mesma moeda populista, que cai incessantemente em qualquer lado, menos nos bolsos dos brasileiros. O Brasil pode até ser um país sério, mas disfarça muito bem.
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