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Não se deixem enganar: o que aconteceu esta terça-feira em Alcochete não é só um caso de polícia. Foi comovente ver como toda a gente, de políticos a dirigentes desportivos, falou sobre as agressões aos jogadores do Sporting com as mãos a segurar o Código Penal. Parecem tão sérios, não parecem? Mas essa é apenas uma forma cobarde de evitar tomar decisões difíceis; e é uma forma de entregar um tema incómodo às secretarias dos tribunais, onde ficarão durante anos antes que alguém entre na cadeia.

Eis o novo mantra da nossa intelligentsia futebolística: “À Justiça o que é da Justiça, ao desporto o que é do desporto”. Onde é que já ouvimos isto? Claro que a Justiça tem que fazer o que costuma fazer. Mas o desporto, e quem manda no desporto — sendo que quem manda no desporto adora aparecer nas televisões a dizer que manda no desporto –, fica apenas a assistir, de camarote, à longa liturgia de detenções, acusações, julgamentos e recursos de um ou dois (ou vinte) adeptos violentos, como se não precisasse de fazer mais nada?

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