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Paulo Ramos

Convidado

Artigos publicados

Livros

Hortelã, Cagliostro e o salmo 130

Os livros que verdadeiramente lemos não permanecem em nós como frases, mas como lugares. Regressamos a eles quando o mundo se estreita e a luz chega já filtrada pelas grades.
Livros

Izana e a Cabana dos muitos Fios

Izana levou três anos a erguer a Cabana de Ler do Shogun. Não deixou, contudo, de contar histórias.
Cultura

Gentis caligrafias do Paraíso

Nenhum mestre sério entrega de imediato os segredos da beleza. Antes de desenhar uma rosa, era preciso aprender a reconhecer o pó que ela deixa no mundo.
Filosofia

Sei Shonagon e a origem das cores

Só a ideia de que o arco-íris pudesse desaparecer entristecia Sei até às lágrimas. Mas bastava imaginá-lo sobre o céu para que lhe surgisse nos lábios um sorriso duradouro.
Cultura

Pequena meditação sobre o despojamento da luz

Nos 25 anos dos ataques às torres gémeas.
Peste negra

O ano da peste e a cavalgada das palavras

Quando o medo não encontra explicação, procura um rosto. E escolhe quase sempre aquele que aprendera a desprezar. Culpar judeus é um hábito tão antigo quanto a ignorância que o alimenta.
Livros

O Fundo Kati e a intermitência dos regressos

Ler é deixar que os mortos retomem a palavra sem exigirem que abandonemos o presente. Um livro não ressuscita literalmente quem o escreveu; oferece, porém, outra forma de presença.
Literatura

Do imprestável e da invenção das folhas

A beleza pacifica-nos porque interrompe, ainda que por um breve momento, a violência com que desejamos possuir e explicar.
Poesia

Garrett e as Folhas Caídas ou Bashô no Campo Grande

A beleza não apaga as feridas. Redime-nos de outra maneira, mais discreta e mais verdadeira: impede que a realidade se reduza à sua evidência dolorosa.
Literatura

Bram Stoker e a liturgia do desejo

Todo o romance é, afinal, o relato desta tensão entre dois mundos: o do desejo ilimitado, que não conhece adiamento nem renúncia, e o do amor paciente, que procura inscrever o corpo numa morada comum
Literatura

Anne Carson, Ésquilo e as naus de Salamina

Talvez Ésquilo nos ensinasse, enfim, a olhar para os mísseis que cairão hoje à noite sobre os novos Persas com aquele espanto e estranha compaixão com que outrora contemplou as naus em Salamina
Cinema

Buñuel, Almodóvar e o chapéu de Chesterton

Buñuel e Almodóvar falam, em suma, da estranheza da vida e de como mal somos outra coisa senão frágeis cascas, levadas e trazidas pelos nossos desejos.
Fotografia

Whitman e as fotografias da noite

Talvez seja esse o segredo último da fotografia: não o rosto de Whitman, nem a forma exacta das asas, mas o breve entendimento silencioso entre um corpo que se desfaz e um pequeno habitante da noite.
Filosofia

Viagens por prodígios de água

O trabalho da interpretação, quando fiel à espessura poética do real, não consiste em reduzir o símbolo a conceito, mas em deixá‑lo desdobrar as suas ressonâncias ao limite daquilo que se pode dizer
Livros

De livros e outros dons da água

Toda a leitura é, no fundo, uma navegação sem cartografia. Parte-se sempre do lugar onde se está, mas regressa-se inevitavelmente diferente.
Mitos

Afrodite e a origem do Tempo

Eis o escândalo de Afrodite: ela é a autoridade privada de lei, poder desarmado da norma, seduz precisamente porque não ordena, porque não manda, apenas convoca e arrasta.
Livros

Do ofício de ser livre

Entre o mistério da fidelidade aos livros e as histórias concretas de quem os guarda, abrem-se séculos em que a fragilidade do liber se confunde com a das mãos que o copiam e protegem.
Poesia

Pequeno manual de pastoreio e torrefacção

Pensei em Amr Kunta, nas bagas vermelhas, nos livros com pele de cabra, na rosa que viu duas vezes e no rouxinol que nunca encontrou. Tudo nele parecia ensinar que os grandes milagres regressam.
Bíblia

Qumran e a generosidade do tem

Aquilo que o tempo protegeu nas grutas escondidas da nossa memória, que escapou aos filhos das trevas e às mãos calejadas da Fretensis, é o que por vezes deixamos ao abandono sobre a mesa.
História

Memórias e bichos-da-seda

Quando a primeira borboleta e o primeiro ailanto se reencontraram, leram no cruzamento dos seus destinos que as suas vidas não tinham esquecido uma o gosto da outra.

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